Friday, 4 February 2011

OS PRÓXIMOS PASSOS DA DEFESA DE RENATO SEABRA

Estratégia

Os próximos passos da defesa de Renato Seabra

Advogado de Renato Seabra vai investigar personalidade de Carlos Castro. David Touger tem duas semanas para apresentar moções que fragilizem a acusação contra o manequim e para continuar a procurar pormenores sobre a vida do cronista social.

Renato Seabra tem pouco tempo para se defender em tribunal. Tony Castro, ex-procurador de Justiça do Bronx, Nova Iorque, explica ao DN que o requerimento a apresentar pelo advogado de defesa do manequim, David Touger, deverá ser entregue "dentro de cerca de duas semanas". Isto porque o tempo restante até 4 de Março vai "servir para a Procuradora [Maxine Rosenthal] responder às moções apresentadas pela defesa", explica este especialista.

Para lá do percurso natural do processo, este procurador luso-descendente levanta o véu sobre a provável estratégia de David Touger: "O advogado de defesa deve continuar a adquirir toda a informação sobre Carlos Castro para ver se consegue descobrir algo sobre a personalidade dele, no sentido de explicar como era antes de suceder o crime."

Paul da Silva, advogado criminologista a exercer profissão nos Estados Unidos da América, também se coloca na pele de defensor de Renato Seabra. "A esta altura, eu já estaria a contratar um médico para analisar o estado mental e psiquiátrico do Renato aquando do homicídio. Da maneira como foi cometido o crime, que foi violento, fora do comum e com tantos contornos íntimos, isso dava-me a indicação de que ele estava a ser torturado", adianta. Este causídico apostaria nesta linha de defesa porque "tal daria grande possibilidade de redução da culpabilidade do Renato e da pena".

Paul da Silva sustenta ainda que é prioritário "estar em contacto permanente com a procuradora para obter um negócio para a pena".

Os pormenores da estratégia que o defensor do jovem modelo vai apresentar continuam por revelar, uma vez que David Touger se mantém incontactável, enquanto Paula Fernandes, a representante legal de Renato Seabra em Portugal, se mostra indisponível.

No entanto, quer para Tony Castro quer para Paul da Silva, parece ser possível antecipar as moções da defesa que deverão ser apresentadas no Supremo Tribunal de Nova Iorque.

O primeiro requerimento da defesa a entregar é, para ambos, a que permite pôr em causa a confissão, debilitando assim a acusação através da supressão das declarações, identificação e provas recolhidas junto de Renato.

Tony Castro não acredita que o juiz aceite esta moção e lhe dê provimento no dia em que a audiência tiver lugar, a 4 de Março. "Tenho quase a certeza de que ele vai negar esse pedido, mas pode querer marcar nova sessão em tribunal, que pode ser dentro de um mês ou mais. Aí, o advogado de defesa vai poder apresentar testemunhas e provas que beneficiem Renato Seabra", antecipa.

Para já, este ex-procurador optava por acrescentar uma outra moção: a que anula a acusação de homicídio em segundo grau, proferida pelo grande júri. E tudo faria para manter o manequim internado na ala prisional do Hospital Psiquiátrico de Bellevue. "Quando os psiquiatras decidirem que Renato já tem condições para ir para Rikers Island [prisão], o advogado pode pedir nova avaliação e fazer com que ele continue internado. Quanto mais tempo ele estiver no hospital, mais benéfico será para a defesa", recorda.

Paul da Silva concorda com o colega, mas diz que caso fosse ele a defender o manequim de Cantanhede apresentaria já uma moção para declarar insanidade temporária do arguido. "É raro um juiz aceitar, mas é possível", arrisca.

por CARLA BERNARDINO

http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1775567&page=-1


RENATO 23 HORAS ISOLADO


Renato passa 23 horas trancado na cela

Sozinho, num espaço apertado e sem janelas, Renato Seabra passa a maior parte do tempo fechado à chave. Resta ao jovem modelo, detido na ala prisional do Bellevue Hospital, em Nova Iorque, pelo homicídio de Carlos Castro, uma hora por dia para andar pelos corredores lacados de branco. Sempre de mãos algemadas, sob o olhar atento dos guardas. "Tem uma hora para esticar as pernas, é o máximo de exercício que pode fazer dentro daquela ala", adianta ao CM uma fonte hospitalar.

Isolado do mundo, agora sem as visitas da mãe – de terça a sábado –, que teve de regressar ao trabalho de enfermeira em Cantanhede, a única presença na vida de Renato, além dos médicos que o acompanham, são os guardas que passam pela sua cela a cada 15 ou 30 minutos. Só para verificar que esteja bem e que não tenha tentado magoar-se. São esses homens que o jovem chama, batendo na porta, se precisar de alguma coisa.

As três refeições diárias, pequeno-almoço, almoço e jantar, são servidas no próprio quarto, onde também lhe são entregues os medicamentos que deve tomar. Os agentes do Departamento de Correcção que circulam continuamente pelos corredores certificam-se de que Renato toma os remédios prescritos pelos médicos.

Para manter a segurança dos reclusos e de si próprios, os agentes prisionais andam sem armas, que entregam à entrada da ala, num espaço entre duas portas gradeadas.

A única outra oportunidade que Renato tem para sair da cela é durante a única visita que está autorizado a receber durante os dias estipulados. Para receber o visitante Renato é acompanhado a uma sala onde fica algemado e sempre sob a vigilância de um guarda prisional.

"ESTÁ MAIS MAGRO E EM BAIXO"

O "Renato está mais magro, muito em baixo e psicologicamente abatido", refere ao CM Diogo Silva, presidente da Associação Estrela d’Afecto, que apoia a família do manequim, comentando as fotografias do seu amigo captadas no Supremo Tribunal de Nova Iorque.

"Ainda não consegui falar com ele. Sei que já me tentou ligar, mas infelizmente não tinha o telemóvel comigo", lamentou o jovem, adiantando que a viagem aos EUA que alguns amigos pensavam fazer no final deste mês, está, pelo menos por agora, adiada.

"Para já somos nove pessoas concentradas em promover a associação. Temos tido muito trabalho e várias solicitações de pessoas que querem apoiar a nossa causa", explicou o amigo de Renato Seabra.

CONFISSÃO À POLÍCIA

"O acusado afirmou que matou Carlos Castro. O acusado afirmou que chegou a Nova Iorque a 29 de Dezembro de 2010, com Carlos. O acusado afirmou que a 7 de Janeiro de 2011, dentro do quarto 3416, ele e Carlos começaram uma discussão que acabou numa altercação física.

O acusado afirmou que agarrou Carlos pelo pescoço, por trás, e arrastou-o para o chão enquanto aplicava pressão na traqueia. O acusado afirmou que esfaqueou Carlos com um saca-rolhas na zona da virilha e na cara. O acusado afirmou que atirou com um monitor de um computador à cabeça de Carlos e que lhe pisou a cara calçado com sapatos.

O acusado afirmou que atacou Carlos por pelo menos uma hora. O acusado afirmou que então despiu as roupas que estava a usar, tomou um duche, vestiu um fato e saiu do quarto. O acusado afirmou que encontrou a amiga de Carlos (referida pelo nome) e a filha dela, e que perguntaram onde estava Carlos e porque é que ele não estava a responder às inúmeras chamadas.

O acusado afirmou que foi muito evasivo e que tentou sair mas elas continuaram a questioná-lo sobre o paradeiro de Carlos e em que quarto ele estava. O acusado então disse-lhes que Carlos estava no quarto e deu-lhes o número do quarto e saiu do hotel.

O acusado afirmou que vagueou nas redondezas por um pouco e então apanhou um táxi em Penn Station. O acusado afirmou que o condutor o levou até ao Hospital St. Luke’s Roosevelt."

04-02-2011

http://www.vidas.xl.pt/noticia.aspx?channelId=83c1118f-0a09-426d-88d0-7a0980df951a&contentId=9d3260f1-cdad-4055-82df-063fab569969

Thursday, 3 February 2011

FAMÍLIA DE CASTRO ENVIA NOVOS ELEMENTOS DE PROVA À ACUSAÇÃO

Família de Carlos Castro enviou novos elementos de prova à acusação

Além dos objectos recolhidos no quarto de hotel, a procuradora tem em sua posse material que estava no apartamento do cronista em Lisboa.

Renato Seabra à saída do Supremo Tribunal onde foi acusado de homicídio simples (Foto LUCAS JACKSON/reuters 1/1)

A procuradora de justiça encarregue do caso do homicídio de Carlos Castro já tem em sua posse novos elementos de prova, enviados de Portugal. A acusação pediu à família o envio de objectos pessoais que estavam no apartamento do cronista, nas Twin Towers, em Lisboa, e juntou-os a outros elementos de prova, como a confissão de Renato Seabra à polícia de Nova Iorque e os objectos recolhidos pelos investigadores na suite do hotel Intercontinental, onde Carlos Castro e o manequim estavam hospedados.

"Há novos elementos a juntar aos que já existiam: material que nos foi pedido pela procuradora", adiantou ao i Cláudio Montez, amigo de Carlos Castro e um dos ouvidos no processo, a par de duas irmãs do cronista e das amigas Mónica e Vanda Pires.

Cláudio Montez não revelou quais os objectos pessoais do cronista pedidos pela procuradoria - a condição de testemunha não lhe permite revelar pormenores sobre o caso, mas Tony Castro, ex-procurador de justiça no Bronx, em Nova Iorque, avança que o mais provável é a acusação ter pedido "computadores, fotografias, notas e correspondência". "Tudo o que tenha relevância para o caso e ajude a explicar o tipo de relação existente entre o autor e a vítima", acrescenta o advogado.

O gabinete do procurador de justiça tem estado em contacto com as irmãs de Carlos Castro e o amigo Cláudio Montez, não só para obter esclarecimentos e provas que possam ser relevantes para o caso, como para os pôr a par de todos os desenvolvimentos do processo. Anteontem, depois de Renato Seabra ter ouvido a acusação formal de homicídio em segundo grau, seguiu-se "uma conversa de hora e meia com a família" de Castro para explicar os contornos da audiência e quais os próximos passos.

Os documentos da acusação entretanto libertados pelo Supremo Tribunal de Nova Iorque dão a conhecer o teor da confissão de Renato Seabra à polícia de Nova Iorque e também outros detalhes, como os objectos recolhidos no local do crime.

Uma página do documento mostra que nenhuma prova apontou para a possibilidade de um segundo suspeito da autoria do crime. Não foi recolhido brady material: elementos de prova que podem ser usados pela defesa e apontam para a possibilidade de existência de outro réu. "Se o procurador encontra provas que favorecem o réu, não pode escondê-las. Se na análise ao corpo do Carlos Castro encontrassem, por exemplo, sangue de um terceiro indivíduo isso apontaria para outro suspeito e a procuradoria tinha a obrigação de o apresentar à defesa", explica Tony Castro.

por Sílvia Caneco, Publicado em 03 de Fevereiro de 2011 Actualizado há 13 horas

http://www.ionline.pt/conteudo/102343-familia-carlos-castro-enviou-novos-elementos-prova--acusacao

FAMÍLIA DE CARLOS CASTRO QUER PENA PESADA PARA RENATO

Familiares e amigos do cronista assassinado esperam que o caso se resolva o mais depressa possível

A família de Carlos Castro espera que a justiça norte-americana funcione e que o processo se resolva rapidamente. Seja em julgamento ou através de acordo entre as partes, o desejo é de que a pena de Renato Seabra seja pesada.

«Estou à espera que se faça justiça, em conformidade com o crime que foi cometido. Foi um crime violento, por isso, se a justiça funcionar, será uma pena pesada», disse Cláudio Montez, amigo do cronista social, à TVI.

Esta terça-feira, o modelo foi a tribunal declarar-se inocente e foi acusado pelo Grande Júri de homicídio em segundo grau.

Os trâmites que se seguem estão em aberto: ou o caso vai a julgamento, ou a procuradoria de Nova Iorque e a defesa de Renato chegam a acordo sobre a pena de prisão a aplicar.

Nesta cidade, o acordo entre a defesa e a acusação costuma ser a regra. Apenas cinco por cento dos processos são resolvidos em julgamento público.

Mas, se a acusação de Renato Seabra chegar a tribunal, família e amigos de Carlos Castro terão de regressar a Nova Iorque. «As pessoas envolvidas no processo estão muito esclarecidas e há elementos muito concretos para que a justiça seja feita», explicou Cláudio Montez.

Este sábado, família e amigos prestam a última homenagem ao jornalista. Parte das cinzas será depositada no cemitério de Oeiras, depois de uma missa na Igreja da Nossa Senhora do Cabo, em Linda-a-Velha.

Carlos Castro foi violentamente assassinado no dia 7 de Janeiro, num quarto de hotel em Nova Iorque. Renato Seabra confessou o crime às autoridades e novos pormenores do crime foram revelados esta terça-feira.

Por: tvi24 / CP 2- 2- 2011 14: 50

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/carlos-castro-renato-seabra-claudio-montez-homicidio-nova-iorque-tvi24/1230321-4071.html


POLÍCIA LUSO DESCENDENTE OUVIU A PRIMEIRA CONFISSÃO DE RENATO

O assassinato de Carlos Castro

Manequim pode ter sentença até fim do Verão se advogado e procuradora chegarem a acordo

Michael De Almeida, detective luso-americano da Polícia de Nova Iorque, foi a primeira pessoa a ouvir da boca de Renato a confissão sobre o assassinato de Carlos Castro. Foi também Michael quem ajudou as irmãs de Castro a despejar as cinzas do cronista no metro.

Renato Seabra, ontem, em tribunal(foto Lucas Jackson/Reuters)

O nome do detective aparece nos documentos divulgados pela Procuradoria de Nova Iorque, logo após a audiência em que Renato foi formalmente acusado de homicídio de segundo grau. Michael Dealmeida traduziu, passo a passo, às seis da tarde do dia 8 de Janeiro, cerca de 24 horas depois do crime, a descrição que Renato fez da forma brutal como o cronista foi morto.

O auto policial é assinado por mais dois detectives - Richard Tirelli e Kenny Baker. Renato foi oficialmente preso três horas depois da confissão, mas o nome do polícia lusodescendente já não surge no documento da detenção, que é atribuída apenas a Tirelli e Baker.

Michael Dealmeida surgiu de novo ligado ao caso no dia 15 de Janeiro, quando ajudou as irmãs de Carlos Castro a lançarem parte das cinzas do cronista na zona da Broadway, tal como ele desejara, apesar de o acto não ser permitido por lei.

Sentença até ao Outono?

A confissão de Renato é, aliás, uma peça fulcral da acusação e o principal alvo do seu advogado. David Touger vai requerer a anulação do depoimento, alegando a sua ilegalidade. Mas também pretende invalidar a acusação de homicídio de 2.º grau que 23 jurados decidiram e que o juiz Charles Solomon, do Supremo Tribunal Criminal de Nova Iorque, comunicou ao jovem português. E tem pouco tempo para apresentar requerimento nesse sentido, pois o juiz já marcou o dia 4 de Março para se pronunciar.

O advogado de Renato quer ver atenuada a acusação de homicídio de 2.º grau (25 anos a prisão perpétua) para homicídio de 3.º grau (cinco a 25 anos de prisão), mas a tarefa não se afigura fácil. Do outro lado da contenda está a procuradora Maxine Rosenthal. Para além dos casos mediáticos que tem investigado, Rosenthal ficou conhecida recentemente por uma frase proferida no julgamento de um assassino em série: "Em Nova Iorque os homicídios não ficam impunes".

Renato Seabra poderá conhecer o seu destino até ao final do Verão/princípio do Outono, se Touger e a procuradora chegarem a acordo quanto à pena. Pelo meio, haverá várias diligências e, tal como em Portugal, as férias judiciais, que podem prejudicar o andamento do processo.

"Quase de certeza que o juiz não irá anular a decisão do Grande Júri, embora eu entenda que o advogado tem que tentar", diz Tony Castro, advogado e ex-procurador em Nova Iorque. Já quanto à confissão a coisa deverá ser mais complicada. Nestes casos, o juiz normalmente não anula de imediato e marca nova audiência, que pode tardar dois ou três meses, para que defesa e procuradora apresentem provas e debatam as suas posições. Só depois o juiz decidirá".

De qualquer forma, tanto Castro como outros juristas americanos ouvidos pelo JN afirmam que seria considerado "ridículo" se um caso como este não estivesse resolvido, mesmo com julgamento, ao fim de pouco mais de um ano.

ANTÓNIO SOARES

http://www.jn.pt/Dossies/dossie.aspx?content_id=1774197&dossier=O%20assassinato%20de%20Carlos%20Castro&page=-1