Friday, 21 January 2011

AS VIAGENS DE RENATO COM CARLOS CASTRO


A pretexto de castings e desfiles que Carlos Castro arranjou a Renato Seabra, o jovem passou a fazer pequenas viagens para Lisboa e para o estrangeiro. Os pagamentos dos trabalhos que nunca foram superiores a 1100 euros, entraram na conta de Renato por cheque ou transferências bancárias da conta do cronista.


«Ele sempre nos falou desses pagamentos e há mesmo fotos dele num casting para promover boxers da Marvel. Ele sabia que a vida de modelo é temporário e estava a apostar», explica Joana Seabra, irmã do jovem..

Nova Iorque seria a grande oportunidade

Veio o Natal e Castro, que sempre quis estar nas boas graças da mãe do jovem, ligou a Odília para desejar Boas Festas. A seguir, partiriam para Nova Iorque - a primeira grande viagem que faziam juntos. Antes, já tinham passado fins-de-semana - em meados de Novembro em Londres, e no início de Dezembro, em Madrid. «Sei que em Londres foram ver o Fantasma da Ópera, que o Carlos já tinha visto dezenas de vezes, mas o Renato queria ver. O Carlos não era rico, queria apenas proporcionar-lhe prazer e as coisas boas da vida», assegura Eládio.

Para Joana, a ida a Nova Iorque era mais uma oportunidade para o irmão: «Era suposto passarem o ano com uns amigos do senhor Castro e ficarem mais uma semana, para ele o apresentar a algumas agências». Tinham regresso marcado para 15 de Janeiro (a tempo de Renato cumprir as suas obrigações na campanha presidencial de Cavaco Silva, da qual é mandatário da juventude em Cantanhede).

Os amigos contam que Carlos Castro, um habitué de Nova Iorque, desta vez pouco esteve com eles, evitando-os. Mas, nas mensagens que enviou aos amigos dizia-se sempre muito apaixonado, assegurando que estava tudo a correr bem. Com Renato, foi ver a equipa dos Nicks numa partida de basquetebol, o musical Spider-Man e o filme O cisne negro. «Ele disse-me que também andavam a fazer muitas compras. Pareceu-me estar muito bem, muito entretido e feliz. Por isso, não insisti para nos encontrarmos, como era habitual», confessa um dos amigos de Castro em Nova Iorque.

Já Loris Diran, designer de moda na cidade norte-americana, estranhou quando soube que o amigo de há mais de dez anos estava lá e não o contactara. «Era um homem simples, nada glamouroso. Via-o como um senhor simpático, mais velho, que gostava muito de ir a cabarets e a clubes gay», recorda. «Mas sempre senti que ele ficava deslocado. Junto dos homossexuais americanos, sempre muito atléticos, ele era muito diferente. E parecia sentir-se estranho naqueles ambientes, até porque ali ninguém o conhecia e ele falava mal inglês. Mesmo assim gostava de estar ali, daquela cultura gay».

O designer estranha ainda mais o facto de Carlos ter ido jantar ao Polino s - um restaurante muito na moda em Nova Iorque e onde terá ocorrido a primeira de várias discussões com Renato - e nem lhe ter ligado nessa altura. «Esse restaurante fica mesmo ao pé da minha loja. Algo ali correu muito mal», assevera. «Mas isto acontece muito no mundo da moda: uma pessoa mais velha que de algum modo tem poder e troca-o por beleza. São casos que nunca terminam bem».

Carlos Castro, de facto, sentia-se atraído por homens mais novos. E por vezes só os alcançava pagando. Algumas testemunhas do processo Casa Pia conheceram-no adolescentes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, por onde costumava deambular.

Na véspera do ano novo, Renato passou o dia no computador, a enviar mensagens pelo Facebook, dizendo-se ansioso por voltar a Portugal. Às 23h57, tem a atenção em Catarina Sousa: «Olá!! Tudo bem? Quando é que marcamos outra noite de dança todos juntos outra vez? Desejo-te boas entradas. Beijinhos». E no primeiro dia de 2011 acorda cedo e retoma a conversa com ela às dez da manhã: «És muito fotogénica nas fotos!! Olha, pedi o teu número de telemóvel às tuas amigas. Mas diz-me tu, para confirmar».

(versão alterada)

16 de Janeiro, 2011Por Felícia Cabrita com Raquel Carrilho

felicia.cabrita@sol.pt com raquel.carrilho@sol.pt


ENTREVISTA COM A MÃE DE RENATO


Renato Seabra: 'Mãe, preciso muito de ti'

Odília Pereirinha caminha como um sonâmbulo, como se a qualquer passo pudesse cair na realidade, que evita. Sabe que perdeu o filho, Renato Seabra - ou melhor, que o filho se perdeu dele próprio e nunca voltará a ser o mesmo.

Em entrevista ao SOL, a enfermeira, de 53 anos, recorda a rápida sucessão de acontecimentos dos últimos meses. Quando saiu de Portugal na companhia de Carlos Castro, Renato ia embalado pela convicção de que em Nova Iorque realizaria o seu sonho na moda. Algo que começou por não agradar a Odília, que cresceu numa família humilde e se habituou a lidar com a vida sem ilusões. Também muito jovem tropeçou no seu sonho e fez tudo para o cumprir: chegou a enfermeira e especializou-se em obstetrícia. Já trouxe mais de três centenas de crianças ao mundo e agora não sabe qual a sorte da sua. No dia 1 de Fevereiro, Renato Freitas será presente ao Supremo Tribunal de Manhattan. Depois, os jurados decidirão entre a pena perpétua ou uma menos pesada.

Ao longo da conversa, por vezes cala-se. Defende-se, tentando cumprir a ordem do advogado americano, de silêncio na comunicação social. Mas conta os telefonemas do filho, o pedido de ajuda que este lhe fez antes da morte de Carlos Castro e como até já lhe tinha marcado viagem de regresso a Portugal, para esse mesmo dia.

Para pagar a defesa do filho, Odília vai desfazer-se do pouco que conseguiu conquistar: a casa, o carro, o que houver. Não lê jornais, muito menos vê televisão, para evitar regressar ao dia em que a notícia de que Renato era o autor do homicídio de Carlos Castro pintou a negro os seus dias.

Como reagiu o Renato quando a viu?

Abraçou-se a mim e só dizia: «Mãe, preciso muito de ti, preciso muito de ti». Repetiu isso várias vezes. Está em choque, não tem um discurso coerente, tem paragens. Está pálido, muito magrinho, parece um mendigo.

Perguntou-lhe o que se passou?

Não. Se quisesse falar, ele falava. Eu apenas o abracei muito. Ele precisava de sentir que a mãe, que sempre lhe deu tanto amor, carinho e segurança, estava ali com ele.

Estava ferido?

Tem uns ferimentos profundos nos pulsos. Não foi cosido mas tem o tecido morto à volta dos golpes, devido ao tempo que esteve sem assistência.

Tentou suicidar-se?

Não sei, ele não me disse.

Como é o hospital?

O Renato está numa cadeia dentro do hospital. É horrível, é de uma desumanização atroz. No dia 10, fui lá acompanhada pelo advogado e por um amigo, mas só deixaram entrar o advogado porque a visita dos familiares tem dias determinados. Inclusivamente, na primeira vez, fui ao terminal dos utentes e não aparecia o nome do Renato. Cheguei a Nova Iorque no dia 8. O cônsul, António Pinheiro, recebeu-me na segunda-feira de manhã, mas não me deu a ajuda de que precisava, que era porem-me em contacto com o meu filho e levarem-me ao hospital. A preocupação dele era o que é que eu ia dizer à imprensa, que estava à porta. Ora, uma pessoa que fala mal inglês e não conhece rigorosamente nada em Nova Iorque, como eu, precisava de outra ajuda. Foram horas de muito sofrimento. Não há palavras. Estou a viver um pesadelo, assustador.

Contactou a Polícia?

Não, os meus amigos já tinham feito diligências para encontrar um advogado e foi ele que me pôs em contacto com o Renato.

Por que voltou logo para Portugal?

Tenho de voltar a trabalhar. E vou ter de vender a casa e o carro, para ter recursos financeiros para salvar o meu filho. As quantias são exorbitantes e os prazos são curtos.

Em pequeno, o que é que o Renato queria ser?

Ele desde sempre gostou de desporto. É um atleta: pratica basquete, andebol, futebol, natação, ténis, voleibol. Quando fez o 12.º ano, eu queria muito que ele fizesse antes ciências farmacêuticas, mas ele dizia que, para estar feliz, tinha de estar ligado ao desporto e daí ter tirado ciências do desporto. Tinha laços de grande afectividade e amor com a família - não do pai, porque o pai foi para o Algarve e abandonou-o com cinco anos, estava ele na segunda classe. Mas ele cresceu feliz porque sempre fui uma mãe muito presente, sempre fiz o possível e o impossível pelos meus filhos.

Como nasceu o desejo de ser modelo?

Penso que nasce do convite dos Esticadinhos, o grupo folclórico da terra, que uma vez por ano organizava desfiles com as casas comerciais de Cantanhede. Tanto as lojas, como o público e os colegas, achavam-no bonito e com aptidão para fazer passagens. Em Julho do ano passado, fiquei muito surpreendida quando ele me disse que se tinha inscrito no programa À procura de um sonho [da SIC, para encontrar jovens modelos]. Na altura, não gostei porque era um mundo que não me dizia nada, muito promíscuo. A 5 de Julho, contactaram-no para o casting e eu fui com ele ao Porto e a todas as eliminatórias. Quando vi aquela multidão de jovens, uns seis mil, nunca pensei que ele fosse seleccionado. Aquilo era stressante e ele vinha magro, mas via a felicidade estampada nos olhos dele. Aí, fiz as t-shirts e os cartazes, e dei-lhe todo o apoio que ele precisou até à final.

O Renato chegou a ir a castings da Fátima Lopes?

Sim, mas foram em vão. Chegava triste e desapontado a casa porque eram muitos jovens. Ele tinha noção de que seria muito difícil vencer no mundo da moda.

Leia a restante entrevista a Odília Pereirinha na edição em papel do SOL

21 de Janeiro, 2011Por Felícia Cabrita

felicia.cabrita@sol.pt

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=9725

LONDON "GAY" MASSES

Condom company advertises London’s diocesan-approved ‘gay Masses’ THIS IS NOT CATHOLIC

(LifeSiteNews.com) – One of the world’s leading condom manufacturers advertised a Catholic Mass offered in December by a group of homosexualist activists at a Catholic parish in London. The boost from the Durex company came as officials of the archdiocese of Westminster continue to maintain that the so-called Soho Masses for homosexuals are merely to help “welcome” persons with homosexual inclinations who want to live according to the Catholic Church’s sexual teachings.

On the company’s website, Durex, which manufactures about a quarter of the world’s condoms, invited customers to attend the “annual World AIDS Mass” on December 5th, hosted by the Soho Masses Pastoral Council (SMPC), a group that negotiated in 2007 with the archdiocese for the use of the parish of Our Lady of the Assumption in Soho.

“Masses, at which LGBT Catholics are particularly welcomed” are held at the historic parish twice a month, according to the SMPC website.

A group of Catholics who hold to the Church’s teaching regularly hold prayer vigils outside the parish and have asked for years that the archdiocese shut the “gay Masses” down. Daphne McLeod of the group Pro Eccleisae et Pontifice has told LSN that dossiers of information demonstrating the anti-Catholic intentions of the Mass organizers have been regularly sent to relevant dicasteries at the Vatican, to no avail.

Despite years of protests and letters, the Soho Masses appear to be completely accepted by the officials of the Westminster Archdiocese. A regular at the Masses is Mgr. Seamus O’Boyle, the Vicar General of the archdiocese of Westminster, who last celebrated Mass for the group on December 20, 2010. In a letter to protesters this summer, Archbishop Vincent Nichols said that O’Boyle had full responsibility for the Masses.

The Masses were an initiative of the former cardinal archbishop of Westminster, Cormac Murphy O’Connor, who asked his then-auxiliary bishop, Bernard Longley, to arrange with the SMPC to given them the use of a London parish church.

Despite the widely disseminated defiance of Catholic moral teaching published on the internet by SMPC organizers, Longley, now archbishop of Birmingham, said in a December interview with the liberal Catholic magazine The Tablet, that “I assume” that the Catholic opponents of the Masses are merely acting out of prejudice.

While Longley declined to respond to LSN’s request for a clarification, he told The Tablet, “it isn’t for any of us to make those judgments which, in conscience, people make before God and also within the sacraments, particularly the sacrament of reconciliation assisted by the priests and other pastors within the Church.”

Archbishop Vincent Nichols stated in a letter this year to one of the protesters that the Masses are “supported by Catholics who are, by their own description, of a homosexual orientation. It is a proper attempt to draw these people into the life of a parish and the life of the Church.”

Nichols concluded the letter, “May I gently suggest that you might pray for all who struggle to be part of the Catholic Church and conform their lives accordingly.”

It is an open secret, however, that the SMPC opposes Catholic teaching on sexuality. The group annually hosts a stall at the London “Gay Pride” event and promotes it in their newsletter. At this year’s “Sunday after Pride” Mass, held the day after the rally, a rainbow flag was draped over the altar during the Mass.

One of the SMPC organizers, Terrence Weldon, who helps organize the Masses, maintains a blog called “Queering the Church.” After the Tablet interview, Weldon praised Longley, commenting, “The rule-book Catholics are apoplectic.”

Catholic author and columnist, Dr. William Oddie, writing for the Catholic Herald in July last year on the ongoing scandal, said, “It is now clear beyond peradventure that those who attend the Masses are nearly all what the archdiocese calls ‘non-celibate gay people’ who intend to continue to defy Catholic teaching.”

Oddie commented, “Can it ever be right to describe as ‘pastoral care’ a consistent uncritical support for a ‘lifestyle’ which the Church teaches is gravely sinful?”

Posted by Trent on January 20, 2011, 7:52 am

by Hilary White

http://members7.boardhost.com/TrueCatholic/msg/1295470338.html

EX INSPECTOR DA PJ FALA SOBRE RENATO


Ex-inspector da PJ: "Nos crimes entre homossexuais, há quase sempre repugnância pela relação"

O ex-inspector da PJ fala de padrões neste tipo de homicídios: uma grande diferença de idades e objectos cortantes usados como arma para prolongar o sofrimento

Uma vez ia a passar numa feira e um cigano tocou-lhe no ombro:"Então não me conhece?" Chamou a família toda e disse:"Foi este o homem que me prendeu! Mas foi bem feito, foi bem feito." Outro homicida, depois de cumprir pena, foi à Gomes Freire e abraçou-o Pedro Azevedo.
Poucos saberão tanto de homicídios como ele. António Teixeira saiu há três meses da Polícia Judiciária, depois de passar 33 anos na Brigada de Homicídios. Aos 57 anos, dedica-se agora ao voluntariado, na Cercica - uma instituição de apoio a crianças deficientes, no concelho de Cascais -, mas "o bichinho" da investigação ainda anda lá dentro. Da mesma forma que não resiste a ligar aos colegas para saber pormenores de alguns crimes, os amigos não resistem a vê-lo como inspector e a perguntar-lhe teorias sobre casos tão mediáticos como o do homicídio de Carlos Castro. Investigou "montanhas" de casos semelhantes. Num deles, a simples forma como o corpo da vítima tinha sido cortado - do pénis para a região toráxica - permitiu-lhe suspeitar da motivação do crime. A experiência diz-lhe que os mortos falam e os padrões repetem-se.

Saiu há pouco mais de três meses da Polícia Judiciária. Já sentiu pena de não estar na investigação de determinado homicídio?

É-se uma vez inspector, nunca mais se deixa de ser. O bichinho anda cá dentro. Cada vez que ouço a notícia de um homicídio penso logo o que terá acontecido e confesso que muitas vezes não resisto à tentação de ligar para um colega a perguntar pormenores. De vez em quando ainda vou lá. Quando se tem uma profissão destas ela vai connosco para casa, durante 24 horas, e para lá da reforma.

Quando ouviu a notícia do homicídio de Carlos Castro "construiu" logo uma tese para o que aconteceu naquele quarto de hotel?

É inevitável, ainda para mais sendo um caso tão mediático. Caímos é com muita facilidade em estereótipos, porque não fazendo parte da investigação, fazemos o retrato a partir de padrões que conhecemos e que tendem a repetir-se.

Os homicídios que envolvem homossexualidade são ou não mais violentos?

São, geralmente, muito violentos e sangrentos, o que tem a ver com a não premeditação e também com a arma usada no crime. Mas atenção, os homicídios cometidos no âmbito de uma relação heterossexual, que têm por base um ciúme doentio e não são preparados, também têm uma grande carga de violência. Não considero que haja um homicídio especial só porque há ali uma relação homossexual, mas a verdade é que há características transversais a todos os que investiguei do género.

Que características-padrão são essas?

Estamos normalmente a falar de indivíduos mais velhos com algum poder económico e que se relacionam com outros muito jovens: em 80% dos casos a diferença de idades é enorme. A arma utilizada é geralmente o que está à mão, porque a maioria destes homicídios não é premeditada. Há ali um momento em que a coisa estala, em que uma ameaça ou uma discussão provoca um arrebatamento. Na maior parte dos casos, a morte é infligida através de um objecto contudente ou cortante ou, até, pelas próprias mãos.

Raramente são mortes com tiros?

Matar com um tiro não tem o mesmo significado que apertar o pescoço, esganar ou asfixiar. Há ali uma vontade de matar com as próprias mãos. Uma pessoa dá um tiro a outra e já está. Quando usa as mãos ou uma faca está a prolongar a agonia e o sofrimento da vítima. Estes métodos, tal como a castração ou o desfiguramento, revelam normalmente que o crime teve implicações sexuais.

Porquê? Porque o agressor, sendo mais novo, ainda tem dúvidas sobre a sexualidade?

Muitas vezes sim: têm pouca experiência e a sexualidade ainda anda ali a flutuar. Outras vezes porque se se sujeitam a ir contra a sua sexualidade para atingir determinados fins ou a troco de qualquer coisa e há um momento em que isso os revolta e os repugna. Há ainda os que têm uma vida dupla e, a certa altura, se sentem ameaçados.

Ou seja, ter uma relação heterossexual a par da homossexual não é assim tão raro.

Quase sempre têm. Por isso, saber que o agressor tinha namoradas, por si só não o iliba da culpa nem desvenda que tipo de relação teria com a vítima. Lembro-me de um caso impressionante, no início da década de 90. Um homem tinha uma relação com um "protegido" e esse protegido, mais novo, tinha uma namorada. Um dia o mais velho ameaçou deixar a relação e contar tudo à família do jovem e ele não suportou. Pegou-lhe fogo, cortou-o em pedaços, colocou-o dentro de uma mala e atirou-o para um café abandonado, junto à Fonte Luminosa, em Lisboa.

Os homicídios a envolver homossexualidade são frequentes?

Posso citar montanhas de casos: o do dono do Trumps; o do Castanheira, que era jornalista da Bola e foi morto e assaltado em casa; o de um ourives; o de um professor que foi morto com 60 e tal facadas. Antigamente falávamos dos "afilhados" ou "protegidos": homens mais velhos alugavam-lhes um quarto numa pensão e depois levavam-os a sítios da praxe - como o Montecarlo ou outro ali ao pé do Coliseu. Eram sítios onde já era um ritual os padrinhos mostrarem as suas conquistas.

Há algum caso do género que o tenha impressionado mais?

Um no Bombarral, um dos primeiros que investiguei com estes contornos.

Encontrámos o morto num campo, junto a um poço, despido da cintura para baixo, com a região abdominal toda aberta e um golpe que vinha do pénis até cá acima, à região toráxica. Passámos lá umas semanas a investigar, à procura de inimigos, e nada. E aquele golpe não me saía da cabeça, porque o normal é os ataques serem frontais e não uma pessoa baixar-se para matar.

Era um homicídio motivado por uma relação homossexual.

Descobri um rapazinho, a quem chamavam Marco Paulo, porque tinha o cabelo encaracolado como o cantor, que mantinha uma relação homossexual com a vítima: soube que o outro falou da relação deles a alguém e como não queria admitir o caso não suportou e matou-o. Naquele dia, estava a fazer-lhe sexo oral junto ao poço, tirou uma faca do bolso e espetou-a de baixo para cima. O miúdo de 19 anos tinha muitas namoradas, ia para os bailes, dançava e dava beijos mas não concretizava mais do que isso. Nesse mesmo ano, teve a sua primeira experiência sexual: um rapaz que vivia em França tinha ido ali passar dois três dias, com mais duas miúdas. No meio de festa e copos, esse rapaz penetrou-o. O Marco Paulo reparou que gostou mas, como tinha sido a primeira vez, tinha dúvidas e não queria assumi-lo. O segundo relacionamento foi com a vítima, um agricultor mais velho e abastado que lhe dava algum dinheiro para ele comprar roupas.

E casos em que é o mais velho a matar o mais novo, não existem?

Lembro-me apenas de um caso.

Mas não seria mais normal ser o mais velho a sentir ciúmes do mais novo?

Regra geral, introduz-se estes casos no campo dos crimes passionais - que de paixão não têm nada, mas é esse o termo. Resultam de uma lógica de paixões, de um sentimento que de repente estala motivado por discussões ou medo. Mas estes crimes não são sempre cometidos por ciúmes. Há uma pequena franja de casos em que o homicida visa apoderar-se dos bens e esses são geralmente premeditados. Os restantes são quase sempre por uma revolta. Daí a grande carga de violência: nos crimes a envolver homossexualidade há quase sempre no final um sentimento de repugnância pela própria relação. O homicida sente que há ali uma mácula na sua virilidade que não quer assumir: ou porque vai contra a sua opção sexual ou porque aquela é a sua opção sexual mas não o admite.

A maior violência também pode ser explicada por se tratar de dois homens? É uma questão de força física?

Também pode influenciar: a mulher deixa-se dominar mais facilmente, o homem reage.

A castração, por sua vez, é mais usada nos casos em que é a mulher a matar o homem.

Sim, no caso dos homossexuais é mais frequente encontrar objectos no ânus do que a castração de testículos. Mas, no fundo, os dois actos simbolizam o mesmo.

No caso do Bombarral, um simples golpe fê-lo suspeitar da motivação do crime. O método é suficiente para perceber quem pode ter sido o assassino?

Quando chegamos ao local não temos nada e temos de construir aquela pessoa: os ódios, as amizades, as inimizades. Temos de perceber desde logo se desapareceu alguma coisa, porque isso pode dar o motivo.

E os pormenores das lesões também podem contar a história do homicídio?

Claro, por isso é que se diz muitas vezes que o morto fala connosco. Até a própria colocação do cadáver fala por si. Tive o caso de um homem que matou uma vizinha porque estava loucamente apaixonado e ela não lhe ligava nenhuma. Como não encontravam o corpo ele enviou um bilhete anónimo a dizer para procurarem no sítio tal. Ele tinha amor por ela, achava que ela merecia ser encontrada e não ficar abandonada ali. Foi o bilhete que nos levou a ele. Todos os actos têm significados. O queimar, o desfigurar, o desaparecimento do cadáver indiciam que há um relacionamento muito próximo entre o autor do crime e a vítima.

Os 33 anos de experiência na Brigada de Homicídios permitem-lhe perceber o que vai na cabeça de um rapaz como o Renato Seabra para cometer este crime?

É sempre especulativo dizer o que ia na cabeça daquele miúdo. O que se pode é fazer a comparação com outros casos semelhantes em que também houve uma violência excessiva. É comum na maior destes casos o homicida não aceitar a homossexualidade. Com o devido desconto que tem de dar-se às informações que vão saindo - porque não sabemos se são boatos ou especulações - se, de facto, ele tiver dito "já não sou gay", isso vai de encontro a essa não aceitação da homossexualidade. Mas quer dizer exactamente o quê? Que o foi algum dia? Que aquela relação era uma forma de prostituição? O Carlos Castro dizia estar apaixonadíssimo por aquele rapaz mas acreditava que aquele jovem de 21 anos se ia apaixonar por ele, um homem de 65? Havia ali um abismo de diferença de idades. E nas relações - homo ou heterossexuais - essa diferença é potenciadora de conflitos.

Mas um conflito motivado pela diferença de idades explica aquele grau de violência?

O grau de violência explica-se pela raiva e repugnância relativamente àquela relação. É essa raiva que conduz à mutilação e ao prolongamento da agonia. Fazendo um paralelo com o discurso dos autores desse tipo de homicídios, é frequente culpabilizarem o outro por aquilo que aconteceu ou a própria sexualidade. Entendem que foram essas razões que os levaram àquele momento, àquele acto tresloucado. Se a outra frase - que falava do exorcizar os demónios - tiver mesmo sido dita, que demónios são esses? A experiência diz-me que esses demónios são muitas vezes as nossas dúvidas.

A confissão do Renato Seabra terá algum valor?

A confissão de nada servirá se não for acompanhada de provas. É um direito que assiste ao arguido que ela não venha a ser usada sequer. A verdade é que hoje em dia a confissão não é necessária: quando vamos ter com o suspeito temos de ter já uma série de provas para o acusar. Só que, por outro lado, é a cereja em cima do bolo. Não há investigador nenhum, mesmo que tenha a prova toda em cima da mesa, que não queira a confissão dos pormenores.

É difícil arrancar confissões?

É uma luta. Porque o indivíduo que está do outro lado da mesa sabe perfeitamente que deste lado está alguém que vai tentar obter elementos para o condenar a uma pena de prisão até 25 anos. Muitas vezes é um jogo. Fala-se de tudo - da família, da infância, de futebol - até encontrar o furozinho que nos permite entrar lá dentro. Os mais difíceis são os criminosos a sério, aqueles que matam com um enorme sangue frio. Os outros - que são a maioria dos nossos homicidas - costuma contar tudo facilmente porque precisam que a pessoa que está ali à frente lhes perdoe o acto. O mandamento "não matarás" tem uma grande influência no arrependimento. Somos a primeira pessoa a estar ali, a primeira a saber que aquela pessoa matou, e o homicida tenta justificar-se, encontrar argumentos para dizer "eu não sou assim tão mau".

São indivíduos que dificilmente voltariam a matar?

Nem gosto de usar a expressão "matar". Farto-me de dizer isto: o matar é um acto que acontece por força das circunstâncias. É um acto humano, quer queiramos, quer não. Todos somos capazes de matar em determinadas circunstâncias, quanto mais não seja para defender alguém ou a nós próprios. Se me disserem que para ser burlão é preciso ter jeito, admito que sim. Mas matar não é uma questão de jeito. A maior parte dos homicidas mata num momento de arrebatamento, não o premedita. Logo os outros nunca o poderiam prever. Estamos a falar do crime mais grave do nosso ordenamento jurídico mas, curiosamente, vamos às cadeias e estes homicidas são presos exemplares. Esgotaram tudo naquele acto.

Num caso como o do Renato Seabra, qual é a chave para a investigação?

O mais importante é analisar o acto em si. Se há razões ou não, se há legítima defesa ou não, são razões que podem servir como factor atenuante, agravante ou desculpabilizante. Mas o acto já aconteceu.

A legítima defesa é o factor atenuante mais recorrente?

Se nos lembrarmos daqueles casos motivados por violência doméstica, em que a mulher prova que actuou daquela maneira porque foi vítima de violência durante anos e anos pelo marido, é claro que isso é desculpabilizante. Mas aí há uma dependência económica e psicológica entre marido e mulher que leva a que ela não abandone aquela relação. Lembro-me de um caso em Santarém, em que a senhora desfigurou o marido à machadada. Era uma mulher de 70 anos que suportou a violência até ao limite e um dia não conseguiu mais. Abraçava-se a mim a chorar "O que é que eu fiz, o que eu fiz..."

Num caso como o do homicídio de Carlos Castro, que tipo de questões podem servir de atenuantes da culpa?

Não é assim tão importante perceber, por exemplo, quem é que tomou a iniciativa de estabelecer a comunicação no Facebook. Podem averiguar-se outras coisas: o Renato sofreria pressões que seriam desculpabilizantes do acto? Este não parecia ser um caso de violência doméstica. O rapaz estava fechado? Podia ou não podia abandonar aquela relação? Isso é que é o essencial. Estamos a falar de uma desproporção corporal muito grande, que permitiria que o Renato lhe desse uma bofetada na cara e batesse com a porta. O que a lei diz é que tudo o que possa ser usado como agravante ou desculpabilizante do acto - o atenuante da culpa - deve ser investigado. Mas o crime já aconteceu.

Casos deste género são mais difíceis de avaliar porque criam uma onda homofóbica?

Em casos destes, sobretudo muito mediáticos, há sempre quem apoie um lado e quem apoie o outro. Não podemos é esquecer que há um agressor e há uma pessoa que morreu.

É mais fácil encontrar o autor do homicídio quando este é a mulher, o namorado ou o companheiro?

O problema muitas vezes não é o encontrar. Tive muitos casos em que sabia quem era o autor. E provar?

Há crimes perfeitos?

Não. Há é investigações mal feitas. Por vezes, os locais são mal analisados. E tudo se complica quando falamos de um ambiente que é partilhado pela vítima e pelo autor, porque aí os vestígios encontrados são explicáveis: ele vive ali. Depois, por outro lado, temos cada vez mais profissionais e estratégias de crime muito bem delineadas. Apanhei o caso de um homem que matou a mulher, simulou um acidente e ainda arranjou álibi: falsificou a saída da empresa através de outro indidividuo, programou o envio de emails para aquelas horas. Só chegámos lá porque cometeu um pequeno deslize.

Um maior número de câmaras de videovigilância no país permitiria resolver mais crimes?

Não vejo nenhum inconveniente nas câmaras mas ainda somos um país de fantasmas. A nossa base de dados de ADN tem 4 ou 5 perfis, daqui a 20 anos deverá ter dez, porque se levantou logo uma série de problemas. Os exames de ADN não servem só para culpar: servem para inocentar. Há coisas absurdas: houve uma fase em que eram frequentes assaltos nos multibancos mas não era permitido ver as imagens que algumas dessas máquinas tinham. Não se dão instrumentos à polícia mas depois há empresas que controlam a vida inteira dos empregados, há bancos que acedem a todos os dados dos cartões, e ninguém diz nada.

É possível traçar o perfil do homicida português?

Não há um padrão. O homicida somos nós, num momento de desvario, num dia mau, no meio de uma discussão, quando mandamos a máquina fotográfica à cabeça de alguém e sem querer matamos.

Entrou para a PJ com 23 anos. Como se investigava naquela altura?

Quando entrei para a polícia, encontrei polícias admiráveis. Para eles eu era um betinho saído da faculdade. Eram pessoas que não tinham grande cultura, mas tinham um sentido quase inato de polícia. Encontrei um sub-inspector, o Lobão, que era incrível: era um indivíduo bruto, mas com um feeling para determinado tipo de crimes. Investigou o caso do primeiro serial killer de que me lembro em Portugal: o Borrego, um indivíduo estranho que sentia que obedecia a ordens divinas para matar. O homicida criou uma ligação extraordinária com esse Lobão: a certa altura até lhe queria deixar os bens que tinha.

A falta de meios técnicos tornava a profissão mais cativante, porque vivia mais do instinto?

Não é bem o CSI mas a polícia tornou-se muito mais profissional. Há uns anos os juízes condenavam quase por intuição e o que a PJ dizia em tribunal era quase sagrado. Hoje é tudo mais questionável. As forças policiais têm de pôr mais rigor em tudo aquilo que fazem. Mas isso não retirou o tal encanto, o mistério, a vontade de descobrir: o que é que temos aqui? Quando chegamos a um local de homicídio temos uma vítima da qual não conhecemos nada. E de um cadáver temos de construir uma pessoa.

Algum caso lhe retirou o sono?

Tantos. Uma coisa é uma pessoa ser vítima de roubo ou de burla. Isso são bens materiais. O problema é que no homicídio não se tem só um morto: tem-se uma famíla. Isso provoca uma enorme pressão.

Os amigos continuam a vê-lo como inspector?

Não me livro de me fazerem perguntas, de quererem saber as minhas teses e teorias. Mas há também o efeito contrário. Senti-o sobretudo quando entrei para a polícia. Uma vez perguntei a um amigo porque se tinha afastado. E ele respondeu: "Eras polícia e se estavas ali ao lado eu estava sempre com receio de ter feito alguma coisa."

por Sílvia Caneco, Publicado em 21 de Janeiro de 2011

Foto Pedro Azevedo

http://www.ionline.pt/conteudo/99718-ex-inspector-da-pj-nos-crimes-homossexuais-ha-quase-sempre-repugnancia-pela-relacao

CHRISTIAN THERAPIST FACES BEING BARRED

Christian therapist faces being barred after ‘sting’ by homosexualist journalist

January 18, 2011 (LifeSiteNews.com) – In yet another instance of the growing conflict between believing Christian professionals and the homosexualist movement in Britain, a Christian psychotherapist who helps individuals overcome homosexual inclinations may be “struck off,” or barred from practicing her profession.

Lesley Pilkington was the object of a sting operation by undercover journalist Patrick Strudwick, who approached her to ask her for help with his sexuality. He had told Pilkington that he wanted to leave the homosexual lifestyle and she informed him that she only worked within a Christian counseling framework.

Strudwick, who went to two counseling sessions with Pilkington and published the transcript of the meetings in The Independent newspaper, was awarded journalist of the year by the homosexualist organization Stonewall for the sting. After the sessions, he lodged a complaint to the British Association for Counselling and Psychotherapy alleging that Pilkington had failed to respect the “fixed nature” of his homosexuality.

Pilkington, who is scheduled to appear before a professional conduct panel January 20 and faces losing her accreditation with the British Association for Counselling and Psychotherapy, said, “He told me he was looking for a treatment for being gay.

“He said he was depressed and unhappy and would I give him some therapy. I told him I only work using a Christian biblical framework and he said that was exactly what he wanted.”

Commenting on the case, Conservative MEP Roger Helmer said, “Why is it OK for a surgeon to perform a sex-change operation, but not OK for a psychiatrist to try to ‘turn’ a consenting homosexual?”

“If, for whatever reasons – moral, religious, personal – a homosexual man wants to have help to cure this, he should be allowed to seek treatment. I’m not being critical about homosexuality at all, but if we have people who want to change, why should they be prevented from that happening?”
Helmer continued.

The Christian Legal Centre, which is handling Pilkington’s defense, said, “Those offering counselling for men and women wanting to change their homosexual behaviour have been increasingly targeted by the homosexual lobby, many of whom do not accept that people can change their behaviour.”

Andrea Minichiello Williams, CEO of the Christian Legal Centre said, “Lesley is a wonderful Christian counsellor who has practised for many years with an unblemished record.”

“It is shocking that she was targeted, lied to and misrepresented by this homosexual activist and even worse that her professional body consider her actions worthy of investigation. "

“It seems that what the British Association for Counselling and Psychotherapy object to is Lesley Pilkington holding the professional and personal view that homosexuality is not a fixed orientation.”

“We are standing by Lesley and believe that in a civilised society, therapy should remain freely available for those who wish to change their homosexual behaviour, without the fear of intimidation and threats by the homosexual lobby.”

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

by Hilary White

http://jesus-logos.blogspot.com/2011/01/christian-therapist-faces-being-barred.html