Monday, 31 January 2011

ENTREVISTA COM JOSÉ MIGUEL AGOSTINHO








José Miguel Agostinho foi amigo de Renato e seguiu à distância o relacionamento deste com Carlos Castro. Leia a entrevista.

O CASAMENTO DE JORGE NUNO DE SÁ

Primeiro político gay a casar é de direita e chegou a liderar a JSD

"Para mim é um casamento como outro qualquer"
, diz ao i José Eduardo Martins, o único deputado do PSD que votou a favor da lei

Foi dos presidentes mais controversos da JSD. Durante o seu mandato, Jorge Nuno de Sá bateu-se por temas tradicionalmente associados à esquerda, como a despenalização do aborto, a criação de salas de chuto nas cadeias ou a prescrição médica da canábis. Mas quando deixou aquela estrutura partidária - que assumiu entre 2002 e 2005 -, o seu protagonismo político caiu a pique. Ocupou um cargo invisível na Câmara Municipal de Lisboa, ao lado do vereador Sérgio Lipari Pinto, e sofreu uma derrota, em 2008, quando se candidatou à presidência da mesa da "jota". Em Novembro do ano passado, saltou novamente para as páginas dos jornais, ao ser o único conselheiro do PSD a não apoiar a candidatura de Cavaco Silva a Belém. No sábado passado, aos 33 anos, Jorge Nuno de Sá voltou a ser notícia, ao tornar-se o primeiro político português homossexual a casar.

No PSD, a notícia não foi uma surpresa. Há muito que a orientação sexual do ex-líder da jota não era sequer tema de conversa de corredor. "O mais surpreendente acabou mesmo por ser o casamento", disse ao i fonte do partido. Oficialmente, poucos são os que aceitam falar sobre o assunto. José Eduardo Martins, deputado que votou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, não quis comentar, limitando-se a desejar felicidades ao colega de partido. "Para mim é um casamento como qualquer outro, a quem desejo as maiores venturas e felicidades". Também o actual líder da JSD, Duarte Mendes, se escusou a comentar o caso, adiantando tratar-se "de um assunto do foro pessoal". "Devemos respeitar as opções de cada um, e como tal o meu único desejo é que seja feliz."

Jorge Nuno de Sá nasceu em Viana do Castelo há 33 anos. Na capital do Alto Minho, uma região tradicionalmente mais conservadora que os centros urbanos de Lisboa e Porto, a notícia não foi recebida com o mesmo desinteresse manifestado no seio do PSD. Ainda assim, o conservadorismo local não terá sido suficiente para impedir a decisão do ex-líder da JSD, cuja carreira política foi desde sempre marcada por uma certa rebeldia.

Fim do serviço militar Embora a decisão de não apoiar a candidatura de Cavaco Silva a Belém tenha merecido maior atenção dos média, esta não foi a única vez que Jorge Nuno de Sá esteve em desacordo com o actual Presidente da República. O célebre episódio do cartaz de Santana Lopes, que nas legislativas de 2005 se viu obrigado a retirar a imagem de Cavaco Silva, justificou a indisciplina partidária de Jorge Nuno de Sá. Mas não só: também a polémica das escutas entre Belém e São Bento, nas legislativas em que Manuela Ferreira Leite saiu derrotada, pesou no afrontamento das linhas orientadoras do partido.

Apesar de tudo, a postura de Nuno de Sá recolhe vários elogios dentro do partido. "Foi um líder que actuou sempre próximo das bases, muito trabalhador, mas por vezes sem capacidade de marcar a agenda política", recorda um dirigente do PSD. Há quem lhe atribua os louros do fim do serviço militar obrigatório, uma causa pela qual sempre se bateu. "Parte do mérito é dele", acrescenta a mesma fonte.

Durante o seu mandato como deputado, eleito pelo círculo político de Viana do Castelo (primeiro ao lado de Durão Barroso, e depois com Santana Lopes) Jorge Nuno de Sá apresentou diversas iniciativas na Assembleia da República ligadas a temas como educação sexual, programas de voluntariado e questões relacionadas com a terra que o viu nascer. Mas foi a sua postura relativa à interrupção voluntária da gravidez - deu a cara na campanha pela despenalização - e às salas de chuto nas cadeias que o deixou em rota de colisão com o partido. Foi acusado de andar afastado da realidade dos jovens portugueses e, em 2005, quando tentava a sua reeleição, perdeu a eleição para Daniel Fangueiro.

por André Rito, Publicado em 31 de Janeiro de 2011

http://www.ionline.pt/conteudo/101607-primeiro-politico-gay-casar-e-direita-e-chegou-liderar-jsd

Sunday, 30 January 2011

EX-LIDER DA JSD E DEPUTADO EM CASAMENTO GAY


Uniões: Antigo líder da JSD casou-se ontem em Lisboa

Ex-deputado em união gay

O ex-líder da JSD Jorge Nuno Sá casou-se ontem, ao final da tarde, com Carlos Yanez, na conservatória de registo civil de Lisboa. É a primeira união homossexual assumida por um político português.

Desde Maio, mais de 550 homossexuais já deram o nó no país ou em consulados de Portugal no estrangeiro, ao abrigo da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O actual membro do Conselho Nacional do PSD e ex-deputado apresentou o seu cônjuge a alguns dos colegas de partido, no último conselho nacional. Ao que apurou o Correio da Manhã, Carlos Yanez é de origem sul-americana e o casal ter-se-á conhecido em Cuba. Problemas de saúde levaram familiares de ambos ao país caribenho para tratamentos e terá sido numa dessas viagens que Jorge e Carlos se conheceram. A cerimónia de ontem foi discreta e restrita e alguns dos convidados só souberam da data da formalização da união na semana passada. No último conselho nacional, em Novembro, Jorge Nuno Sá foi o único a votar contra o apoio à recandidatura de Cavaco Silva às presidenciais.

Desde que a lei que permite casamentos homossexuais em Portugal entrou em vigor (Maio de 2010), já se realizaram mais de 277 casamentos. Segundo dados do Ministério da Justiça, até 31 de Dezembro foram celebrados 256 matrimónios em território nacional e 21 em consulados de Portugal no estrangeiro. Os homens lideram a lista, com 201 casamentos, e é no distrito de Lisboa que se celebram mais matrimónios gay. Por cidades, Lisboa lidera com 75 matrimónios, Porto registava 16 e Almada 14. Oeiras, com seis uniões femininas é, depois de Lisboa (16), o concelho onde mais mulheres casam entre si. No estrangeiro, o consulado em Bruxelas foi o que registou mais uniões: quatro. Os dados relativos a Janeiro só estarão disponíveis no próximo mês.

Por:Cristina Rita/João Saramago/ Sónia Trigueirão

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/ex-deputado-em-uniao-gay

Monday, 24 January 2011

UM GUIA PARA O STAR SYTEM PORTUGUÊS




Reportagem

Dantes, o sonho dos pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que sejam famosos. É um mundo de ilusões, esse em que Renato Seabra e muitos jovens entram todos os dias.

As festas são a placa giratória onde tudo se joga e o motivo pouco importa (Foto: Paulo Pimenta)

Mal se entra no Fábulas, um dos cafés da moda no Chiado, é fácil reconhecer Elizaveta, mesmo sem nunca a ter visto antes: ela é modelo. Alta, magra e loira, tem, porém, outra característica que a torna inconfundível: a confiança no olhar. E, no entanto, Elizaveta Egorova, de 22 anos ("estou muito velha", diz ela), suspira de cansaço, porque terminou agora um trabalho de oito horas seguidas - uma sessão fotográfica intensa, extenuante e não-remunerada.

A agência de modelos em que se inscreveu, a Just, pediu-lhe em cima da hora para fazer o trabalho. Só depois Elizaveta percebeu que era de graça. Mas acha natural, porque todos ficam a ganhar - a agência fez um favor a um cliente e ela ganhou mais umas fotografias para o seu book. "Se conseguir ter muitas fotografias bonitas, vou facilmente arranjar outros trabalhos. Moda, publicidade, festas. Não me importo de experimentar tudo. Tenho curiosidade, e preciso de ganhar dinheiro."

Elizaveta é russa, mas já aprendeu as regras do estranho star-system português: é preciso trabalhar sem ganhar, para depois se ser pago por actividades que não são trabalho. Por exemplo, as festas. São as chamadas "presenças", em que o modelo recebe um cachet para simplesmente estar lá. Noutra época, dir-se-ia depreciativamente que estava a "fazer ofício de corpo presente", por analogia com o defunto na missa por sua alma. Hoje, esse papel é quase sinónimo de estar vivo. "Não me importaria nada", diz Elizaveta, "de estar três horas por dia numa festa, para ganhar a vida".

Há decerto empregos piores. Mas as festas rendem de maneiras diferentes, para os diversos personagens do sistema. Porque é de um sistema que se trata, bem organizado, com regras claras e eficácia comprovada. As festas são uma componente importante, a placa giratória onde tudo se joga. Depois articulam-se com as revistas cor-de-rosa, os programas de televisão, as agências de modelos, a Moda Lisboa e o Portugal Fashion.

Há um percurso a trilhar e dificilmente se saltam etapas. É preciso estar numa festa, para se ser fotografado e aparecer numa revista. A seguir é-se contratado por uma agência de modelos e, por fim, chega-se à televisão. O sonho supremo já não é a moda, mas sim a televisão e, nesta, ser actor. Não por amor às artes performativas, mas para estar na televisão, que, por sua vez, não é um objectivo profissional, mas um veículo, um veículo para a fama. Esta é verdadeira ambição: ser famoso. E como se consegue? Eis um guia prático.

"Bichos" e "bichas"

"Há três situações, três maneiras de se chegar à fama", explica Duarte Menezes, que é cabeleireiro e conhece a fundo os meandros do mundo das celebridades em Portugal. "A primeira situação é: uma cara bonita, um bocadinho loura, que apareça numa festa com as mamas à mostra. Durante meses só se fala dela." Não falha. Mas é difícil. Tem de se saber jogar. É preciso ser-se convidado para as festas. Há duas maneiras: ou se cai nas boas graças de um relações-públicas (RP), ou se é amigo ou amante de alguém que nos leve.

Os RP são peças-chave. São eles que organizam as festas e distribuem os convites. Elaboram as guests lists, das quais é fundamental constar. A partir daí, o caminho para a fama está aberto. E quem são esses RP? Poucos. Uma dezena, segundo Duarte Menezes. "Digo-lhe já os nomes deles: é a Maya, a Helga Barroso, a Marta Aragão Pinto, a Marta Wahnon..." Eles é que mandam. Decidem quem vai e quem não vai às festas, que podem ser a inauguração de uma loja, o aniversário de uma discoteca, a antestreia de um filme. O motivo pouco importa: é uma festa e é preciso estar lá.

"Há os chamados papa-festas", diz Duarte. "Não falham uma. Estão lá sempre as pessoas do jet-set, modelos. Mas os mais procurados, hoje, são os actores." Estes, actores, modelos e celebridades, são pagos pela "presença" na festa. Os outros são capazes de matar para estarem presentes. "Uma pessoa que apareça nas festas está lançada. Não é preciso ter talento." E quem vai filtrando os candidatos são essas figuras poderosas, que, de certa forma, mandam no país, mesmo sem terem sido eleitas: os RP. "A culpa de haver tanta gente famosa sem nada fazer é dos RP", diz Duarte. Ele, que é cabeleireiro de famosos há mais de 20 anos, faz parte, naturalmente, de todas as guest lists. Pedem-lhe por isso que dê boleias para as festas e eventos. "Mas são as meninas que me procuram, não os rapazes, o que é um paradoxo", brinca ele. "Dizem: "Ó Duarte, eu preciso de aparecer. Faça-me acontecer, Duarte". Eu levo-as duas, três vezes, às festas. À quarta já são convidadas. Depois aparecem nas revistas com jóias que eu lhes emprestei, a dizerem que são da avó." Por vezes é ele próprio, Duarte, a organizar festas. Outras vezes leva as "meninas" a desfiles de moda. "A primeira fila da Moda Lisboa é o lugar fundamental." São as caras que são fotografadas, que aparecem nas revistas. Duarte tem um passe que lhe permite assistir a todos os desfiles, e vai sempre acompanhado. Quatro mulheres hoje muito famosas em Portugal foram lançadas desta maneira, diz o cabeleireiro. Estiveram com ele na primeira fila da Moda Lisboa.

Segundo Duarte, há uma explicação para que muitas raparigas procurem a ajuda de homens homossexuais: assim não serão acusadas de estarem a trocar favores sexuais por promoção. Mas também há rapazes que usam homossexuais mais velhos para se lançarem no circuito das festas e da fama. São geralmente jovens heterossexuais, que não dissuadem o "amigo" gay de se apaixonar por eles, enquanto vão aceitando jantares, viagens e acesso a eventos e pessoas. Alguns são bissexuais, e não se importam de se insinuar junto dos muitos homossexuais influentes que há no mundo da moda. Duarte chama-lhes pejorativamente os "bichos", por oposição à geração mais velha, que tudo fazia por amor ou pura e desinteressada luxúria - as "bichas".

A segunda via para a fama: "Dormir com alguém da bola. Jogador, ex-jogador, etc. Uma rapariga que diga numa revista que já foi para a cama com o Ronaldo tem as portas abertas". É uma estratégia recente, explica o cabeleireiro. Terá começado no Reino Unido, onde a indústria dos tablóides é poderosa. Depois da morte da princesa Diana, as revistas, privadas do seu tema favorito, voltaram-se para o casal Beckham, dando aos futebolistas um estatuto glamoroso que nunca tinham tido. Cá, a prática começou com Cristiano Ronaldo, mas agora qualquer um serve.

Uma terceira via são as festas de caridade, tradicionalmente frequentadas "pelas verdadeiras senhoras de alta sociedade". Podem ser em organizações de beneficência ou em embaixadas, ou organismos como o Banco Alimentar contra a Fome. "Põem um avental e ficam ali a ser fotografadas a cozinhar para os pobrezinhos, enquanto as verdadeiras senhoras se escondem das câmaras."

Mas há mais vias: os programas de televisão, como os Ídolos ou Operação Triunfo, em que é preciso possuir algum talento, e os do tipo do Big Brother, Quinta das Celebridades ou a Casa dos Segredos, para os quais nenhum talento é necessário. Mas também para entrar nestes shows é preciso ter amigos influentes.

Do BB aos Morangos

Foi desde o aparecimento do Big Brother, no ano 2000, na TVI, que as pessoas começaram a pensar que era fácil ser famoso. O marco seguinte foi os Morangos com Açúcar, em 2003. A série da TVI fez nascer uma geração de famosos muito jovens, bonitos e que sabem representar e dançar. Ou parece que sabem. Os Morangos já vão na 8.ª edição e são uma fábrica imparável de famosos, que têm, nas festas, uma cotação superior à dos modelos - exceptuando, talvez, as raparigas que dormiram com o Ronaldo, sugere Mónica Lopes, de 32 anos, que abriu há sete meses uma agência de modelos, a ML.Os agenciados de Mónica fazem vários tipos de trabalhos (uns fazem muitos, outros quase nenhuns) - desfiles, publicidade, serviço de hospedeiras em congressos, presenças. E também representação, nos Morangos. Uma agência de casting, a Plural, pede-lhe jovens para integrarem o elenco. Para papéis de mera figuração, mas também de protagonistas. "Manda-me opções de rapazes e raparigas que tenham bom aspecto, e também algum jeito para representar", dizem eles.

Para preparar os jovens para os castings, Mónica ensina-os ela própria, ou convida professores para umas lições. Mas como entrar nos Morangos e nos concursos de talentos se tornou um objectivo para milhares de jovens de todo o país, proliferam cursos rápidos de representação, de seriedade variável, orientados para as exigências dos castings.

A agência Just, uma das mais prestigiadas no sector da Moda, organiza ela própria um workshop aos fins-de-semana, que inclui noções de teatro e expressão corporal, mas também postura e a chamada "valorização pessoal", que engloba o chamado acting.

"Os actores são o novo boom", diz Vanessa Veloso, proprietária e directora da Just.

Dos Morangos, os que têm mais jeito podem passar para as telenovelas da TVI, e a carreira está assegurada. Alguns fazem mais tarde pequenos cursos de representação, por vezes no estrangeiro, o que lhes dá um certo lustro ao currículo.

"Há alguns anos, as pessoas que não eram muito altas queriam ser modelos fotográficos. Hoje isso acabou. Agora as agências têm os departamentos de Real People e Comerciais. E de actores", explica Vanessa. A Just, como outras agências de moda, tem departamentos de actores, dos quais fazem parte alguns profissionais consagrados. Na maior parte dos casos, porém, o que está a acontecer é que as caras do departamento de modelos transitam para o de actores. Como é esse o percurso mais comum, as agências querem ser elas a controlá-lo. "É natural que os modelos passem a actores. Até por causa da idade, porque a carreira de modelo tem uma duração curta." Os "actores" são depois, é claro, muito solicitados para as festas, para cuja "presença" recebem chorudos cachets. As agências tratam disso.

A fama democratizou-se

"Dantes, em Portugal, o sonho de todos os pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que eles sejam famosos." Dalila Martins, de 59 anos, foi modelo nos anos 80. Mas só depois de ter concluído a licenciatura em Filologia Românica. Já dava aulas quando começou a fazer desfiles. E já tinha tido o primeiro filho. "As prioridades eram outras naquele tempo", explica ela. "Houve uma inversão de valores. Hoje as pessoas vêem a fama como um objectivo em si mesmo. Porque lhes é dada a ilusão de que o podem alcançar sem grande trabalho."

No tempo de Dalila também havia um sistema para se chegar ao estrelato como modelo. "Era preciso conhecer as pessoas certas e ir aos lugares certos." Ela frequentava o Frágil e era amiga do seu proprietário, Manuel Reis, e do cabeleireiro José Carlos. "Era preciso entrar num certo mundo, muito elitista. Hoje, a moda e o mundo dos famosos democratizaram-se."

Dalila continua a ir a festas, bares e restaurantes "da moda", mas não vê lá a "gente da moda". Mudaram de sítios? Passam despercebidos? Como já não constituem uma elite, talvez sejam toda a gente e andem por todo o lado. "Onde é que eles estão? Não os vejo nas festas, nem no Lux os encontro. Acho que já não existem."

23.01.2011 - 13:26 Por Paulo Moura

http://www.publico.pt/Sociedade/um-guia-para-o-starsystem-portugues_1476668?all=1



QUEIXAS CONTRA "DEPOIS DA VIDA"

Queixas contra "Depois da Vida" com Castro levam ERC a notificar TVI

Programa foi emitido pela TVI na sexta-feira, depois da meia-noite, e foi visto por 634 mil pessoas

Para a família, Renato era heterossexual, mas amigos de Carlos Castro garantem que havia uma relação entre os dois
(Pauliana Valente Pimentel/Kameraphoto)
O episódio foi adiado, mas acabou mesmo por ir para o ar. Na sexta-feira passada, depois da meia-noite, a TVI transmitiu o episódio de "Depois da Vida" onde Carlos Castro aparece a falar com a mãe, já falecida. Contactada pelo i, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) disse já ter enviado uma notificação à estação de Queluz a avisá-la da abertura de um processo na sequência das queixas recebidas contra a transmissão do programa. A ERC recebeu quatro queixas que, de acordo, com o presidente, Azeredo Lopes, "não foram indeferidas". A bola está agora do lado do canal, que tem dez dias úteis para se pronunciar, seguindo depois para avaliação do departamento jurídico da ERC.

Em declarações ao i, Azeredo Lopes recusou-se a comentar a avaliação final do Conselho Regulador e garante que não viu o programa. O presidente da ERC não adiantou de quem partiram as queixas, frisando apenas que o conteúdo de todas ela é "basicamente igual", "evocando a violação das normas ligadas às transmissões televisivas" e criticando o timing escolhido. O conselho deverá emitir uma deliberação no prazo de um mês.

O episódio de "Depois da Vida" com Carlos Castro, apresentado por Iva Domingues, foi visto por 634 mil pessoas. Durante a emissão, a médium Anne Germain "falava" com o espírito da mãe do cronista e também com o espírito da transformista Ruth Bryden.

O episódio foi gravado em Outubro e, inicialmente, a transmissão estava prevista para 14 de Janeiro, data que marcava a estreia da terceira temporadado programa. O i avançou, nessa data, que um contacto entre a ERC e o canal esteve na base do adiamento do episódio. Porém, a TVI justificou a alteração da data com a proximidade das cerimónias fúnebres do cronista.

por Cláudia Garcia , Publicado em 24 de Janeiro de 2011

http://www.ionline.pt/conteudo/100129-queixas-contra-depois-da-vida-com-castro-levam-erc-notificar-tvi