Monday, 24 January 2011

UM GUIA PARA O STAR SYTEM PORTUGUÊS




Reportagem

Dantes, o sonho dos pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que sejam famosos. É um mundo de ilusões, esse em que Renato Seabra e muitos jovens entram todos os dias.

As festas são a placa giratória onde tudo se joga e o motivo pouco importa (Foto: Paulo Pimenta)

Mal se entra no Fábulas, um dos cafés da moda no Chiado, é fácil reconhecer Elizaveta, mesmo sem nunca a ter visto antes: ela é modelo. Alta, magra e loira, tem, porém, outra característica que a torna inconfundível: a confiança no olhar. E, no entanto, Elizaveta Egorova, de 22 anos ("estou muito velha", diz ela), suspira de cansaço, porque terminou agora um trabalho de oito horas seguidas - uma sessão fotográfica intensa, extenuante e não-remunerada.

A agência de modelos em que se inscreveu, a Just, pediu-lhe em cima da hora para fazer o trabalho. Só depois Elizaveta percebeu que era de graça. Mas acha natural, porque todos ficam a ganhar - a agência fez um favor a um cliente e ela ganhou mais umas fotografias para o seu book. "Se conseguir ter muitas fotografias bonitas, vou facilmente arranjar outros trabalhos. Moda, publicidade, festas. Não me importo de experimentar tudo. Tenho curiosidade, e preciso de ganhar dinheiro."

Elizaveta é russa, mas já aprendeu as regras do estranho star-system português: é preciso trabalhar sem ganhar, para depois se ser pago por actividades que não são trabalho. Por exemplo, as festas. São as chamadas "presenças", em que o modelo recebe um cachet para simplesmente estar lá. Noutra época, dir-se-ia depreciativamente que estava a "fazer ofício de corpo presente", por analogia com o defunto na missa por sua alma. Hoje, esse papel é quase sinónimo de estar vivo. "Não me importaria nada", diz Elizaveta, "de estar três horas por dia numa festa, para ganhar a vida".

Há decerto empregos piores. Mas as festas rendem de maneiras diferentes, para os diversos personagens do sistema. Porque é de um sistema que se trata, bem organizado, com regras claras e eficácia comprovada. As festas são uma componente importante, a placa giratória onde tudo se joga. Depois articulam-se com as revistas cor-de-rosa, os programas de televisão, as agências de modelos, a Moda Lisboa e o Portugal Fashion.

Há um percurso a trilhar e dificilmente se saltam etapas. É preciso estar numa festa, para se ser fotografado e aparecer numa revista. A seguir é-se contratado por uma agência de modelos e, por fim, chega-se à televisão. O sonho supremo já não é a moda, mas sim a televisão e, nesta, ser actor. Não por amor às artes performativas, mas para estar na televisão, que, por sua vez, não é um objectivo profissional, mas um veículo, um veículo para a fama. Esta é verdadeira ambição: ser famoso. E como se consegue? Eis um guia prático.

"Bichos" e "bichas"

"Há três situações, três maneiras de se chegar à fama", explica Duarte Menezes, que é cabeleireiro e conhece a fundo os meandros do mundo das celebridades em Portugal. "A primeira situação é: uma cara bonita, um bocadinho loura, que apareça numa festa com as mamas à mostra. Durante meses só se fala dela." Não falha. Mas é difícil. Tem de se saber jogar. É preciso ser-se convidado para as festas. Há duas maneiras: ou se cai nas boas graças de um relações-públicas (RP), ou se é amigo ou amante de alguém que nos leve.

Os RP são peças-chave. São eles que organizam as festas e distribuem os convites. Elaboram as guests lists, das quais é fundamental constar. A partir daí, o caminho para a fama está aberto. E quem são esses RP? Poucos. Uma dezena, segundo Duarte Menezes. "Digo-lhe já os nomes deles: é a Maya, a Helga Barroso, a Marta Aragão Pinto, a Marta Wahnon..." Eles é que mandam. Decidem quem vai e quem não vai às festas, que podem ser a inauguração de uma loja, o aniversário de uma discoteca, a antestreia de um filme. O motivo pouco importa: é uma festa e é preciso estar lá.

"Há os chamados papa-festas", diz Duarte. "Não falham uma. Estão lá sempre as pessoas do jet-set, modelos. Mas os mais procurados, hoje, são os actores." Estes, actores, modelos e celebridades, são pagos pela "presença" na festa. Os outros são capazes de matar para estarem presentes. "Uma pessoa que apareça nas festas está lançada. Não é preciso ter talento." E quem vai filtrando os candidatos são essas figuras poderosas, que, de certa forma, mandam no país, mesmo sem terem sido eleitas: os RP. "A culpa de haver tanta gente famosa sem nada fazer é dos RP", diz Duarte. Ele, que é cabeleireiro de famosos há mais de 20 anos, faz parte, naturalmente, de todas as guest lists. Pedem-lhe por isso que dê boleias para as festas e eventos. "Mas são as meninas que me procuram, não os rapazes, o que é um paradoxo", brinca ele. "Dizem: "Ó Duarte, eu preciso de aparecer. Faça-me acontecer, Duarte". Eu levo-as duas, três vezes, às festas. À quarta já são convidadas. Depois aparecem nas revistas com jóias que eu lhes emprestei, a dizerem que são da avó." Por vezes é ele próprio, Duarte, a organizar festas. Outras vezes leva as "meninas" a desfiles de moda. "A primeira fila da Moda Lisboa é o lugar fundamental." São as caras que são fotografadas, que aparecem nas revistas. Duarte tem um passe que lhe permite assistir a todos os desfiles, e vai sempre acompanhado. Quatro mulheres hoje muito famosas em Portugal foram lançadas desta maneira, diz o cabeleireiro. Estiveram com ele na primeira fila da Moda Lisboa.

Segundo Duarte, há uma explicação para que muitas raparigas procurem a ajuda de homens homossexuais: assim não serão acusadas de estarem a trocar favores sexuais por promoção. Mas também há rapazes que usam homossexuais mais velhos para se lançarem no circuito das festas e da fama. São geralmente jovens heterossexuais, que não dissuadem o "amigo" gay de se apaixonar por eles, enquanto vão aceitando jantares, viagens e acesso a eventos e pessoas. Alguns são bissexuais, e não se importam de se insinuar junto dos muitos homossexuais influentes que há no mundo da moda. Duarte chama-lhes pejorativamente os "bichos", por oposição à geração mais velha, que tudo fazia por amor ou pura e desinteressada luxúria - as "bichas".

A segunda via para a fama: "Dormir com alguém da bola. Jogador, ex-jogador, etc. Uma rapariga que diga numa revista que já foi para a cama com o Ronaldo tem as portas abertas". É uma estratégia recente, explica o cabeleireiro. Terá começado no Reino Unido, onde a indústria dos tablóides é poderosa. Depois da morte da princesa Diana, as revistas, privadas do seu tema favorito, voltaram-se para o casal Beckham, dando aos futebolistas um estatuto glamoroso que nunca tinham tido. Cá, a prática começou com Cristiano Ronaldo, mas agora qualquer um serve.

Uma terceira via são as festas de caridade, tradicionalmente frequentadas "pelas verdadeiras senhoras de alta sociedade". Podem ser em organizações de beneficência ou em embaixadas, ou organismos como o Banco Alimentar contra a Fome. "Põem um avental e ficam ali a ser fotografadas a cozinhar para os pobrezinhos, enquanto as verdadeiras senhoras se escondem das câmaras."

Mas há mais vias: os programas de televisão, como os Ídolos ou Operação Triunfo, em que é preciso possuir algum talento, e os do tipo do Big Brother, Quinta das Celebridades ou a Casa dos Segredos, para os quais nenhum talento é necessário. Mas também para entrar nestes shows é preciso ter amigos influentes.

Do BB aos Morangos

Foi desde o aparecimento do Big Brother, no ano 2000, na TVI, que as pessoas começaram a pensar que era fácil ser famoso. O marco seguinte foi os Morangos com Açúcar, em 2003. A série da TVI fez nascer uma geração de famosos muito jovens, bonitos e que sabem representar e dançar. Ou parece que sabem. Os Morangos já vão na 8.ª edição e são uma fábrica imparável de famosos, que têm, nas festas, uma cotação superior à dos modelos - exceptuando, talvez, as raparigas que dormiram com o Ronaldo, sugere Mónica Lopes, de 32 anos, que abriu há sete meses uma agência de modelos, a ML.Os agenciados de Mónica fazem vários tipos de trabalhos (uns fazem muitos, outros quase nenhuns) - desfiles, publicidade, serviço de hospedeiras em congressos, presenças. E também representação, nos Morangos. Uma agência de casting, a Plural, pede-lhe jovens para integrarem o elenco. Para papéis de mera figuração, mas também de protagonistas. "Manda-me opções de rapazes e raparigas que tenham bom aspecto, e também algum jeito para representar", dizem eles.

Para preparar os jovens para os castings, Mónica ensina-os ela própria, ou convida professores para umas lições. Mas como entrar nos Morangos e nos concursos de talentos se tornou um objectivo para milhares de jovens de todo o país, proliferam cursos rápidos de representação, de seriedade variável, orientados para as exigências dos castings.

A agência Just, uma das mais prestigiadas no sector da Moda, organiza ela própria um workshop aos fins-de-semana, que inclui noções de teatro e expressão corporal, mas também postura e a chamada "valorização pessoal", que engloba o chamado acting.

"Os actores são o novo boom", diz Vanessa Veloso, proprietária e directora da Just.

Dos Morangos, os que têm mais jeito podem passar para as telenovelas da TVI, e a carreira está assegurada. Alguns fazem mais tarde pequenos cursos de representação, por vezes no estrangeiro, o que lhes dá um certo lustro ao currículo.

"Há alguns anos, as pessoas que não eram muito altas queriam ser modelos fotográficos. Hoje isso acabou. Agora as agências têm os departamentos de Real People e Comerciais. E de actores", explica Vanessa. A Just, como outras agências de moda, tem departamentos de actores, dos quais fazem parte alguns profissionais consagrados. Na maior parte dos casos, porém, o que está a acontecer é que as caras do departamento de modelos transitam para o de actores. Como é esse o percurso mais comum, as agências querem ser elas a controlá-lo. "É natural que os modelos passem a actores. Até por causa da idade, porque a carreira de modelo tem uma duração curta." Os "actores" são depois, é claro, muito solicitados para as festas, para cuja "presença" recebem chorudos cachets. As agências tratam disso.

A fama democratizou-se

"Dantes, em Portugal, o sonho de todos os pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que eles sejam famosos." Dalila Martins, de 59 anos, foi modelo nos anos 80. Mas só depois de ter concluído a licenciatura em Filologia Românica. Já dava aulas quando começou a fazer desfiles. E já tinha tido o primeiro filho. "As prioridades eram outras naquele tempo", explica ela. "Houve uma inversão de valores. Hoje as pessoas vêem a fama como um objectivo em si mesmo. Porque lhes é dada a ilusão de que o podem alcançar sem grande trabalho."

No tempo de Dalila também havia um sistema para se chegar ao estrelato como modelo. "Era preciso conhecer as pessoas certas e ir aos lugares certos." Ela frequentava o Frágil e era amiga do seu proprietário, Manuel Reis, e do cabeleireiro José Carlos. "Era preciso entrar num certo mundo, muito elitista. Hoje, a moda e o mundo dos famosos democratizaram-se."

Dalila continua a ir a festas, bares e restaurantes "da moda", mas não vê lá a "gente da moda". Mudaram de sítios? Passam despercebidos? Como já não constituem uma elite, talvez sejam toda a gente e andem por todo o lado. "Onde é que eles estão? Não os vejo nas festas, nem no Lux os encontro. Acho que já não existem."

23.01.2011 - 13:26 Por Paulo Moura

http://www.publico.pt/Sociedade/um-guia-para-o-starsystem-portugues_1476668?all=1



QUEIXAS CONTRA "DEPOIS DA VIDA"

Queixas contra "Depois da Vida" com Castro levam ERC a notificar TVI

Programa foi emitido pela TVI na sexta-feira, depois da meia-noite, e foi visto por 634 mil pessoas

Para a família, Renato era heterossexual, mas amigos de Carlos Castro garantem que havia uma relação entre os dois
(Pauliana Valente Pimentel/Kameraphoto)
O episódio foi adiado, mas acabou mesmo por ir para o ar. Na sexta-feira passada, depois da meia-noite, a TVI transmitiu o episódio de "Depois da Vida" onde Carlos Castro aparece a falar com a mãe, já falecida. Contactada pelo i, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) disse já ter enviado uma notificação à estação de Queluz a avisá-la da abertura de um processo na sequência das queixas recebidas contra a transmissão do programa. A ERC recebeu quatro queixas que, de acordo, com o presidente, Azeredo Lopes, "não foram indeferidas". A bola está agora do lado do canal, que tem dez dias úteis para se pronunciar, seguindo depois para avaliação do departamento jurídico da ERC.

Em declarações ao i, Azeredo Lopes recusou-se a comentar a avaliação final do Conselho Regulador e garante que não viu o programa. O presidente da ERC não adiantou de quem partiram as queixas, frisando apenas que o conteúdo de todas ela é "basicamente igual", "evocando a violação das normas ligadas às transmissões televisivas" e criticando o timing escolhido. O conselho deverá emitir uma deliberação no prazo de um mês.

O episódio de "Depois da Vida" com Carlos Castro, apresentado por Iva Domingues, foi visto por 634 mil pessoas. Durante a emissão, a médium Anne Germain "falava" com o espírito da mãe do cronista e também com o espírito da transformista Ruth Bryden.

O episódio foi gravado em Outubro e, inicialmente, a transmissão estava prevista para 14 de Janeiro, data que marcava a estreia da terceira temporadado programa. O i avançou, nessa data, que um contacto entre a ERC e o canal esteve na base do adiamento do episódio. Porém, a TVI justificou a alteração da data com a proximidade das cerimónias fúnebres do cronista.

por Cláudia Garcia , Publicado em 24 de Janeiro de 2011

http://www.ionline.pt/conteudo/100129-queixas-contra-depois-da-vida-com-castro-levam-erc-notificar-tvi

Saturday, 22 January 2011

FOI CARLOS CASTRO QUE PROCUROU RENATO NO FACEBOOK

Crime

Reveladas conversas privadas entre Carlos Castro e Renato Seabra

A dúvida mantinha-se. Os amigos de Carlos Castro afirmam que foi o jovem modelo, Renato Seabra, que quis começar a amizade com o colunista, enviando-lhe um pedido através do Facebook, os amigos e colegas de Renato lembravam que tinha sido Carlos Castro a procurar o jovem.

Mas foi, de facto, Carlos Castro que procurou Renato através da rede social, meses antes do crime, revela hoje uma conversa colocada no perfil de fãs de Renato Seabra no Facebook, e que já prolifera por todos os meios de comunicação social.

É a 9 de Outubro que o colunista envia um pedido de amizade a Renato. O jovem modelo aceita e Carlos Castro escreve “Olá Renato, muito grato e um abraço”. A partir daí a conversa não acaba. No mesmo dia, mas mais tarde, Carlos Castro volta a escrever a Renato, enviando-lhe novamente uma mensagem: “Já sabes, vai falando. Abraços”.

Depois disto, Renato aproveita e pede conselhos a Carlos Castro sobre o mundo da moda: “Olá!! Gostava de falar consigo em relação ao mundo da moda que é novo para mim!! Sendo uma pessoa com experiência quais são as dicas que me dá para vir a crescer nesse mundo?”. E Carlos Castro responde: “Vou ao Porto, ao Portugal Fashion, estás por perto? Acho-te giro e és altíssimo, falamos se quiseres. Um abraço amigo”. Carlos Castro adianta ainda ao jovem que, no Porto, ficará hospedado do hotel Sheraton.

Renato e Carlos encontraram-se no Porto

De acordo com o jornal Sol, Renato terá ido ao Porto e ao hotel onde estava Carlos Castro, levado pela mãe, que esperou no carro enquanto os dois falavam. Mais conversas aconteceram dias depois.

Carlos Castro envia uma mensagem ao jovem, novamente através do Facebook. “Querido, hoje sábado, aqui estou (ainda) no hotel, já tomei o pequeno almoço (pensei em ti muito), é para te mandar ternuras e beijinhos esperando que estejas bem. Está sol no Porto (és tu) e já tenho saudades tuas. Tantas. Pensa bem por ti e para ti em tudo. Quero estimar-te muito beijinhos grandes.”

No mesmo dia, Renato responde à mensagem de Carlos Castro, revelando que também já trocavam mensagens através do telemóvel dizendo: “Como te disse por mensagem também tenho pensado muito em ti... pensei em tudo o que disseste e quero estar contigo!!! Um beijinho grande”.

http://www.destak.pt/artigo/84952

"RENATO ESTÁ PÁLIDO, MUITO MAGRINHO, PARECE UM MENDIGO..."


Em entrevista ao semanário Sol, Odília Pereirinha, mãe de Renato Seabra, recorda a sucessão de acontecimentos dos últimos meses e descreve o estado atual do filho como apático e psicologicamente muito perturbado.

Devastada, a mãe de Renato Seabra revela à jornalista Felícia Cabrita que, no encontro com o filho, não o questionou sobre o crime e que este não falou qualquer palavra sobre o homicídio de Carlos Castro.

«Está pálido, muito magrinho,parece um mendigo», descreve a enfermeira de 53 anos.

«Está em choque, não tem um discurso coerente, tem paragens», evidencia ainda a mãe que garante que essa não é uma «estratégia da defesa» e que o filho «está verdadeiramente afetado psicologicamente».

Odília Pereirinha relembra a alegria do filho quando conheceu Carlos Castro. «Estiveram cerca de duas horas a falar e, quando o Renato voltou, vinha muito feliz», conta evidenciando a crença de mãe e filho de que o cronista iria ajudar o jovem a vencer no mundo da moda.

A mãe de Renato Seabra admite que sabia que Carlos Castro «era gay assumido» mas que, por não ser preconceituosa, não viu «nada de errado» na relação deste com o filho a quem educou também para não ser «preconceituoso». Afirma ainda que Carlos Castro lhe disse que iria ser «o pai que Renato nunca teve».

Como sinais de desconforto na relação entre Renato Seabra e Carlos Castro, Odília Pereirinha refere apenas que o filho se queixara de «luxúria» na vida de Carlos Castro durante uma viagem a Madrid e questionada pela jornalista Felícia Cabrita; «Luxúria como?», relaciona a queixa do filho com idas a restaurantes caros e o contato com famosos.

Na entrevista, Odília Pereirinha volta a contar os últimos telefonemas do filho, que queria regressar de Nova Iorque antes da data prevista argumentando que «nao conseguia respirar».

http://www.lux.iol.pt/nacionais/renato-seabra-felicia-cabrita-sol-carlos-castro-mae-odilia-pereirinha/1227525-4996.html

Friday, 21 January 2011

PAI DE RENATO EM NOVA IORQUE PARA APOIAR O FILHO

Família continua a queixar-se da falta de apoio

Pouco se tem falado no pai do modelo Renato Seabra, 21 anos, detido no Bellevue Hospital, em Nova Iorque, suspeito do homicídio do cronista Carlos Castro. Mas o enfermeiro, que se divorciou da mãe de Renato quando este tinha quatro anos, também já voou para os Estados Unidos para apoiar o filho.

O modelo de 21 anos, suspeito do homicídio do cronista Carlos Castro, continua detido no Bellevue Hospital (Foto: Reuters)

"Uns dias depois de a mãe do Renato ter chegado a Nova Iorque, o pai viajou para lá e ainda está lá a acompanhá-lo", adiantou ontem ao PÚBLICO José Malta, cunhado do modelo.

O familiar explicou que o jovem praticamente deixou de ter contacto pessoal com o pai quando este se divorciou da mãe e começou uma vida nova no Algarve, onde vive com a actual família. "Mas com a participação de Renato num programa da SIC houve uma reaproximação e, no contexto actual, o pai decidiu ir vê-lo", conta José Malta.

A família continua a queixar-se da falta de apoio das autoridades portuguesas e norte-americanas, nomeadamente ao nível da informação, e prepara-se para avançar com uma iniciativa que visa arrecadar fundos para ajudar a pagar a defesa do jovem modelo. "Provavelmente no fim-de-semana, vamos anunciar a solução para conseguir algum apoio", refere o cunhado de Renato, que garante que a defesa do modelo "fica muito cara". Sem saber avançar um montante total, José Malta precisa que no consulado português os informaram de que só um tradutor custa cerca de 100 euros a hora.

O advogado do modelo, David Touger, não adianta pormenores sobre os seus honorários nem as custas judiciais nos Estados Unidos. Contactado ontem pelo PÚBLICO, o representante limitou-se a dizer que Renato planeia uma "defesa rigorosa" e repetiu que "ninguém se deve precipitar a tirar conclusões nesta altura, porque nem todos os factos são conhecidos pelo público".

Para o psicólogo clínico Paulo Sargento, professor na Universidade Lusófona, "é muito provável" que este crime tenha sido a primeira manifestação de uma patologia ligada à esquizofrenia. "O comum é a primeira descompensação ocorrer entre os 20 e os 30 anos. Normalmente associada à saída do núcleo familiar e a factores de stress", diz Sargento. O psicólogo clínico acredita que a defesa irá tentar invocar a inimputabilidade do jovem durante o acto (falta de consciência da ilicitude das suas acções) ou, pelo menos, a imputabilidade diminuída (há a consciência do acto, mas uma patologia não lhe permitiu agir de acordo com ela).

Este crime tem provocado várias reacções homofóbicas, uma situação que preocupa a ILGA Portugal, uma associação que promove os direitos dos homossexuais. O presidente da ILGA, Paulo Côrte-Real, alerta os órgãos de comunicação para estarem atentos ao conteúdo dos comentários online dos leitores, de forma a triá-los, e admite medidas adicionais após uma recolha dos comentários. "Alguns podem mesmo configurar um crime", diz Côrte-Real. A Procuradoria-Geral da República adianta, contudo, que "até agora não foi instaurado qualquer inquérito".

http://www.publico.pt/Sociedade/pai-de-renato-seabra-em-nova-iorque-para-apoiar-o-filho_1476187