Saturday, 15 January 2011

MANIFESTAÇÃO CONTRA A HOMOFOBIA EM VISEU

Sociedade
A manifestação contra a homofobia realizada hoje à tarde em Viseu foi marcada por insultos aos manifestantes. Segundo a organização, participaram 300 pessoas, mas a PSP considera terem sido metade.

A moção aprovada exige "medidas concretas do Governo português para erradicar a homofobia e a discriminação da sociedade portuguesa"

"Eu amo quem quiser, seja homem ou mulher" e "Direitos iguais, nem menos nem mais" foram algumas frases entoadas pelos participantes da manifestação "Stop homofobia", promovida por 14 associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Mas muitos foram aqueles que se deslocaram ao Rossio apenas para assistir à iniciativa, colocando-se nas extremidades daquela praça, sendo que alguns manifestaram o seu descontentamento com frases como "Isto é uma vergonha" ou "Havia de ser no tempo de Salazar".

António Serzedelo, da associação Opus Gay, envolveu-se mesmo numa troca de palavras com um idoso, que, depois de escutar a entrevista que aquele dava aos jornalistas, o abordou exaltado, perguntando-lhe se tinha filhos. Perante uma resposta negativa, o idoso disse: "Graças a Deus, já viu a miséria que lhes transmitia?".

A conversa alongou-se, com várias considerações sobre o seu aspecto e o facto de, na sua opinião, ser "antinatural" dois homens quererem adoptar filhos.

Mas os insultos vieram também dos mais jovens, nomeadamente de um grupo de três que passando e vendo a concentração teceu comentários que mereceram uma vaia dos manifestantes.

Paulo Vieira, do Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, afirmou aos jornalistas que previa que ocorressem "reacções menos positivas", mas realçou igualmente "a coragem dos homossexuais presentes" e a participação "das famílias que tentavam perceber o que se estava a passar".

Fernando Ruas esteve presente

A organização congratulou-se ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, que esteve no Rossio acompanhado pelo vereador Cunha Lemos e pelo comandante da Polícia Municipal. Na altura, disse defender que "ninguém pode ser discriminado pela sua orientação sexual".

Por outro lado, o autarca social-democrata referiu aos jornalistas sentir-se desagradado com "alguns adjectivos que quiseram colocar à cidade e ao concelho", dando-lhe a conotação de "capital da homofobia".

Em Viseu, "todos os cidadãos vivem com tolerância, à vontade, sem discriminação. Não nos vão sujar a imagem, não deixamos", frisou.

Fernando Ruas não gostou que a organização tivesse anunciado ao microfone os partidos que estavam representados na concentração - nomeadamente BE, PCP e PS (JS) -, dando a ideia que os ausentes "são homofobos", e considerou que esta devia ser uma iniciativa de sociedade civil. Entre os presentes encontravam-se também o advogado Adelino Granja e os deputados da Assembleia da República Teixeira Lopes (BE) e Miguel Ginestal (PS).

Um dos momentos mais marcantes da tarde foi quando Pedro Russo, o jovem de 30 anos que se queixou na PSP de Viseu de andar a ser perseguido e que gerou o movimento que originou a manifestação de hoje, pegou no microfone e contou a sua experiência.

"Fui perseguido, tive uma pistola apontada à cabeça"

"Fui perseguido, tive uma pistola apontada à cabeça. Sofri muito, mas estou aqui e ninguém me deita abaixo. Até hoje nunca dei a cara, hoje faço-o sem qualquer tipo de preconceito e não me importo que amanhã me apontem o dedo", afirmou, levando os presentes a gritar "não estás só".

Um casal "gay" de turistas holandeses exibiu para as câmaras de televisão as suas alianças, considerando os episódios de alegadas agressões em Viseu "ridículos" e "vergonhosos".

Já Sérgio Vitorino, da Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia, referiu que este é "um problema nacional", sendo que "o que é novidade é ter havido em Viseu um punhado de gente que não se calou" perante as perseguições, porque, salienta, "normalmente impera o silêncio".

Na mesma ocasião, foi ainda aprovada por unanimidade e entregue em mãos ao representante do Governo Civil de Viseu, Alcídio Faustino, uma moção onde são exigidas "medidas concretas do Governo português para erradicar a homofobia e a discriminação da sociedade portuguesa".

http://www.publico.pt/Sociedade/manifestacao-contra-a-homofobia-marcada-por-insultos_1223316?all=1

PRIMEIRO CASAMENTO GAY EM VISEU

Outrora conhecida como 'capital da homofobia', a cidade recebeu bem o primeiro matrimónio entre pessoas do mesmo sexo

Cinco anos depois das agressões aos homossexuais e da realização de uma manifestação na cidade contra a homofobia, Viseu, apelidada de "capital da homofobia", recebeu sem sobressalto o primeiro casamento gay. Uma tolerância bem aceite pelas associações que há cinco anos lideraram a manifestação. Mas há quem alerte que a falta de polémica apenas se deveu ao recato da cerimónia.

António, de 50 anos, e Pedro, de 35, casaram-se ontem à tarde, num espaço de Viseu. A cerimó-nia foi celebrada por uma das conservadoras da cidade e não fo- ram autorizadas fotografias. O matrimónio, numa cidade onde ainda há um ano o bispo da diocese vociferava contra o casamento gay, foi bem recebido. "A realização do primeiro casamento homossexual numa cidade conservadora mostra que Viseu está mais tolerante e que, também aqui, se cumpre a Constituição que assegura que ninguém pode ser perseguido pelas suas orientações sexuais", afirma Carlos Vieira, da Associação Olho Vivo, que na cidade tem liderado a luta contra a homofobia.

Mais cautelosa, Carla Mendes, a advogada que defendeu Pedro Russo, um dos jovens perseguidos devido à homofobia na cidade, sustenta que, "se não houve problemas, isso não quer dizer que a cidade esteja menos conservadora. Talvez o casamento tenha decorrido de forma recatada e isso tenha contribuído para não acirrar os ânimos". Ainda assim, a advogada reconhece a existência de "uma postura mais aberta na cidade". Viseu ocupou as manchetes dos jornais em 2005 quando um grupo de pessoas ameaçou, sequestrou e torturou homossexuais durante meses

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/Interior.aspx?content_id=1732986&seccao=Centro

CARLOS CASTRO CONTRA CASAMENTO GAY


Em entrevista ao Correio da Manhã, Carlos Castro é claro a expressar a sua opinião sobre casamento e adopção por pessoas do mesmo sexo.

Em relação à adopção Carlos Castro vê como um mal menor: "Neste mundo cruel onde pais violam os filhos, é capaz dois homens ou mulheres tratarem melhor de uma criança. Há uma pedofilia enorme nas famílias."

Em relação ao casamento civil (ou religioso), é de opinião diferente, defendo que "não aceito a história de um homossexual, homem ou mulher, que case com grinalda, flores" e mais à frente afirma mesmo que "entre homossexuais, casamentos, igrejas, isso é uma treta. Devia ser união de facto."

A entrevista foi dada por ocasião dos seus 60 anos de idade e do lançamento do livro ‘Solidão Povoada’.

Sábado, 2 Junho 2007

http://casamentocivil.org/casamentocivil/news.asp?uid=020607B

CARLOS CASTRO: O JORNALISTA

ENTREVISTA A CARLOS CASTRO EM 2007

http://downloads.sol.pt/pdf/carlos_castro.pdf