Friday, 14 January 2011

CANTANHEDE DE MÃOS DADAS COM RENATO


Foi como num evento bem organizado por profissionais. Carlos Santos andou à volta da praça Marquês de Pombal, o espaço mais nobre de Cantanhede, e rapidamente dispôs cerca de 400 pessoas convocadas por SMS, em torno desta, de mãos dadas.

Na sua maioria jovens de aparência moderna, mas também idosos e idosas com lenços negros atados na cabeça. O propósito era comum. Transmitir uma mensagem de solidariedade a Renato Seabra, o filho da terra detido em Nova Iorque e acusado da morte do cronista social Carlos Castro, ocorrida na “grande maçã”, no passado sábado.

“Vamos fazer um minuto de silêncio para dar muita força ao Renato!”, diz Carlos Santos, pai de dois amigos de Renato e mestre improvisado desta cerimónia. Duas mulheres gritam: “E à mãe! E à mãe!” O orador concorda e acrescenta: “Vamos transmitir frequências positivas para eles!” Palmas no fim. Muitas palmas. O filho de Carlos Santos, bem mais alto do que o pai, vira a cara para trás e assim ninguém vê as suas lágrimas. Algumas pessoas que estavam mais próximas da igreja matriz rezam um Pai Nosso e uma Avé Maria.

Os últimos dias têm sido bem diferentes para uma cidade pequena e pacata como Cantanhede, sem comparação possível com as metrópoles como Lisboa ou Porto, e em que, por exemplo, se torna difícil encontrar estabelecimentos para jantar. À hora do Telejornal, os habitantes manifestam-se ruidosamente nos cafés, quando vêem a sua terra surgir nos ecrãs da televisão. Como nesta noite.

Os jornalistas abundam. Parece a cobertura de um grande evento e, hoje mesmo, num assalto efectuado em pleno dia, a uma loja de valores, também ela situada na praça principal, os profissionais da comunicação chegaram primeiro do que as autoridades. Inclusive, um fotógrafo conseguiu captar a corrida dos assaltantes em fuga.

http://www.publico.pt/Sociedade/cerca-de-400-populares-de-cantanhede-dao-as-maos-para-apoiar-renato-seabra_1475136

Wednesday, 12 January 2011

MÃE DESESPERA PARA VER RENATO


Mãe desespera para ver Renato

Odília Pereirinha, mãe de Renato, o autor confesso da morte de Carlos Castro, está desesperada. Quer ver o seu filho ou, pelo menos, chegar à fala com ele, mas não consegue. Renato está sob custódia da polícia, o que tem impedido de ser visitado pela mãe.

"Um paciente psiquiátrico que está sob custódia da polícia não pode ser visitado por familiares até ser presente a tribunal", informou fonte hospitalar. Mas a advogada da família, Paula Fernandes, não dá a ‘guerra’ por perdida. Diz que tudo está a ser feito para que Odília veja o filho e admite mesmo que o encontro poderá ocorrer muito em breve. "É possível que hoje à noite [madrugada em Lisboa] ainda o consiga", disse, esperançosa ao CM. A única visita que Renato recebeu até agora foi do advogado que prepara a sua defesa nos EUA. "Ele já falou com um colega, mas é prematuro adiantar qualquer pormenor", disse Paula Fernandes.

Entretanto, ficou ontem a saber-se que Carlos Castro foi morto na noite em que se preparava para regressar a Portugal. "Ele antecipou a viagem. Estava para voltar dia 15, mas antecipou para dia 8", revelou ao CM Cláudio Montez, amigo de Castro, dando a entender que a relação entre o cronista social e o jovem modelo não corria como previsto.

"A partida também foi adiada", acrescentou, referindo que Carlos e Renato estiveram três dias em casa do cronista, em Sete Rios, Lisboa. "E eles não saíram porque o Renato não queria ser exposto." O jovem, natural de Cantanhede, garantiu ainda a Cláudio Montez que esta era a sua primeira relação homossexual.

"O Renato até podia não estar preparado para uma relação deste tipo, mas foi avisado várias vezes. Foi testado, foi-lhe perguntado pelo Carlos 500 mil vezes", frisa Cláudio.

"APROVEITOU-SE DO CARLOS"

Fernanda e Amélia, irmãs de Carlos Castro, aterraram ontem em Nova Iorque para cumprir o último desejo do cronista: que as suas cinzas sejam espalhadas pelas ruas da Broadway.

Segundo contou ao CM Cláudio Montez, amigo de longa data de Carlos Castro e que acompanhou Fernanda e Amélia nesta viagem, "o processo custará cerca de 800 euros". "Conheci um português no aeroporto, que é coveiro em Nova Iorque, que me deu todas as informações necessárias", explicou.

Visivelmente abatida, Amélia Castro foi dura nas palavras amargas que proferiu à chegada sobre o assassino confesso do seu irmão: "O Renato aproveitou-se do Carlos para se lançar na moda. Sempre me pareceu um rapaz frio e introvertido. Não tenho palavras para ele", disse, acrescentando de seguida: "O Carlos era uma pessoa muito feliz em Nova Iorque".

À espera dos familiares e do amigo do cronista estava Vanda, ex-mulher de Luís Pires, jornalista – a amiga de Carlos Castro que, juntamente com a filha, o esperavam no hall do hotel quando Renato apareceu e lhes disse: "O Carlos não sai mais daqui". É em casa de Vanda que vão ficar uma semana.

Fernanda, Amélia e Cláudio seguiram depois para a polícia. As autoridades querem ouvir o maior número de pessoas possível da parte de Carlos Castro e de Renato para melhor entenderem a relação entre ambos.

RENATO ESTÁ NA ALA PRISIONAL

Renato foi transferido da ala psiquiátrica para a área prisional do Hospital Bellevue, sob a custódia da polícia. O hospital tem uma unidade especializada para que prisioneiros possam ser observados pelos médicos. Renato foi directamente transferido dos cuidados médicos regulares para essa unidade, explicou ao CM Steven Bohlen, das relações públicas do hospital.

PAI ENFERMEIRO MUITO AFECTADO

Apesar da distância com o filho Renato, Joaquim Seabra ficou "muito afectado psicologicamente" com a notícia do envolvimento do filho na morte de Castro Castro, referiu ao CM um familiar. O enfermeiro, separado da mãe do modelo, vive em Vila Real de Santo António, no Algarve, e trabalha no Serviço de Urgência Básica. Também está ligado à política local. Viajou ontem para Nova Iorque, com a actual mulher, para apoiar o filho.

O modelo costumava ir passar férias com o pai, no Verão, mas nos últimos anos as visitas começaram a ser poucas. "Depois de se meter no mundo da moda deixou de vir ver o pai", referiu a familiar.

ORDEM PARA NÃO DAR INFORMAÇÕES

A secção consular de Portugal em Nova Iorque "tem instruções superiores para não divulgar qualquer informação" sobre o caso do homicídio de Carlos Castro. "Não podemos dar qualquer informação aos meios de comunicação. Temos ordens superiores para não o fazer", disse fonte do consulado, acrescentando que tais ordens "não provêm da embaixada".

"DEMOS BEIJOS E TROCÁMOS CARÍCIAS"

Renato Seabra e uma aluna de Enfermagem em Coimbra, Isa Costa, "mantinham uma relação amorosa", revelou ontem ao CM José Malta, cunhado do manequim. "Eu não a conheço pessoalmente, mas sei que saía frequentemente com ele e com os amigos para irem ao cinema ou à discoteca".

"Os amigos garantem que havia uma relação amorosa, nitidamente",
adiantou o familiar do autor confesso da morte de Carlos Castro. No entanto, apesar da relação, que assumiu maior intensidade há dois meses, José Malta garante que, "antes do Natal", Renato Seabra passou algum tempo na praia de Mira com outra amiga de Coimbra.

Isa Costa, de 20 anos, desmente um "namoro oficial" com o jovem manequim, um ano mais velho, adiantando que eram apenas "amigos especiais", que andavam a sair juntos desde Novembro. "Demos alguns beijos, houve carícias. Ele não era homossexual", diz a estudante, que esteve pela última vez com o manequim, que conheceu pela internet há um ano, a 23 de Dezembro.

APONTAMENTOS

COFRE ABERTO

Filomena Cardinali, amiga de Carlos Castro, garante que não desapareceu nada de casa do cronista, ao contrário do que afirmou Hernâni Carvalho, na SIC. O jornalista disse que o cofre foi aberto e esvaziado.

CONTRATO

Cláudio Montez não acredita que Renato se tenha querido aproveitar de Castro, pois o modelo tinha um contrato de exclusividade por dois anos com a agência de Fátima Lopes e, como tal, não podia trabalhar para outros.

ELOGIOS

Carlos Castro fazia rasgados elogios a Renato. "Ainda na última gala que houve no São Luiz, em Lisboa, o Carlos disse que finalmente tinha uma pessoa que não lhe pedia dinheiro", lembra Cláudio Montez.

NOTAS

TONY CASTRO: CRÍTICA

O ex-procurador de Justiça do Bronx, Nova Iorque, o advogado português Tony Castro, criticou ontem a falta de assistência jurídica prestada a Renato Seabra, acusado de homicídio.

SUICÍDIO: HIPÓTESE DESCARTADA

A polícia norte-americana afasta a hipótese de Renato ter tentado suicidar-se. Fonte policial refere que o modelo foi assistido no hospital com ferimentos na cabeça causados por uma luta.

PORTUGAL: CASTRAÇÃO

Em Portugal não se registou qualquer caso de homicídio associado a castração nos últimos 20 anos, revelou Duarte Nuno Vieira, presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal.

12-01-2011

http://www.vidas.xl.pt/noticia.aspx?channelId=83c1118f-0a09-426d-88d0-7a0980df951a&contentId=ec462553-2d33-4ead-be3a-4a01d043a810

NEVÃO ADIA CREMAÇÃO DE CARLOS CASTRO


Familía agenda conferência de imprensa

Nevão adia cremação de Carlos Castro

A cremação de Carlos Castro, inicialmente prevista para esta quarta-feira, foi adiada por um dia. A cerimónia terá lugar na Bergen Funeral Services, uma casa funerária situada no condado de Bergen, Nova Jérsia, segundo adiantou à agência Lusa Luís Pires, jornalista amigo do cronista.

De acordo com a mesma fonte, dificuldades relacionadas com o nevão que se abateu nas últimas horas sobre Nova Iorque impossibilitaram que a cremação tivesse lugar hoje.

A família de Castro realiza esta quarta-feira, pelas 18h00 (23h00 em Lisboa), uma conferência de imprensa em Newark, Nova Jérsia.

O reconhecimento do corpo de Castro, assassinado na sexta-feira, foi feito na terça-feira por duas irmãs do colunista social, no centro de medicina legal de Nova Iorque.

Compete agora à funerária tratar das cerimónias, de acordo com a pretensão da família de que as cinzas de Castro sejam lançadas algures na cidade, conforme era seu desejo.

De acordo com Luís Pires, ainda não está definido onde serão espalhadas as cinzas, mas uma das hipóteses mais fortes é o rio Hudson, fronteira fluvial entre Nova Jérsia e a ilha de Manhattan, Nova Iorque.

A vontade manifestada por Castro era que as cinzas fossem espalhadas na praça mais famosa de Nova Iorque, Times Square, mas a família já terá sido informada da inviabilidade legal deste desejo do cronista.

Entretanto, alguns amigos de Carlos Castro já marcaram para o dia 7 Fevereiro uma missa em nome do colunista social na cidade de Elizabeth, Nova Jérsia.

Castro, de 65 anos de idade, foi morto na sexta-feira no Hotel Intercontinental, próximo de Times Square. A polícia acusou deste crime o jovem modelo português Renato Seabra, que se encontra em detenção no Hospital Bellevue, de onde só poderá sair com alta médica.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/actualidade/nevao-adia-cremacao-de-carlos-castro

RENATO ESTEVE NO "SALVE-SE QUEM PUDER"


Concurso da SIC

O modelo Renato Seabra, de 21 anos, autor confesso da morte do jornalista Carlos Castro num quarto de hotel em Nova Iorque (EUA), participou noutro programa televisivo antes do 'À Procura do Sonho', da SIC, que o tornou famoso no mundo da moda no Verão de 2010.

Na verdade, o jovem de Cantanhede participou no programa 'Salve-se Quem Puder', emitido em 24 de Junho de 2009 pela estação de Carnaxide, apresentando-se como capitão da equipa 'Fãs da Banheira'.

Em caso de vitória no concurso apresentado por Marco Horácio e Diana Chaves, Renato Seabra "seria capaz de ir comemorar para uma ilha deserta na companhia de um peluche", garantiu o locutor de 'Salve-se Quem Puder'.


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/renato-seabra-esteve-no-salve-se-quem-puder

Tuesday, 11 January 2011

PSICÓLOGO FALA SOBRE O COMPORTAMENTO SEXUAL DE RENATO

O assassinato de Carlos Castro

"Ter comportamento sexual oposto à orientação é violento"

Sempre que de uma relação homossexual resulta um acto de violência, citam-se logo estudos atestando que os casais homossexuais têm comportamentos mais violentos do que os heterossexuais. Se a violência atinge uma escalada tal que culmina em homicídio, especula-se imediatamente sobre a possibilidade de quem matou poder ter estado sob efeito de psicotrópicos ou outras substâncias capazes de alterar o sistema nervoso. Na falta de factos concretos, estes dois exemplos têm sido aventados como hipóteses possíveis para explicar a violência que o manequim de 21 anos Renato Seabra terá infligido ao colunista Carlos Castro, daí resultando a sua morte e mutilação.

Em abstracto e em termos académicos, o psicólogo forense Carlos Poiares, questionado pelo JN sobre as causas possíveis para um distúrbio, acrescenta variáveis que poderão ser determinantes para compreender um crime com estas características. "Um indivíduo pode aceitar ter um comportamento sexual contrário à sua orientação, mas isso é muito violento e origina um acumular de tensão perigosa, que pode rebentar a qualquer momento", explica. "É como estar enjaulado, desconforto que ninguém gosta de sentir. Sobretudo se for com alguém que afectivamente nada lhe diz." O manequim, recorde-se, terá confessado na noite do crime que não era homossexual e que a relação estabelecida com o colunista visava apenas cumprir uma ambição profissional.

Daí que Carlos Poiares sublinhe a importância de conhecer a natureza da relação, sobretudo para entender em que residia "o epicentro do poder e por quem era exercido". Neste caso, o poder não se mede, por exemplo, pela força física, mas "pela capacidade de fazer com que o outro acedesse a meios que sozinho não conseguiria". É importante perceber "se era uma relação mercantilista ou afectiva". O psicólogo alerta para a necessidade de reflectir sobre "a civilização big brother, em que os jovens acreditam que compensa contrariarem--se para atingir certos fins."

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