Wednesday, 19 January 2011

RENATO USAVA FOTOS DE TELEMÓVEL PARA JUSTIFICAR TRANSFERÊNCIAS DE CARLOS CASTRO


Castro transferiu duas quantias para a conta do manequim. Fátima Lopes não acredita que fotos mostradas por Renato sejam de uma campanha

Renato Seabra confessou ter assassinado Carlos Castro no quarto do Intercontinental, em Nova Iorque

Renato Seabra mostrava fotos suas, gravadas no telemóvel e no computador, para justificar perante a família as duas quantias transferidas da conta de Carlos Castro para a sua - a mais alta no valor de 1100 euros. José Malta, cunhado do manequim, conta ao i que quando Renato voltava de viagem era comum "abrir o computador ou o telemóvel para mostrar à família fotos dos trabalhos que tinha feito".

Numa das fotografias, Renato Seabra aparece numa praia vestido com boxers da Marvel. O manequim disse à família ter sido tirada no contexto de "um casting para promover boxers e fatos de banho" da marca. Noutra ocasião, Renato mostrou no seu telemóvel fotos suas tiradas em lojas de Londres. "Contou que tinha desfilado roupas Diesel, Calvin Klein e outras marcas em lojas de Londres e mostrou-nos as fotos no telemóvel", recorda o cunhado, acrescentando que "dessa vez o pagamento foi feito em géneros, com roupa".

Depois de ver o retrato que o manequim contou ter sido tirado numa produção fotográfica para a Marvel - publicado esta semana no semanário "Sol" - a estilista Fátima Lopes não teve dúvidas de que "aquela foto não pode ter sido tirada para uma campanha publicitária": "A minha experiência profissional diz- -me que aquilo não é fotografia de uma produção de moda. É uma fotografia de praia feita por um amador."

A proprietária da Facemodels - que representa Renato Seabra desde a sua participação no programa "À Procura de Um Sonho" - esclarece ainda que nem aquelas fotografias, nem qualquer das quantias pagas por Carlos Castro, podiam resultar de um casting. "Os castings não são feitos em praias. São feitos, de forma profissional, no escritório da agência ou do cliente. Além do mais, nunca são pagos", explica a estilista.

Fátima Lopes questiona ainda onde estarão os recibos e os contratos , já que "na moda tudo tem de ser escrito". José Malta, marido da irmã de Renato, Joana Seabra, admite nunca ter visto "qualquer recibo ou documento".

A vontade de vingar no mundo da moda tem sido apontada como uma das razões prováveis da ligação do manequim a Carlos Castro, mas a estilista nunca reconheceu esse desejo de ser modelo no jovem de Cantanhede. "Entrou para a agência em Setembro e foram mais os castings em que não apareceu que aqueles em que apareceu", conta Fátima Lopes. Sempre que há um casting, a agência envia um sms e telefona depois aos agenciados para confirmar que vão comparecer. Renato Seabra participou no casting para o Portugal Fashion e em mais dois ou três - nunca foi seleccionado. De todas as outras vezes recusou, quase sempre com a justificação de "viver longe". "O Renato já nem aparecia na agência, por isso as notícias surpreenderam-me, a mim e a todos os colegas da Facemodels", lembra a criadora de moda. Fátima Lopes admite que a desilusão por não ter sido seleccionado nos castings pela agência pode ter levado Renato Seabra a "tentar outra via".

A timidez e a falta de confiança do participante no programa da SIC justificavam a não selecção nos castings. "O Renato não era manequim. Era um jovem saído de um concurso. Tinha corpo e altura, era bonito, mas ainda não estava preparado para ser modelo - faltava-lhe ser extrovertido, ter confiança e acting", justifica a estilista. Além da falta de experiência e de confiança, faltava a Renato Seabra "o elemento essencial no campo da moda": um book.

Se ser seleccionado nestas condições para publicidade, desfiles ou produções de moda já era difícil em Portugal, noutros países seria "quase impossível". "Ninguém sem um book vai bater à porta de uma agência lá fora a dizer que quer ser modelo e é aceite", adianta Fátima Lopes. Caso o desejo de Renato Seabra fosse trabalhar no estrangeiro, o mais indicado seria expressá-lo à agência que o representava. "A partir daí mandávamos fotos dele para outras agências para ver se alguma teria interesse em representá-lo", explica a estilista.

Fátima Lopes garante que Castro nunca lhe falou de Renato Seabra. Viram-se a última vez no jantar de aniversário do cronista, a 5 de Outubro - dia em que Renato Seabra aceitou o pedido de amizade de Castro no Facebook - e falaram pela última vez ao telefone e por sms no dia de Natal. Em nenhum desses momentos, o cronista lhe disse que estaria a ajudar o jovem ou terá sequer mencionado o seu nome.

As fotografias de Renato Seabra ainda constam no catálogo do site da Facemodels e, para já, ali vão continuar. A estilista admite manter as fotos no site da agência "até se perceber o que realmente aconteceu, durante o julgamento".

por Sílvia Caneco, Publicado em 19 de Janeiro de 2011

http://www.ionline.pt/conteudo/99276-renato-usava-fotos-do-telemovel-justificar-transferencias-


FAMÍLIA DE RENATO SEM DINHEIRO PARA A DEFESA


Família de Renato Seabra sem dinheiro para defesa

A família de Renato Seabra, o autor confesso da morte de Carlos Castro, está a estudar formas de financiamento para a defesa do manequim. Uma delas poderá ser a abertura de uma conta especial de solidariedade, medida sugerida por um grupo de amigos.

19-01-2011

http://www.vidas.pt/noticia.aspx?channelid=83C1118F-0A09-426D-88D0-7A0980DF951A&contentid=9CB24125-BF59-4590-8FEE-321796344614

Sunday, 16 January 2011

PRISÃO PERPÉTUA NÃO IMPEDE TRANSFERÊNCIA DE RENATO PARA PORTUGAL

A cada ano, o país lida com cerca de 200 processos. Uns num sentido, outros noutro

Mesmo que seja condenado a prisão perpétua pela morte do cronista Carlos Castro, o modelo Renato Seabra poderá vir a cumprir pena em Portugal. O país já recebeu portugueses a quem os Estados Unidos ditaram tal sentença, reduzindo-a para 20 e poucos anos.

A Convenção sobre Transferência de Pessoas Condenadas é uma das mais bem-sucedidas do Conselho da Europa – conta com cerca de cinco dezenas de subscritores. Em Portugal, vigora desde 1993. A cada ano, o país lida com cerca de 200 processos. Uns num sentido, outros noutro.

No final do terceiro trimestre de 2010, havia 2383 estrangeiros a cumprir pena em Portugal - o que equivale a 20,6 por cento da população prisional. Oriundos de Cabo Verde (725) do Brasil (309), da Guiné-Bissau (218), de Angola (202), de Espanha (152), da Roménia (119), sobretudo.

Na mesma altura, havia 2432 reclusos portugueses que tinham procurado as autoridades portuguesas no estrangeiro. Presos em França (639), no Reino Unido (372), em Espanha (291), nos EUA (251), no Luxemburgo (190), no Brasil (209), na Venezuela (41), sobretudo.

Todos os processos passam pela Procuradoria-Geral da República (PGR) - que, por via da convenção, assume a qualidade de autoridade central. A procuradora que com eles lida nota que a maior parte dos pedidos para vir chega de países de emigrantes (França, Luxemburgo, Suíça, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos). E que a maior parte dos pedidos para ir chega da vizinhança (Espanha) ou de países de imigrantes (Brasil, sobretudo).

Há mais estrangeiros a querer sair do que portugueses a querer voltar. O regime de cumprimento de penas pode ser mais favorável. Por exemplo, em Portugal é obrigatório cumprir metade da pena; no Brasil, ao fim de um terço, pode sair-se em liberdade condicional.

A transferência, explica, assenta no princípio da reinserção social do condenado. Presume-se que a reinserção é mais efectiva onde há família ou emprego. Admite-se, por isso, transferir até não nacionais. A magistrada recorda o caso de um português residente no Canadá que cometeu um crime em Portugal e a quem o Canadá aceitou aplicar a pena.

Conjugam-se vontades. O processo não anda sem o condenado manifestar, de forma explícita, tal vontade. O Estado que o condenou tem de aceitar. Tal como o Estado ao qual pede para aplicar a pena.

No quadro da transferência de condenados, uma sentença estrangeira só se pode executar depois de revista e confirmada por um tribunal superior nacional. "Se a natureza ou a duração da sanção forem incompatíveis, o Estado da execução pode adaptá-la à pena ou medida previstas na sua própria lei para infracções da mesma natureza", concede a convenção. "Esta pena ou medida corresponderá, tanto quanto possível, à imposta pela condenação a executar. Ela não pode agravar, pela sua natureza ou duração, a sanção imposta no Estado da condenação, nem exceder o máximo previsto pela lei do Estado da execução."

Há muito quem afiance que uma condenação a prisão perpétua é um impeditivo para uma transferência para Portugal, com a pena máxima fixada nos 25 anos. A experiência, porém, desmente essa interpretação. Nada proíbe uma redução da pena, sublinha a procuradora. Ocorre-lhe o caso de um português condenado: o Tribunal da Relação converteu a perpétua a vinte e poucos anos e os Estados Unidos disseram que não; decorridos dois ou três anos, perante o bom comportamento do recluso, mudaram de ideias e aceitaram a transferência.

O processo pode arrastar-se anos, refere o advogado Carlos do Paulo, que representa Maria Virgínia, uma das três mulheres apanhadas na Venezuela prestes a embarcar num avião com 387 quilos de cocaína. A transferência dela foi pedida em 2007 e concretizada em 2010, quando já tinha cumprido dois terços da pena.

Entre signatários da convenção, os procedimentos podem ser meramente administrativos. Há, porém, países que ficam muito mais predispostos a colaborar, quando se usam canais diplomáticos, como é o caso da Venezuela. A procuradora bem vê que tudo isso "gera morosidade".

O recluso pode desencadear o processo no tribunal que o julgou ou na autoridade central do país de acolhimento ou de origem. Se for lá, o pedido é apreciado pela PGR e pelo Ministério da Justiça (MJ) e é remetido para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), que comunica com o outro Estado, via consulados. Dali segue para o MJ e para a PGR. O Tribunal da Relação tem de rever, confirmar e declarar a sentença executória antes de o processo iniciar o caminho de volta.Não é só o número de entidades envolvidas a empatar a transferência do recluso. Nos processos que envolvem a América Latina, por exemplo, é preciso recorrer aos serviços de um tradutor legalizado.

Não há um prazo para a resposta ou qualquer obrigação das partes aprovarem um pedido mediante determinados requisitos. Nenhum Estado é obrigado a aceitar presos. Os Países Baixos, por exemplo, só aceitam a transferência de um nacional condenado uma vez, não uma segunda.

16.01.2011 - 09:05 Por Ana Cristina Pereira

http://www.publico.pt/Sociedade/prisao-perpetua-nao-impede-transferencia-de-renato-seabra-para-portugal_1475493?all=1

A DIFERENÇA DE IDADES ENTRE CARLOS CASTRO E RENATO


Uma no coração, outra na cabeça

O homofóbico em nós

“Não sei se existia amor ou sequer atracção comum entre o manequim e Castro, ou se estes aconteciam apenas num único sentido”

O macabro assassinato de Carlos Castro em Nova Iorque ajuda a revelar a pior homofobia escondida, ou nem por isso, em considerável parte da sociedade portuguesa. Começa-se a falar no "modo de vida da paneleiragem" (o uso deste termo não pretende ser chocante, nem o emprego de forma gratuita, é tão somente a palavra que as pessoas utilizam) e confunde-se tudo, acabando a falar-se em "vícios" e "castigo", e dessa forma roçando o mais arcaico e intolerante sectarismo de pendor religioso.

Não sendo totalmente livre de preconceitos, aquilo que me faz confusão na exposta relação amorosa entre o cronista social e Renato Seabra é a diferença de idade e não o facto de partilharem o mesmo género sexual. Se é verdade que de uma maneira geral acredito que o amor, de paixão e carnal, pode e deve acontecer entre pessoas, ponto final – não sem antes abrir parêntesis com uma ressalva para casos de laços familiares directos – não é menos verdade que um intervalo de idade tão grande como aquele que separava homicida e vítima me deixa algo desconfortável.

Certo, certinho é que o mesmo me aconteceria se se tratasse quer de um jovem com uma mulher daquela idade ou uma rapariga com um homem. Penso sempre que haverá qualquer coisa ali que não bate muito bem. Não sei se existia amor ou sequer atracção comum entre o manequim e Castro, ou se estes aconteciam apenas num único sentido. Claro que tal como toda a gente terei a minha "teoria" em relação ao que se passava, mas não tenho pretensões a cronista social, ou pelo menos àquilo que hoje em dia se entende por tal.

Todos os anos acontecem em Portugal mortes de carácter passional, já que a violência doméstica continua a ser uma dura realidade, não só neste país como no resto do Mundo. São cometidos crimes de natureza violenta e excessiva, que nunca terão a repercussão que este teve, e estou em crer que o facto de se tratar de uma relação amorosa entre dois homens ajuda e muito a que tal aconteça. É pena é que o faça de forma negativa.

Estamos em 2011, e cada vez somos mais inteligentes, mais informados e mais tolerantes do que alguma vez o fomos. Ou pelo menos fazemos questão de dizer que sim, tentando acreditar nisso. Bom domingo, minha gente.

Por:Pac, Músico (umanocoracaooutranacabeca@gmail.com)

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/o-homofobico-em-nos