BULLYING CRIME PÚBLICO
Tuesday, 1 February 2011
RENATO ARRISCA ACUSAÇÃO DE HOMICÍDIO EM 1º GRAU

O grand jury já decidiu mas a acusação mantém-se secreta até 1 de Fevereiro. Os jurados conhecem os novos resultados da autópsia
Renato só esteve presente na audiência no tribunal criminal por videoconferência (Foto LUCAS JACKSON/reuters)
Renato só esteve presente na audiência no tribunal criminal por videoconferência (Foto LUCAS JACKSON/reuters)
A hipótese de Renato Seabra ser acusado de homicídio em primeiro grau pelo assassinato de Carlos Castro na próxima terça-feira, no Supremo Tribunal de Manhattan (Nova Iorque), é real. O grand jury - o elenco de jurados que já decidiu quais os crimes de que o jovem de Cantanhede será acusado - teve acesso aos resultados da autópsia que não seriam ainda conhecidos quando foi formulada a acusação de homicídio em segundo grau. Se a autópsia confirmar que houve tortura ou abuso sexual antes da morte de Carlos Castro justifica-se a acusação de homicídio em primeiro grau, crime punido com pena de prisão de 25 anos a perpétua e sem possibilidade de liberdade condicional.
"São exames cujos resultados são mais demorados do que os que foram conhecidos na primeira audiência. Os primeiros determinam a causa da morte e as lesões da vítima. Estes dão detalhes mais pormenorizados do crime", explica ao i Tony Castro, advogado e ex-procurador de justiça do Bronx, em Nova Iorque.
Além de poderem existir novos dados médicos, a primeira acusação feita pelo procurador "é um procedimento formal e breve, em que se diz apenas o suficiente para manter o arguido preso", acrescenta Tony Castro. "Naquela data (a audiência por videoconferência foi a 14 de Janeiro), o procurador até já podia dispor de todos os elementos mas não precisava de fazer uma acusação pormenorizada." Ou seja, mesmo que a autópsia já tivesse provado haver motivo para uma acusação de homicídio em primeiro grau, "o procurador sabe que uma acusação de homicídio em segundo grau é suficiente para não haver liberdade sob fiança", esclarece o advogado americano nascido em Ílhavo.
Caso o grand jury - um grupo de 16 a 23 cidadãos norte-americanos - tenha validado a acusação de homicídio em segundo grau, esse não será o único crime de que Renato Seabra será acusado na audiência de terça-feira. No momento em que o juiz proceder à leitura do indictement - a acusação formal do grand jury - serão conhecidos mais pormenores e os outros crimes imputados ao jovem de Cantanhede. "Podemos estar a falar, por exemplo, do crime de ofensa à integridade física ou, até, do crime de posse de arma se os jurados se concentrarem no uso do saca-rolhas", adianta Tony Castro.
A acusação da procuradoria tem de ser validada por um tribunal de júri no sistema judicial americano. O grupo de cidadãos tem acesso aos argumentos e às provas da acusação. Só depois confirma se as provas são suficientes para levar o arguido a julgamento e quais os crimes de que será formalmente acusado.
Tecnicamente, Renato Seabra poderia ter sido ouvido pelo grand jury antes de ser votada uma acusação. Porém, o seu advogado, embora pudesse estar presente, não poderia defendê-lo: "O arguido tem esse direito mas normalmente não se apresenta [perante o grand jury] porque é um sistema que favorece o procurador de justiça", explica Tony Castro.
por Sílvia Caneco, Publicado em 28 de Janeiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/101124-renato-seabra-arrisca-acusacao-homicidio-em-1-grau
"São exames cujos resultados são mais demorados do que os que foram conhecidos na primeira audiência. Os primeiros determinam a causa da morte e as lesões da vítima. Estes dão detalhes mais pormenorizados do crime", explica ao i Tony Castro, advogado e ex-procurador de justiça do Bronx, em Nova Iorque.
Além de poderem existir novos dados médicos, a primeira acusação feita pelo procurador "é um procedimento formal e breve, em que se diz apenas o suficiente para manter o arguido preso", acrescenta Tony Castro. "Naquela data (a audiência por videoconferência foi a 14 de Janeiro), o procurador até já podia dispor de todos os elementos mas não precisava de fazer uma acusação pormenorizada." Ou seja, mesmo que a autópsia já tivesse provado haver motivo para uma acusação de homicídio em primeiro grau, "o procurador sabe que uma acusação de homicídio em segundo grau é suficiente para não haver liberdade sob fiança", esclarece o advogado americano nascido em Ílhavo.
Caso o grand jury - um grupo de 16 a 23 cidadãos norte-americanos - tenha validado a acusação de homicídio em segundo grau, esse não será o único crime de que Renato Seabra será acusado na audiência de terça-feira. No momento em que o juiz proceder à leitura do indictement - a acusação formal do grand jury - serão conhecidos mais pormenores e os outros crimes imputados ao jovem de Cantanhede. "Podemos estar a falar, por exemplo, do crime de ofensa à integridade física ou, até, do crime de posse de arma se os jurados se concentrarem no uso do saca-rolhas", adianta Tony Castro.
A acusação da procuradoria tem de ser validada por um tribunal de júri no sistema judicial americano. O grupo de cidadãos tem acesso aos argumentos e às provas da acusação. Só depois confirma se as provas são suficientes para levar o arguido a julgamento e quais os crimes de que será formalmente acusado.
Tecnicamente, Renato Seabra poderia ter sido ouvido pelo grand jury antes de ser votada uma acusação. Porém, o seu advogado, embora pudesse estar presente, não poderia defendê-lo: "O arguido tem esse direito mas normalmente não se apresenta [perante o grand jury] porque é um sistema que favorece o procurador de justiça", explica Tony Castro.
por Sílvia Caneco, Publicado em 28 de Janeiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/101124-renato-seabra-arrisca-acusacao-homicidio-em-1-grau
RENATO E CARLOS: DUAS ILUSÕES

Amar para morrer em NYC. A história de duas ilusões
Castro teve uma relação sem intimidade sexual e mandava um detective privado investigar a vida de namorados e amigos
Cumpriu-se a vontade do cronista: as suas cinzas ficaram em Nova Iorque. Os restos mortais, aqui nas mãos da irmã de Castro, acabariam depositados no respiradouro do metro daquela cidade
No último dia de Dezembro, o detective privado Mário Costa enviou um sms a Carlos Castro. "Atenção que na ''Penthouse'' portuguesa, página 90, vem lá um porco a falar cobras e lagartos de ti." Estranhou o silêncio - o habitual era o cronista responder quase de imediato - e ligou-lhe no dia seguinte. Em Nova Iorque, Castro desvalorizou a história da revista e preferiu concentrar-se num plano futuro: "Ainda bem que telefona. Quando chegar a Lisboa quero logo falar consigo."
Há anos que o cronista e o detective trocavam favores. Mário Costa servia-se de Carlos Castro para obter informações de gente do meio da moda e do jet-set: "Não havia melhor informador do que ele. Sabia tudo de toda aquela gente". Em troca, Castro mandava investigar os namorados ou amigos quando suspeitava de alguma traição. "Queria saber se o traíam, que vida levavam ou o que diziam dele nas suas costas", conta ao i Mário Costa. No que respeita aos envolvimentos amorosos, Carlos Castro cometia um erro crasso, na perspectiva do detective: "Chamei-o burro tantas vezes. Só vinha ter comigo quando as relações estavam à beira da ruptura."
A necessidade de controlar a vida dos que o rodeavam não espantava os amigos mais próximos, que reconheciam nele "um homem de paixões intensas e fulminantes", das quais saía quase sempre destroçado e com tendências de suicídio. Castro, que nunca se envolveu sexualmente com uma mulher, deixava-se atrair pela beleza dos homens entre os 20 e os 30 anos, pela sua força e masculinidade. Quando se apaixonava era dedicado e fiel e o seu lado romântico superava as leis da atracção dos corpos. Um amigo contou ao i uma confidência que Castro lhe fez: na relação que manteve com um GNR "não chegou a existir intimidade sexual. "O GNR dizia-lhe que não estava preparado para partir para uma relação física homossexual. E o Carlos, como gostava dele, esperava."
Os amigos duvidam que tenha acontecido o mesmo com o manequim de Cantanhede, Renato Seabra. Cláudio Montez, o amigo mais próximo e que nos últimos meses transportava Carlos Castro para todo o lado, diz não poder contar tudo o que sabe por ser testemunha no processo em Nova Iorque, mas põe a questão de outra forma: "Alguém, nos dias que correm, aguenta isso dormindo três meses na mesma cama?"
O cronista Flávio Furtado recorda que o autor de "Solidão Povoada'' "escolhia bem as pessoas de quem se aproximava". "Cheguei a ver muitos pedidos de amizade no seu Facebook e ele só adicionava quem queria - tinha pouco mais de 300 amigos. Na fila da frente de uma edição da Moda Lisboa, chegou a mostrar-me mensagens com piropos enviadas por jovens que estavam nas filas de trás." Além dos ciúmes, Castro deixava-se consumir pelo medo de ser assassinado. "Se havia alguém que lhe enviava um email mais exaltado ele queria logo apresentar queixa porque pensava que era uma ameaça", recorda Flávio Furtado. Apesar da língua afiada, era o mais bondoso do seu grupo de amigos. Numa ocasião, quando estava a tratar da organização de um espectáculo, propôs o nome de uma amiga cantora de meia idade que estava sem dinheiro e a precisar de um frigorífico. A cantora não foi contratada. Carlos Castro comprou-lhe o electrodoméstico e levou-o a casa.
A vida e a morte Carlos Castro volta a ser um adolescente. No 22.o andar das Twin Towers, na noite de Natal, o cronista dá pulos eufóricos na cadeira. Já recebeu um telefonema de Odília Pereirinha, mãe de Renato, a agradecer o que tem feito pelo filho e os presentes que deu à família - Renato, mãe, irmã, cunhado e avó. Estão mais seis pessoas à mesa e chega um sms do manequim: "Já tomaste o leitinho?" Castro, deslumbrado, confidencia aos amigos ter encontrado "a alma gémea". Cláudio Montez e Guilherme de Melo, que conheciam de cor outras paixões frustradas do amigo, tentam trazê-lo à terra. "Crias um mundo imaginário à tua volta e depois eu sei como é o fim disto tudo. Entras em depressão, queres morrer e fazes a nossa vida um inferno", diz-lhe Guilherme. "Desta vez não vai ser assim. O Renato adora-me", responde Castro.
Minutos depois chega outro sms de Renato. "Reparei agora nas horas, mediste a tensão? Sei que estou a ser chato, mas sabes que te adoro." Castro não tinha pudor em mostrar as mensagens aos amigos, como se precisasse de uma prova para sustentar a sua crença: "O rapaz passa a vida a dizer que me adora, acho que isto é para a vida." Cláudio Montez e Guilherme de Melo encolhem os ombros. Castro remata, convencidíssimo: "Ele ama-me."
Treze dias depois, Renato sai do hotel, em Times Square, após tomar o pequeno--almoço, enquanto Carlos Castro fica no Intercontinental a responder a um inquérito da revista "Pública". No quarto do 34.o andar, Castro pensava "ir almoçar uma salada verdinha". Respondia estar a viver "o primeiro e grande momento da sua vida" e que gostaria de morrer "agarrado ternamente" a esse momento. À mesma hora, num restaurante a dez minutos do hotel, segundo avançou o "Sol", Renato pedia o telemóvel a uma desconhecida e ligava à mãe a pedir ajuda para regressar a casa. Odília terá sido a última a ouvir a voz de Castro, quando este lhe liga a avisar que o filho já chegou à suite. Depois de uma discussão, Renato asfixia-o. Esmurra-o, partindo-lhe um osso hióide que suporta os músculos da língua. Espezinha-o, deixando a sola do sapato marcada com sangue no rosto do cronista. Castro já está morto, mas Renato pontapeia-o e depois de espetar um saca-rolhas aleatoriamente em várias partes do corpo nu, rasga-lhe os testículos. Renato deixou-se de ilusões: já não acreditava que Carlos Castro podia ser o passaporte para a carreira.
Como confidenciam alguns amigos, Castro "já não tinha o poder de outrora". Era um romântico e só nesse momento terá percebido que era ilusão acreditar que o rapaz de 21 anos era "a outra metade da laranja". "Ele iludiu o Carlos e provavelmente o Carlos também o iludiu", avança Maya, amiga de Castro. 14h de Nova Iorque (19h em Lisboa) - hora do óbito - é a hora em que se desfazem duas ilusões.
por Sílvia Caneco, Publicado em 17 de Janeiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/98855-amar-morrer-em-nyc-historia-duas-ilusoes
Castro teve uma relação sem intimidade sexual e mandava um detective privado investigar a vida de namorados e amigos
Cumpriu-se a vontade do cronista: as suas cinzas ficaram em Nova Iorque. Os restos mortais, aqui nas mãos da irmã de Castro, acabariam depositados no respiradouro do metro daquela cidade
No último dia de Dezembro, o detective privado Mário Costa enviou um sms a Carlos Castro. "Atenção que na ''Penthouse'' portuguesa, página 90, vem lá um porco a falar cobras e lagartos de ti." Estranhou o silêncio - o habitual era o cronista responder quase de imediato - e ligou-lhe no dia seguinte. Em Nova Iorque, Castro desvalorizou a história da revista e preferiu concentrar-se num plano futuro: "Ainda bem que telefona. Quando chegar a Lisboa quero logo falar consigo."
Há anos que o cronista e o detective trocavam favores. Mário Costa servia-se de Carlos Castro para obter informações de gente do meio da moda e do jet-set: "Não havia melhor informador do que ele. Sabia tudo de toda aquela gente". Em troca, Castro mandava investigar os namorados ou amigos quando suspeitava de alguma traição. "Queria saber se o traíam, que vida levavam ou o que diziam dele nas suas costas", conta ao i Mário Costa. No que respeita aos envolvimentos amorosos, Carlos Castro cometia um erro crasso, na perspectiva do detective: "Chamei-o burro tantas vezes. Só vinha ter comigo quando as relações estavam à beira da ruptura."
A necessidade de controlar a vida dos que o rodeavam não espantava os amigos mais próximos, que reconheciam nele "um homem de paixões intensas e fulminantes", das quais saía quase sempre destroçado e com tendências de suicídio. Castro, que nunca se envolveu sexualmente com uma mulher, deixava-se atrair pela beleza dos homens entre os 20 e os 30 anos, pela sua força e masculinidade. Quando se apaixonava era dedicado e fiel e o seu lado romântico superava as leis da atracção dos corpos. Um amigo contou ao i uma confidência que Castro lhe fez: na relação que manteve com um GNR "não chegou a existir intimidade sexual. "O GNR dizia-lhe que não estava preparado para partir para uma relação física homossexual. E o Carlos, como gostava dele, esperava."
Os amigos duvidam que tenha acontecido o mesmo com o manequim de Cantanhede, Renato Seabra. Cláudio Montez, o amigo mais próximo e que nos últimos meses transportava Carlos Castro para todo o lado, diz não poder contar tudo o que sabe por ser testemunha no processo em Nova Iorque, mas põe a questão de outra forma: "Alguém, nos dias que correm, aguenta isso dormindo três meses na mesma cama?"
O cronista Flávio Furtado recorda que o autor de "Solidão Povoada'' "escolhia bem as pessoas de quem se aproximava". "Cheguei a ver muitos pedidos de amizade no seu Facebook e ele só adicionava quem queria - tinha pouco mais de 300 amigos. Na fila da frente de uma edição da Moda Lisboa, chegou a mostrar-me mensagens com piropos enviadas por jovens que estavam nas filas de trás." Além dos ciúmes, Castro deixava-se consumir pelo medo de ser assassinado. "Se havia alguém que lhe enviava um email mais exaltado ele queria logo apresentar queixa porque pensava que era uma ameaça", recorda Flávio Furtado. Apesar da língua afiada, era o mais bondoso do seu grupo de amigos. Numa ocasião, quando estava a tratar da organização de um espectáculo, propôs o nome de uma amiga cantora de meia idade que estava sem dinheiro e a precisar de um frigorífico. A cantora não foi contratada. Carlos Castro comprou-lhe o electrodoméstico e levou-o a casa.
A vida e a morte Carlos Castro volta a ser um adolescente. No 22.o andar das Twin Towers, na noite de Natal, o cronista dá pulos eufóricos na cadeira. Já recebeu um telefonema de Odília Pereirinha, mãe de Renato, a agradecer o que tem feito pelo filho e os presentes que deu à família - Renato, mãe, irmã, cunhado e avó. Estão mais seis pessoas à mesa e chega um sms do manequim: "Já tomaste o leitinho?" Castro, deslumbrado, confidencia aos amigos ter encontrado "a alma gémea". Cláudio Montez e Guilherme de Melo, que conheciam de cor outras paixões frustradas do amigo, tentam trazê-lo à terra. "Crias um mundo imaginário à tua volta e depois eu sei como é o fim disto tudo. Entras em depressão, queres morrer e fazes a nossa vida um inferno", diz-lhe Guilherme. "Desta vez não vai ser assim. O Renato adora-me", responde Castro.
Minutos depois chega outro sms de Renato. "Reparei agora nas horas, mediste a tensão? Sei que estou a ser chato, mas sabes que te adoro." Castro não tinha pudor em mostrar as mensagens aos amigos, como se precisasse de uma prova para sustentar a sua crença: "O rapaz passa a vida a dizer que me adora, acho que isto é para a vida." Cláudio Montez e Guilherme de Melo encolhem os ombros. Castro remata, convencidíssimo: "Ele ama-me."
Treze dias depois, Renato sai do hotel, em Times Square, após tomar o pequeno--almoço, enquanto Carlos Castro fica no Intercontinental a responder a um inquérito da revista "Pública". No quarto do 34.o andar, Castro pensava "ir almoçar uma salada verdinha". Respondia estar a viver "o primeiro e grande momento da sua vida" e que gostaria de morrer "agarrado ternamente" a esse momento. À mesma hora, num restaurante a dez minutos do hotel, segundo avançou o "Sol", Renato pedia o telemóvel a uma desconhecida e ligava à mãe a pedir ajuda para regressar a casa. Odília terá sido a última a ouvir a voz de Castro, quando este lhe liga a avisar que o filho já chegou à suite. Depois de uma discussão, Renato asfixia-o. Esmurra-o, partindo-lhe um osso hióide que suporta os músculos da língua. Espezinha-o, deixando a sola do sapato marcada com sangue no rosto do cronista. Castro já está morto, mas Renato pontapeia-o e depois de espetar um saca-rolhas aleatoriamente em várias partes do corpo nu, rasga-lhe os testículos. Renato deixou-se de ilusões: já não acreditava que Carlos Castro podia ser o passaporte para a carreira.
Como confidenciam alguns amigos, Castro "já não tinha o poder de outrora". Era um romântico e só nesse momento terá percebido que era ilusão acreditar que o rapaz de 21 anos era "a outra metade da laranja". "Ele iludiu o Carlos e provavelmente o Carlos também o iludiu", avança Maya, amiga de Castro. 14h de Nova Iorque (19h em Lisboa) - hora do óbito - é a hora em que se desfazem duas ilusões.
por Sílvia Caneco, Publicado em 17 de Janeiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/98855-amar-morrer-em-nyc-historia-duas-ilusoes
JULGAMENTO DE RENATO PODERÁ SER EVITADO
Acusação pode fazer a vontade à família de Castro e evitar julgamento
Irmãs de Castro já disseram preferir que não haja julgamento. Em Nova Iorque, o procurador leva em conta a opinião da família da vítima
Irmãs de Castro já disseram preferir que não haja julgamento. Em Nova Iorque, o procurador leva em conta a opinião da família da vítima
Desenho de Renato Seabra durante a audiência em Nova Iorque. O jovem de 21 anos foi acusado pelo Tribunal Criminal de Manhattan de homicídio em segundo grauSe a família de Carlos Castro continuar firme na vontade de que não haja julgamento, a defesa de Renato Seabra pode somar pontos a seu favor. Como os procuradores de justiça em Nova Iorque têm em consideração a opinião da família da vítima, o mais provável é que o procurador faça a vontade e resolva o caso através de negociações e sem julgamento público. "É muito provável que o procurador encarregue do caso queira ouvir a família de Carlos Castro e saber que rumo pretendem os familiares que o caso tome", adiantou ao i Tony Castro, com base na sua experiência como procurador de justiça do condado do Bronx, em Nova Iorque, durante 14 anos.
"Em Nova Iorque não se olha para o crime como um acto cometido somente contra uma vítima. Há uma noção muito forte de que um crime é um atentado também contra a família da vítima e o próprio estado, que se sente lesado por o crime ter ocorrido dentro do seu território", acrescenta o advogado.
Durante a estada em Nova Iorque após a morte de Carlos Castro, as irmãs Maria Amélia e Fernanda Castro expressaram ao jornal "lusoamericano" a vontade de "que se faça justiça, se possível sem julgamento". "A coisa que mais gostava era que não houvesse julgamento", acrescentou Fernanda Castro, confiante numa declaração formal de culpa por parte de Renato Seabra.
A confissão oficial de culpa por Renato Seabra não vai chegar hoje. O advogado de defesa David Touger já confirmou a tese avançada ontem ao i por Tony Castro: Renato Seabra vai declarar-se ''not guilty'' quando se apresentar ao juiz, hoje, no Supremo Tribunal de Nova Iorque, em Manhattan.
No entanto, o mais provável é que Renato Seabra se assuma "culpado" antes da data do julgamento - que deverá começar dentro de seis meses a um ano. Basta olhar para os números para adiantar o cenário mais provável: 95% dos casos de homicídio no estado de Nova Iorque são resolvidos através de negociações e por mútuo acordo entre o advogado de defesa e o procurador de justiça responsável pelo caso; só 5% chegam, de facto, a julgamento público. Num caso como este, o julgamento deveria durar "pelo menos um mês", adianta Tony Castro.
O ex-procurador de justiça em Nova Iorque explica não serem raras as vezes em que, neste tipo de casos, a família da vítima expressa a vontade de evitar um julgamento: por ser público e demorado e obrigar à audição de testemunhas, o julgamento potencia a revelação de pormenores das vidas íntimas quer do réu quer da vítima.
"Em casos que envolvem sexualidade, é muito comum a família pretender que a arca dos segredos permaneça fechada. Se houver julgamento, serão revelados publicamente alguns pormenores que são embaraçosos, indiscretos ou que causam vergonha", afirma Tony Castro.
Se o caso não seguir para julgamento, as provas apresentadas pela acusação e pela defesa de Renato Seabra para tentar atenuar o tipo de crime e os anos de pena permanecem secretas.
Nesta fase de negociações, se a família de Carlos Castro mantiver a vontade de evitar julgamento, e essa vontade for conhecida pelo procurador, "isso vai ajudar a defesa do Renato a negociar uma sentença", esclarece o advogado Tony Castro.
por Sílvia Caneco, Publicado em 01 de Fevereiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/101859-acusacao-pode-fazer-vontade--familia-castro-e-evitar-julgamento
"Em Nova Iorque não se olha para o crime como um acto cometido somente contra uma vítima. Há uma noção muito forte de que um crime é um atentado também contra a família da vítima e o próprio estado, que se sente lesado por o crime ter ocorrido dentro do seu território", acrescenta o advogado.
Durante a estada em Nova Iorque após a morte de Carlos Castro, as irmãs Maria Amélia e Fernanda Castro expressaram ao jornal "lusoamericano" a vontade de "que se faça justiça, se possível sem julgamento". "A coisa que mais gostava era que não houvesse julgamento", acrescentou Fernanda Castro, confiante numa declaração formal de culpa por parte de Renato Seabra.
A confissão oficial de culpa por Renato Seabra não vai chegar hoje. O advogado de defesa David Touger já confirmou a tese avançada ontem ao i por Tony Castro: Renato Seabra vai declarar-se ''not guilty'' quando se apresentar ao juiz, hoje, no Supremo Tribunal de Nova Iorque, em Manhattan.
No entanto, o mais provável é que Renato Seabra se assuma "culpado" antes da data do julgamento - que deverá começar dentro de seis meses a um ano. Basta olhar para os números para adiantar o cenário mais provável: 95% dos casos de homicídio no estado de Nova Iorque são resolvidos através de negociações e por mútuo acordo entre o advogado de defesa e o procurador de justiça responsável pelo caso; só 5% chegam, de facto, a julgamento público. Num caso como este, o julgamento deveria durar "pelo menos um mês", adianta Tony Castro.
O ex-procurador de justiça em Nova Iorque explica não serem raras as vezes em que, neste tipo de casos, a família da vítima expressa a vontade de evitar um julgamento: por ser público e demorado e obrigar à audição de testemunhas, o julgamento potencia a revelação de pormenores das vidas íntimas quer do réu quer da vítima.
"Em casos que envolvem sexualidade, é muito comum a família pretender que a arca dos segredos permaneça fechada. Se houver julgamento, serão revelados publicamente alguns pormenores que são embaraçosos, indiscretos ou que causam vergonha", afirma Tony Castro.
Se o caso não seguir para julgamento, as provas apresentadas pela acusação e pela defesa de Renato Seabra para tentar atenuar o tipo de crime e os anos de pena permanecem secretas.
Nesta fase de negociações, se a família de Carlos Castro mantiver a vontade de evitar julgamento, e essa vontade for conhecida pelo procurador, "isso vai ajudar a defesa do Renato a negociar uma sentença", esclarece o advogado Tony Castro.
por Sílvia Caneco, Publicado em 01 de Fevereiro de 2011
http://www.ionline.pt/conteudo/101859-acusacao-pode-fazer-vontade--familia-castro-e-evitar-julgamento
Monday, 31 January 2011
DEFESA: RENATO FOI ILUDIDO

Renato Seabra: Defesa deverá alegar que foi iludido por falsas promessas
O advogado David Touger deverá basear-se no facto de Carlos Castro ter usado a sua posição económica e social para 'seduzir' o jovem modelo.
Detido pelo homicídio de Carlos Castro, de 65 anos, Renato Seabra, de 21, pode enfrentar prisão perpétua. O advogado contratado pela família para a defesa do jovem modelo, David Touger, vai alegar que este foi "iludido por falsas promessas de ser apresentado a pessoas influentes", escreve o Correio da Manhã, citando uma fonte próxima que acrescenta que o criminalista quer "provar que Carlos Castro usava ascendente económico e social para segurar relação". De referir que antes da viagem para Nova Iorque, os dois já tinham ido juntos para Londres e Madrid, no intuito de estabelecer contactos com pessoas influentes no mundo da moda e lançar a carreira de Renato Seabra, o que nunca se concretizou. E terão sido justamente essas "promessas falsas de uma carreira internacional" que levaram o finalista do programa À Procura do Sonho a acompanhar o cronista social.
A fim de corroborar esta tese, a defesa pretende usar o facto de Carlos Castro alegadamente ter enganado o manequim ao dizer-lhe que ia fazer uma sessão fotográfica para promover roupa interior e fatos de banho da Marvel, o que, sabe-se agora, não corresponderá à verdade, uma vez que o fotógrafo revelou que o trabalho lhe foi pedido e pago pelo próprio cronista social. À família, Renato Seabra explicou que se tratou de um casting, pelo qual tinha recebido 1100 euros, adianta ao diário o cunhado, José Malta.
Entretanto, em Cantanhede, um grupo de amigos de Renato Seabra criou a associação Estrela de Afectos, que "tem como objecto principal apoiar famílias cujos familiares se encontram a responder em processos judiciais no estrangeiro", pode ler-se na página do Facebook da organização. Entre outros movimentos de apoio, foi também criada uma petição pública online a pedir a extradição do jovem modelo para Portugal, que já conta com mais de 4 mil assinaturas.
Odília Pereirinha fez questão de agradecer publicamente o apoio que tem sido demonstrado, enviando uma mensagem ao Diário de Coimbra. "Queria também manifestar a minha gratidão à população de Cantanhede, que neste momento difícil se uniu à nossa causa", escreveu. A mãe de Renato está já a preparar o regresso a Nova Iorque, tal como adiantou José Malta ao Correio da Manhã: "A mãe vai regressar aos Estados Unidos assim que tiver possibilidade. A preocupação dela é fazer companhia ao filho. Estar perto dele".
http://aeiou.caras.pt/renato-seabra-defesa-devera-alegar-que-foi-iludido-por-falsas-promessas=f35306
O advogado David Touger deverá basear-se no facto de Carlos Castro ter usado a sua posição económica e social para 'seduzir' o jovem modelo.
Detido pelo homicídio de Carlos Castro, de 65 anos, Renato Seabra, de 21, pode enfrentar prisão perpétua. O advogado contratado pela família para a defesa do jovem modelo, David Touger, vai alegar que este foi "iludido por falsas promessas de ser apresentado a pessoas influentes", escreve o Correio da Manhã, citando uma fonte próxima que acrescenta que o criminalista quer "provar que Carlos Castro usava ascendente económico e social para segurar relação". De referir que antes da viagem para Nova Iorque, os dois já tinham ido juntos para Londres e Madrid, no intuito de estabelecer contactos com pessoas influentes no mundo da moda e lançar a carreira de Renato Seabra, o que nunca se concretizou. E terão sido justamente essas "promessas falsas de uma carreira internacional" que levaram o finalista do programa À Procura do Sonho a acompanhar o cronista social.
A fim de corroborar esta tese, a defesa pretende usar o facto de Carlos Castro alegadamente ter enganado o manequim ao dizer-lhe que ia fazer uma sessão fotográfica para promover roupa interior e fatos de banho da Marvel, o que, sabe-se agora, não corresponderá à verdade, uma vez que o fotógrafo revelou que o trabalho lhe foi pedido e pago pelo próprio cronista social. À família, Renato Seabra explicou que se tratou de um casting, pelo qual tinha recebido 1100 euros, adianta ao diário o cunhado, José Malta.
Entretanto, em Cantanhede, um grupo de amigos de Renato Seabra criou a associação Estrela de Afectos, que "tem como objecto principal apoiar famílias cujos familiares se encontram a responder em processos judiciais no estrangeiro", pode ler-se na página do Facebook da organização. Entre outros movimentos de apoio, foi também criada uma petição pública online a pedir a extradição do jovem modelo para Portugal, que já conta com mais de 4 mil assinaturas.
Odília Pereirinha fez questão de agradecer publicamente o apoio que tem sido demonstrado, enviando uma mensagem ao Diário de Coimbra. "Queria também manifestar a minha gratidão à população de Cantanhede, que neste momento difícil se uniu à nossa causa", escreveu. A mãe de Renato está já a preparar o regresso a Nova Iorque, tal como adiantou José Malta ao Correio da Manhã: "A mãe vai regressar aos Estados Unidos assim que tiver possibilidade. A preocupação dela é fazer companhia ao filho. Estar perto dele".
http://aeiou.caras.pt/renato-seabra-defesa-devera-alegar-que-foi-iludido-por-falsas-promessas=f35306
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