
BULLYING CRIME PÚBLICO
Sunday, 13 February 2011
AMORES INTERRROMPIDOS
Amores interrompidos... e retomados
Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos. Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim (nós preferimos a versão do destino), um dia voltaram a encontrar-se. Na véspera do Dia de São Valentim, a nm foi conhecer três histórias de amores interrompidos e mais tarde retomados.
Lia e Guy
«Yes, it was love at first sight» («Sim, foi amor à primeira vista»), declara Guy com um sorriso embevecido, ao mesmo tempo que procura a mão dela. Lia confirma, repetindo o sorriso dele e estendendo a mão. Um amor à primeira vista que nasceu há trinta anos, quando o olhar de um congelou no olhar do outro e, por instantes, o mundo parou de girar.
Ela estudava num colégio interno inglês, para meninas, ele estudava na Academia Real Militar Sandhurst. Ela tinha 16 anos, ele 19. Ela tinha sangue na guelra, ele gostou logo disso. Mas recuemos um pouco para compreender o que fazia uma portuguesa num colégio interno inglês, e o que é isso de ter sangue na guelra (ou pêlo na venta, como se queira).
Lia tinha estudado no Ramalhão, um conceituado colégio interno para raparigas, em Sintra, e a passagem para o liceu estatal não foi exactamente aquilo que a mãe dela previra. Na verdade, foi como encostar um fósforo aceso a um pavio curto. Lia tinha então 14 anos e a liberdade do liceu foi avassaladora. Chumbou por faltas. A mãe, que não tolerava desatinos, mandou-a para Inglaterra. Mas pecou por excesso. O colégio era muito rigoroso, demasiado rigoroso. «Era um colégio de freiras, as meninas andavam de gravata, chapéu e luvas e eu odiei aquilo. Não me apetecia nada ir à missa todos os dias, não me apetecia nada não fumar, não me apetecia nada ter dez desportos diferentes com dez uniformes diferentes. E, um dia, eu e umas amigas fomos passar o fim-de-semana e não voltámos. Decidimos ficar mais uns dias fora. Claro que fomos todas convidadas a sair do colégio.»
A mãe da rebelde enfureceu-se e achou que ela tinha feito de propósito para ser expulsa e assim poder voltar a Portugal. Vai daí e, em vez de a trazer para casa, meteu-a noutro colégio interno, mas mais moderado. «Já não era de freiras, não havia uniforme. Podia-se fumar... E depois havia as festas.»
As festas. Rapazes convidados para as festas no colégio, meninas autorizadas a irem às festas dos rapazes. E foi num desses intercâmbios de festas inter-colegiais que os olhares de Lia e Guy se cruzaram e o mundo parou, ou pelo menos eles apostam que sim.
Namoraram dois anos e meio, mais coisa menos coisa. Assunto sério, com apresentações feitas a ambas as famílias, ela a conhecer os Lower, ele a voar até à casa dela do Algarve, para passar uns dias. Mas Lia continuava indomável. E aos 18 anos quis voltar para Portugal, mandando a relação às urtigas. «Ele queria casar e ter filhos. Eu queria mundo! Tinha 18 anos e queria ir para a faculdade, queria viajar, queria conhecer pessoas. Não estava minimamente preparada para uma coisa tão séria.»
Guy, que percebe alguma coisa de português, vai acompanhando a conversa. Neste ponto da história, fica sério e quase revela um beicinho triste. «She broke my heart» («Ela partiu o meu coração»), confessa. «She really broke my heart» («Partiu-o mesmo»).
Ele ainda lhe escreveu algumas cartas, apaixonadas, lânguidas, implorando que ela reconsiderasse, recordando os bons tempos que tinham passado juntos. Ela respondeu a poucas. E assim, em 1983, terminou o namoro de Lia e Guy. Ponto final parágrafo. Ou será preferível dizer reticências?
A vida de cada um seguiu rumos distintos, em países diferentes. Ele casou, teve dois filhos. Ela casou, não teve filhos. Divorciaram-se ambos.
Em 2004, ele foi passar férias ao Algarve e os pés encaminharam-se, como que impelidos por uma força magnética, para a casa onde tinha conhecido a família dela. Tocou à campainha, ninguém atendeu. Persistente, resolveu deixar um bilhete debaixo da porta. Dizia qualquer coisa como: «Sou o Guy, de Inglaterra. Passei aqui. Deixo-te o meu e-mail.»
Quis o destino que a mulher-a-dias da família de Lia não fosse muito competente, quis o destino que a mãe de Lia encontrasse, meses depois, o bilhete, com mais cara de lixo do que de bilhete, cheio de pó e amarrotado, quis o destino que Lia lhe desse alguma atenção e enviasse um e-mail a dizer olá. Trocaram algumas palavras, contaram um ao outro dos respectivos casamentos e divórcios, e foi tudo. Ele guardou o numero de telemóvel que aparecia, por defeito, no e-mail da empresa onde ela trabalhava. Ela nunca mais pensou no assunto.
Cinco anos passaram, desde essa troca de correspondência. E em Setembro de 2009, Guy voltou ao Algarve, para jogar golfe com um grupo de amigos. E só pensava... nela. Estava no hotel, ligou para o número que tinha guardado, mas estava a pôr indicativos a mais e não acontecia nada. Desceu, perguntou ao recepcionista se estaria a fazer tudo bem, tornou a tentar. Pelo meio, os amigos iam insistindo para que se despachasse, que queriam sair para irem tomar um copo. Ele pedia-lhes só mais um minuto.
Do outro lado, Lia preparava-se para ir ao ginásio. Mas não tinha vontade. Arrastava-se. Calçou os ténis, jogou-se para a cama, como se algo a obrigasse a ficar ali, junto ao telemóvel que, a certa altura, tocou. «Vi que o número era do Algarve e pensei: não conheço ninguém no Algarve, não vou atender.» E não atendeu. Mas depois, Guy ligou do seu próprio telemóvel. E aí, como Lia faz gestão de património e recebe inúmeras chamadas de clientes aflitos, teve mesmo de atender. «Hello! It"s Guy!» («Olá! É o Guy!») Ela ficou imóvel. O coração deu um pulo. Sem perceber bem como disse-lhe: «Guy? Olá! Tenho de te ver!»
No dia seguinte, Lia apanhou o avião para Faro. Ele, por sua vez, esperava-a com uma ansiedade imensa. Os amigos, no hotel, gozavam: «Uma latina? Mas tu não sabes como são as latinas? Aos 40 anos estão cheias de filhos, são gordas, muito gordas, com um rabo gigante! No que te vais meter, querido Guy! Vais apanhar a desilusão da tua vida!» Ele tremia com a ideia da decepção. Afinal, tinha passado os últimos trinta anos a pensar nela. Sim. Leu bem. É verdade que casou, é verdade que teve dois filhos. Mas nunca mais esqueceu Lia. «A palavra-chave do meu computador foi sempre, ao longo dos anos, LiaandGuy (Lia e Guy). A cruz que ela me deu, com o seu nome, nunca saiu do meu pescoço. Mesmo durante os anos que estive casado. Nunca mais a esqueci. Nunca amei ninguém como a amei a ela.» Lia sorri. Também ela ficou incrédula com a revelação. Também ela não acreditou quando ele lhe contou da cruz. Mas depois, ao ver fotografias dele, percebeu que era verdade. A cruz estava em todos os retratos, em todas as situações, ao longo dos anos.
No dia marcado para o encontro, Guy esperava-a na recepção, enquanto os amigos aguardavam escondidos e a gozar o prato. Nisto, aparece uma morena enorme, com um traseiro de impor respeito. Os amigos largaram a rir: «Nós avisámos!» Ele susteve a respiração. Quando ela se voltou, suspirou de alívio. Não era a sua Lia.
Nisto, surgiu ela. O coração dele descompassou. O dela também. Deram um abraço e o mundo voltou a deixar de se mover. Como há trinta anos. A conversa fluiu com uma naturalidade invulgar. Como se não tivesse havido qualquer interrupção. Como se não tivessem existido outras pessoas nas suas vidas. Como se o mundo tivesse ficado assim, congelado, trinta anos congelado, à espera, e só agora se preparasse para girar outra vez. «O que eu senti foi que foi tudo tão fácil. Com ele não tenho de fingir. Nem no início da relação, em que tem de se impressionar e dizer e fazer as coisas certas... connosco parece que não era preciso. Porque o início da relação já tinha sido, há trinta anos. E, por isso, podíamos bem saltar essa parte e limitarmo-nos a ser quem somos, sem máscaras.»
Lia e Guy casaram no dia 19 de Junho de 2010, dia do aniversário dela. Ela completou 47 anos, ele estava com 50. No dia da boda, Lia levou ao pescoço uma medalha que ele lhe tinha dado, há trinta anos, no dia de São Valentim e que tinha inscrita a frase «A day to remember» («Um dia para recordar»). Quando botou os olhos na medalha, Guy chorou como uma criança.
O casal vive em Portugal e é feliz. Só houve, até agora, um pequeno problema nas suas vidas de reapaixonados: a cama. Durante alguns meses, Guy dormiu com os pés de fora, porque a cama dela era para inglês ver (e não dormir). Tirando isso, é só felicidade e o mundo, de novo, a parar de girar.
Ana e Júlio
Tudo começou em 1968, na extinta piscina do extinto hotel Estoril Sol. Júlio tinha 19 anos e era o galã perfeito para as meninas: tocava viola na banda Os Jets, tinha um cabelão solto, boa pinta, e um Mini Cooper transformado, que completava o pacote do charme. Ana tinha 14 anos e era linda. Cabelos compridos e loiros, sardas, olhos azuis. Uma boneca. Certo dia de sol, Ricardo, o vocalista da banda, convidou Júlio para irem passar o dia à piscina e recomendou: «Não leves ninguém que a Cristina vai levar uma amiga!» Júlio fez uma careta. «Já sabia como eram as amigas da namorada dele: metiam medo ao susto. Não podiam ser mais feias e gordas. E quando ouvi aquilo disse-lhe, num tom irónico: "Sim, sim, claro!"» Mas, dessa vez, o Ricardo abriu muito os olhos e sublinhou: «Olha que esta vale a pena! Faz o que te digo!»
Júlio condescendeu e acabou por aparecer sozinho. «E lá fiquei, à espera do trambolho. Quando a vi... foi logo! Pensei: ainda bem que não trouxe ninguém porque tinha aqui um problema grave.»
Ela, por sua vez, achou que o moço era garboso mas, sobretudo, achou-lhe graça. Durante todo o dia, riu como há muito não ria com as coisas que ele dizia e fazia, e a verdade é que há poucas receitas mais poderosas para conquistar uma mulher do que o sentido de humor. Durante todo o dia, foi o que se imagina: mergulhos espectaculares para a piscina, o clássico atirar de água para molhar quem ainda não se molhou, corridas, empurrõezinhos, o tubarão que puxa o pé da menina, e por aí fora, que todos nós já tivemos 14 e 19 anos.
O namoro começou logo de seguida. Ele, que andava na faculdade a tirar o curso de Engenharia Mecânica, passou a ir buscá-la à escola no seu Mini. As amigas dela ficavam roídas de inveja e Ana sentia-se saída de um conto de fadas. «Eu era uma menina, completamente ingénua, e ficava fascinada com ele. Quando entrava no carro, ele abria as janelas e dizia: "Agora vais apreciar o cheirinho do tubo de escape, hummm." E eu ficava doida, achava-o tão diferente... Quando se despedia de mim, ao telefone, dizia: "Um beijinho no umbigo." Aquilo para mim era o máximo!»
Mas a inocência dela não acompanhava a pedalada dele. Júlio tinha muitas solicitações, por causa da banda, e andava sempre a correr. «Na maior parte das vezes que ele me ia buscar, tinha sempre de ir fazer coisas. E eu ficava no carro, horas, à seca, à espera que ele aparecesse. Mas não me importava porque quando ele aparecia, o meu coração batia que nem um louco! Eu era mesmo muito apaixonada por ele.»
Namoraram um ano, talvez nem tanto. Nunca fizeram mais que dar beijinhos, e a relação acabou por morrer de morte natural, ele cada vez mais ocupado, ela ainda muito colegial. Mas, mesmo indo cada um à sua vida, ela demorou um bocadinho a esquecer aquele sedutor que parecia saído dos filmes. Ele confessa que a menina dos cabelos loiros também ficou registada. Mas havia muita vida para viver.
E assim foi. Ele prosseguiu a namoriscar com esta e aquela, como bom galã que era. Ela arranjou novo namoro, um ano mais tarde. Na noite de passagem de ano de 1969 para 1970, calhou encontrarem-se todos no Hotel Londres. Júlio estava a tocar para os convivas e, quando o viu, Ana sentiu o coração na boca. O novo namorado achou que não havia pior forma de começar o ano, sobretudo quando, no intervalo, Júlio fez questão de lhe vir dar um beijo: «Um beijinho pelos 70», sussurrou ele, sabidão.
Mas o tempo continuou a passar. Ana casou em 1972, Júlio em 1976. Ela teve um filho, ele uma filha. Ele deixou a música, tornou-se fotógrafo do Cinéfilo, a revista do Século Ilustrado. Ela ainda o viu algumas vezes, sempre que ia a festivais de jazz lá andava ele, numa azáfama, de máquina fotográfica apontada aos músicos. Se o coração acelerou? Sim. Mas isso foi em 1973, quando a memória da relação entre os dois ainda estava morninha. Depois, passou. Júlio deixou a fotografia para se dedicar à sua área de formação, a Engenharia Mecânica, e cada um tinha a sua vida, os seus companheiros, os seus filhos.
Em 1986 encontraram-se por acaso, na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa. Ana estava em processo de divórcio, Júlio estava com a relação em pleno desgaste e à beira da ruptura. Conversaram, trocaram contactos. Ela ofereceu-lhe a sua casa, se ele precisasse, e essa oferta comoveu-o. Por outro lado, Júlio começou a puxar por ela. «Eu vinha de uma relação sofrida, estava muito insegura. Nos fins-de-semana em que o meu filho ia com o pai ficava muito infeliz. Metia-me em casa e não queria fazer nada. O Júlio começou a arrancar-me desse isolamento.»
Quando o casamento dele rebentou de vez e a mulher saiu de casa - que era, na verdade, o único passo que faltava para considerar finalmente defunta uma relação que há muito estava moribunda - Júlio ligou à sua namorada de há quase vinte anos. E a história entre os dois recomeçou.
Ana e Júlio casaram no dia 16 de Agosto de 1989, precisamente seis meses depois de sair o divórcio dele. «Já vivíamos juntos há três anos, mas o processo de divórcio arrastou-se. E no dia exacto em que fez seis meses, que era o prazo mínimo legal para poder tornar a casar, eu casei com a Ana.» Um dia especial por todos os motivos. Ana estava grávida, muito, muito grávida. «Estava de nove meses. E era muito importante para mim casar antes de o bebé nascer. E consegui! No dia seguinte, o João nasceu.» Júlio ri-se, ao relembrar essa noite. «Tivemos uma noite de núpcias sensacional. A Ana sentada, sem posição, um sonho!»
Ana, 57 anos, e Júlio, 62 anos, namoradinhos de adolescência, estão já casados, em segundas núpcias, há 21 anos. Nem tudo foi um mar de rosas, os filhos dos anteriores casamentos deram-lhes água pela barba. Mas eles resistiram a tudo. E quem os veja não acredita que estejam casados há quase um quarto de século. Os beijinhos e as brincadeiras e os mimos são uma constante e fazem lembrar aquele primeiro dia, na extinta piscina no extinto Estoril Sol. Na verdade, os prédios até podem cair, até podem sumir-se do mapa, desaparecer. Mas os amores verdadeiros duram para sempre.
Ana Cristina e Carlos
Todos os verões era a mesma alegria. Ana Cristina ia com o tio Balixa e a tia Josefina para Monsaraz (Alentejo), terra dos pais dela, único lugar onde se sentia em casa. Os pais, que tinham migrado para Lisboa em 1970, evitavam voltar. «Acho que o meu pai se defendia da dor de regressar a casa, e preferia não ir, nem nas férias. Mas eu contava os dias para voltar a Monsaraz, onde não nasci, mas onde sempre sonhei viver.»
Nessas idas e vindas, Ana acabou por conhecer Carlos, moço da terra, de olho vivo e pé ligeiro, com muita lábia para dar e vender. «Um dia eu estava a jogar à bola com umas amigas, ali no adro da igreja, e a bola resvalou. Ele agarrou-a e, quando lha pedi, disse-me: "Só ta dou se me deres um beijo."» Ana Cristina fez-se difícil, como lhe competia, mas depois lá lhe deu um beijo, muito de fugida. «Foi de fugida mas soube-me muito bem!», graceja Carlos, bonacheirão.
Ele garante que ela já se tinha metido com ele. Ana abana com a cabeça, não, não, não, nada disso. «Tinhas, tinhas. Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me uns empurrões, uns toques, uns pontapés...» Ela arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, diz que ele é que não parava de lhe fazer olhinhos e atirar larachas para a provocar. Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 15, em Agosto de 1984, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma facção da família dela, que não queria que a rapariga de Lisboa viesse assim, afoita, roubar às moças de Monsaraz os bons rapazes que havia na terra. Os boatos sobre o namoro rapidamente se estenderam aos pais de Ana, que não gostaram nada da notícia. «Os meus pais achavam que eu era muito nova mas, sobretudo, odiavam o falatório. E, além disso, creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha, como todos os pais. E, se tinha ido para Lisboa, para que tivéssemos uma vida melhor, por que raio é que eu havia de me interessar por um rapaz de Monsaraz?»
Ainda assim, o namoro prosseguiu, coxo, durante quatro anos. Com muitos altos e muitos baixos. Com muitas rupturas e outros tantos reencontros. E, principalmente, com muito diz que disse, muita má-língua, muito mau agoiro. Claro que a distância e tanto senão azedaram a coisa e, pouco tempo depois de ela entrar para a faculdade, o namoro acabou de vez.
Em 1990, Ana conheceu aquele que havia de ser o pai das filhas. Namoraram quatro anos, até ela terminar o curso, e em 1994 casaram. Para Carlos, foi um desgosto. «Foi. Dos grandes. Enquanto ela namorou, enfim, custava-me mas, como não via, conseguia ultrapassar. Agora, quando soube do casamento... sabe aquela música do Trio Odemira? «A igreja estava toda iluminada, e ela estava já casada, a mulher que eu adorei?» Pois. Eu andava sempre a cantar isso, tão triste, tão triste.»
Ana Cristina faz questão de dizer que casou por amor com o pai das filhas. Que o Carlos era algo do passado, alguém de quem gostava mas que tinha ficado lá atrás. «Eu amava o pai das minhas filhas. Elas nasceram desse amor e quero que saibam sempre disso. Mas o meu casamento acabou, sete anos depois, em 2001. O pai delas nunca estava em casa, eu tratava de tudo sozinha, e deixou pura e simplesmente de fazer sentido.»
Pelo meio, Carlos mantinha a esperança. Sempre que o tio Balixa ia a Monsaraz, perguntava-lhe: «Então, como está a sua sobrinha?» E o tio respondia: «Então e tu, quando é que te casas?» Carlos gracejava tristemente: «Quando a sua sobrinha se divorciar eu logo me caso!» O tio Balixa, que não gostava cá de famílias desfeitas, zangava-se com o rapaz, por quem tinha afeição: «Cala-te, Carlos! Olha que a rapariga tem duas filhas, tem juízo!»
Mas a brincadeira do alentejano não era assim tão descabida. E em 2002 os ex-namorados retomaram conversas e passeios e até chegaram a ponderar se prosseguiam com o namoro, interrompido havia 14 anos. Em 2003 dançaram num bailarico da terra e, para quem não sabe, dançar num bailarico da terra é assumir muita coisa perante muita gente. «Ele tinha uma namorada, de Monsaraz, mas deu-me a entender que terminava tudo se eu quisesse. E, claro, quando eu reapareci reapareceram os falatórios. Só que, dessa vez, houve mesmo insinuações graves, que me magoaram muito. De maneira que, um dia, cheguei ao pé dele e disse: "Nunca mais me ligues! Fica lá com essa gente, eu quero é distância." E mudei de número de telefone e nunca mais lhe falei.»
Estiveram de 2004 a 2008 sem se falar. A vida dela deu mais umas voltas, algumas piruetas difíceis, e quando, certo dia, Carlos perguntou ao tio Balixa pela sobrinha e o ouviu responder um grunhido triste, soube que a sua Ana não estava bem. Soube que tinha de lhe ligar. Implorou ao tio dela que lhe desse o novo número, mas ele estava irredutível. Mas Carlos venceu-o pela exaustão. «Tanto pedi, tanto pedi, que ele lá me deu. Mas fez-me prometer que só ligava daí a alguns meses, caso contrário a sobrinha perceberia logo quem mo tinha dado.» Carlos prometeu. Mas não cumpriu. No dia 15 de Setembro de 2008 ligou-lhe mas não falou. Ficou calado, para aferir o nível de tristeza da voz dela. Ana Cristina não sabia quem estava do outro lado. Mas, não sabe como nem porquê, teve um clique. E disse: «Carlos Manel! Quem é que te deu o meu número de telefone?»
Nessa noite, Carlos gastou setenta euros de telemóvel. Falaram até às cinco da manhã. E, a partir de então, nunca mais se largaram. Primeiro ao telefone, noite dentro. «Ah, era por isso que andavas sempre tão cansada...», adivinha a filha Mariana, de 14 anos. «Nós percebemos logo que alguma coisa se passava... Começaste a rir muito, ao telefone.», atira a outra filha, Alexandra, de 13. Depois, lentamente, começaram os encontros, os passeios, os fins-de-semana. O namoro pegou de estaca na primeira metade de 2009, contra todas as expectativas dela, que não queria envolver-se com mais ninguém e só queria paz e sossego para criar as filhas. «A verdade é que eu passei anos e anos a dizer-lhe que nós dois já só podíamos ser amigos. E ele passou esses anos a dizer que só casava comigo. Namorou muito tempo com uma rapariga mas nunca casou com ela. Esperou vinte anos por mim! E foi a atenção dele, o carinho, a compreensão e a dedicação que me fizeram voltar a amá-lo.»
Ana Cristina e Carlos começaram a viver juntos, em Monsaraz, no final do Verão de 2009, e um dia destes casam. Aí, o sonho dele, pelo qual esperou duas décadas, será concretizado em pleno. O sonho dela já passou à prática: «Sempre quis viver no Alentejo, sempre sonhei ter um monte, sempre imaginei que um dia teria cavalos... E agora, o sonho tornou-se realidade. Nem sempre é fácil, porque vivi toda a vida em Lisboa e há uma grande diferença entre sonhar o sonho e viver o sonho. Às vezes sinto o peso do isolamento, das grandes distâncias. Mas o Carlos é um companheiro maravilhoso e até o meu pai, no outro dia, olhou para mim e disse: "Nunca te vi tão feliz... o destino queria mesmo que ficassem juntos! Se eu soubesse, nunca vos teria criado problemas." É assim. O que tem de ser... tem mesmo muita força.»
Por SÓNIA MORAIS SANTOS. FOTOGRAFIA RODRIGO CABRITA/GLOBAL IMAGENS
http://www.jn.pt/revistas/nm/Interior.aspx?content_id=1781693
Eles namoraram, na adolescência, e depois terminaram tudo. Casaram com outras pessoas, fizeram as suas vidas, tiveram filhos. Mas, por força do destino, por coincidência ou simplesmente porque sim (nós preferimos a versão do destino), um dia voltaram a encontrar-se. Na véspera do Dia de São Valentim, a nm foi conhecer três histórias de amores interrompidos e mais tarde retomados.
Lia e Guy
«Yes, it was love at first sight» («Sim, foi amor à primeira vista»), declara Guy com um sorriso embevecido, ao mesmo tempo que procura a mão dela. Lia confirma, repetindo o sorriso dele e estendendo a mão. Um amor à primeira vista que nasceu há trinta anos, quando o olhar de um congelou no olhar do outro e, por instantes, o mundo parou de girar.
Ela estudava num colégio interno inglês, para meninas, ele estudava na Academia Real Militar Sandhurst. Ela tinha 16 anos, ele 19. Ela tinha sangue na guelra, ele gostou logo disso. Mas recuemos um pouco para compreender o que fazia uma portuguesa num colégio interno inglês, e o que é isso de ter sangue na guelra (ou pêlo na venta, como se queira).
Lia tinha estudado no Ramalhão, um conceituado colégio interno para raparigas, em Sintra, e a passagem para o liceu estatal não foi exactamente aquilo que a mãe dela previra. Na verdade, foi como encostar um fósforo aceso a um pavio curto. Lia tinha então 14 anos e a liberdade do liceu foi avassaladora. Chumbou por faltas. A mãe, que não tolerava desatinos, mandou-a para Inglaterra. Mas pecou por excesso. O colégio era muito rigoroso, demasiado rigoroso. «Era um colégio de freiras, as meninas andavam de gravata, chapéu e luvas e eu odiei aquilo. Não me apetecia nada ir à missa todos os dias, não me apetecia nada não fumar, não me apetecia nada ter dez desportos diferentes com dez uniformes diferentes. E, um dia, eu e umas amigas fomos passar o fim-de-semana e não voltámos. Decidimos ficar mais uns dias fora. Claro que fomos todas convidadas a sair do colégio.»
A mãe da rebelde enfureceu-se e achou que ela tinha feito de propósito para ser expulsa e assim poder voltar a Portugal. Vai daí e, em vez de a trazer para casa, meteu-a noutro colégio interno, mas mais moderado. «Já não era de freiras, não havia uniforme. Podia-se fumar... E depois havia as festas.»
As festas. Rapazes convidados para as festas no colégio, meninas autorizadas a irem às festas dos rapazes. E foi num desses intercâmbios de festas inter-colegiais que os olhares de Lia e Guy se cruzaram e o mundo parou, ou pelo menos eles apostam que sim.
Namoraram dois anos e meio, mais coisa menos coisa. Assunto sério, com apresentações feitas a ambas as famílias, ela a conhecer os Lower, ele a voar até à casa dela do Algarve, para passar uns dias. Mas Lia continuava indomável. E aos 18 anos quis voltar para Portugal, mandando a relação às urtigas. «Ele queria casar e ter filhos. Eu queria mundo! Tinha 18 anos e queria ir para a faculdade, queria viajar, queria conhecer pessoas. Não estava minimamente preparada para uma coisa tão séria.»
Guy, que percebe alguma coisa de português, vai acompanhando a conversa. Neste ponto da história, fica sério e quase revela um beicinho triste. «She broke my heart» («Ela partiu o meu coração»), confessa. «She really broke my heart» («Partiu-o mesmo»).
Ele ainda lhe escreveu algumas cartas, apaixonadas, lânguidas, implorando que ela reconsiderasse, recordando os bons tempos que tinham passado juntos. Ela respondeu a poucas. E assim, em 1983, terminou o namoro de Lia e Guy. Ponto final parágrafo. Ou será preferível dizer reticências?
A vida de cada um seguiu rumos distintos, em países diferentes. Ele casou, teve dois filhos. Ela casou, não teve filhos. Divorciaram-se ambos.
Em 2004, ele foi passar férias ao Algarve e os pés encaminharam-se, como que impelidos por uma força magnética, para a casa onde tinha conhecido a família dela. Tocou à campainha, ninguém atendeu. Persistente, resolveu deixar um bilhete debaixo da porta. Dizia qualquer coisa como: «Sou o Guy, de Inglaterra. Passei aqui. Deixo-te o meu e-mail.»
Quis o destino que a mulher-a-dias da família de Lia não fosse muito competente, quis o destino que a mãe de Lia encontrasse, meses depois, o bilhete, com mais cara de lixo do que de bilhete, cheio de pó e amarrotado, quis o destino que Lia lhe desse alguma atenção e enviasse um e-mail a dizer olá. Trocaram algumas palavras, contaram um ao outro dos respectivos casamentos e divórcios, e foi tudo. Ele guardou o numero de telemóvel que aparecia, por defeito, no e-mail da empresa onde ela trabalhava. Ela nunca mais pensou no assunto.
Cinco anos passaram, desde essa troca de correspondência. E em Setembro de 2009, Guy voltou ao Algarve, para jogar golfe com um grupo de amigos. E só pensava... nela. Estava no hotel, ligou para o número que tinha guardado, mas estava a pôr indicativos a mais e não acontecia nada. Desceu, perguntou ao recepcionista se estaria a fazer tudo bem, tornou a tentar. Pelo meio, os amigos iam insistindo para que se despachasse, que queriam sair para irem tomar um copo. Ele pedia-lhes só mais um minuto.
Do outro lado, Lia preparava-se para ir ao ginásio. Mas não tinha vontade. Arrastava-se. Calçou os ténis, jogou-se para a cama, como se algo a obrigasse a ficar ali, junto ao telemóvel que, a certa altura, tocou. «Vi que o número era do Algarve e pensei: não conheço ninguém no Algarve, não vou atender.» E não atendeu. Mas depois, Guy ligou do seu próprio telemóvel. E aí, como Lia faz gestão de património e recebe inúmeras chamadas de clientes aflitos, teve mesmo de atender. «Hello! It"s Guy!» («Olá! É o Guy!») Ela ficou imóvel. O coração deu um pulo. Sem perceber bem como disse-lhe: «Guy? Olá! Tenho de te ver!»
No dia seguinte, Lia apanhou o avião para Faro. Ele, por sua vez, esperava-a com uma ansiedade imensa. Os amigos, no hotel, gozavam: «Uma latina? Mas tu não sabes como são as latinas? Aos 40 anos estão cheias de filhos, são gordas, muito gordas, com um rabo gigante! No que te vais meter, querido Guy! Vais apanhar a desilusão da tua vida!» Ele tremia com a ideia da decepção. Afinal, tinha passado os últimos trinta anos a pensar nela. Sim. Leu bem. É verdade que casou, é verdade que teve dois filhos. Mas nunca mais esqueceu Lia. «A palavra-chave do meu computador foi sempre, ao longo dos anos, LiaandGuy (Lia e Guy). A cruz que ela me deu, com o seu nome, nunca saiu do meu pescoço. Mesmo durante os anos que estive casado. Nunca mais a esqueci. Nunca amei ninguém como a amei a ela.» Lia sorri. Também ela ficou incrédula com a revelação. Também ela não acreditou quando ele lhe contou da cruz. Mas depois, ao ver fotografias dele, percebeu que era verdade. A cruz estava em todos os retratos, em todas as situações, ao longo dos anos.
No dia marcado para o encontro, Guy esperava-a na recepção, enquanto os amigos aguardavam escondidos e a gozar o prato. Nisto, aparece uma morena enorme, com um traseiro de impor respeito. Os amigos largaram a rir: «Nós avisámos!» Ele susteve a respiração. Quando ela se voltou, suspirou de alívio. Não era a sua Lia.
Nisto, surgiu ela. O coração dele descompassou. O dela também. Deram um abraço e o mundo voltou a deixar de se mover. Como há trinta anos. A conversa fluiu com uma naturalidade invulgar. Como se não tivesse havido qualquer interrupção. Como se não tivessem existido outras pessoas nas suas vidas. Como se o mundo tivesse ficado assim, congelado, trinta anos congelado, à espera, e só agora se preparasse para girar outra vez. «O que eu senti foi que foi tudo tão fácil. Com ele não tenho de fingir. Nem no início da relação, em que tem de se impressionar e dizer e fazer as coisas certas... connosco parece que não era preciso. Porque o início da relação já tinha sido, há trinta anos. E, por isso, podíamos bem saltar essa parte e limitarmo-nos a ser quem somos, sem máscaras.»
Lia e Guy casaram no dia 19 de Junho de 2010, dia do aniversário dela. Ela completou 47 anos, ele estava com 50. No dia da boda, Lia levou ao pescoço uma medalha que ele lhe tinha dado, há trinta anos, no dia de São Valentim e que tinha inscrita a frase «A day to remember» («Um dia para recordar»). Quando botou os olhos na medalha, Guy chorou como uma criança.
O casal vive em Portugal e é feliz. Só houve, até agora, um pequeno problema nas suas vidas de reapaixonados: a cama. Durante alguns meses, Guy dormiu com os pés de fora, porque a cama dela era para inglês ver (e não dormir). Tirando isso, é só felicidade e o mundo, de novo, a parar de girar.
Ana e Júlio
Tudo começou em 1968, na extinta piscina do extinto hotel Estoril Sol. Júlio tinha 19 anos e era o galã perfeito para as meninas: tocava viola na banda Os Jets, tinha um cabelão solto, boa pinta, e um Mini Cooper transformado, que completava o pacote do charme. Ana tinha 14 anos e era linda. Cabelos compridos e loiros, sardas, olhos azuis. Uma boneca. Certo dia de sol, Ricardo, o vocalista da banda, convidou Júlio para irem passar o dia à piscina e recomendou: «Não leves ninguém que a Cristina vai levar uma amiga!» Júlio fez uma careta. «Já sabia como eram as amigas da namorada dele: metiam medo ao susto. Não podiam ser mais feias e gordas. E quando ouvi aquilo disse-lhe, num tom irónico: "Sim, sim, claro!"» Mas, dessa vez, o Ricardo abriu muito os olhos e sublinhou: «Olha que esta vale a pena! Faz o que te digo!»
Júlio condescendeu e acabou por aparecer sozinho. «E lá fiquei, à espera do trambolho. Quando a vi... foi logo! Pensei: ainda bem que não trouxe ninguém porque tinha aqui um problema grave.»
Ela, por sua vez, achou que o moço era garboso mas, sobretudo, achou-lhe graça. Durante todo o dia, riu como há muito não ria com as coisas que ele dizia e fazia, e a verdade é que há poucas receitas mais poderosas para conquistar uma mulher do que o sentido de humor. Durante todo o dia, foi o que se imagina: mergulhos espectaculares para a piscina, o clássico atirar de água para molhar quem ainda não se molhou, corridas, empurrõezinhos, o tubarão que puxa o pé da menina, e por aí fora, que todos nós já tivemos 14 e 19 anos.
O namoro começou logo de seguida. Ele, que andava na faculdade a tirar o curso de Engenharia Mecânica, passou a ir buscá-la à escola no seu Mini. As amigas dela ficavam roídas de inveja e Ana sentia-se saída de um conto de fadas. «Eu era uma menina, completamente ingénua, e ficava fascinada com ele. Quando entrava no carro, ele abria as janelas e dizia: "Agora vais apreciar o cheirinho do tubo de escape, hummm." E eu ficava doida, achava-o tão diferente... Quando se despedia de mim, ao telefone, dizia: "Um beijinho no umbigo." Aquilo para mim era o máximo!»
Mas a inocência dela não acompanhava a pedalada dele. Júlio tinha muitas solicitações, por causa da banda, e andava sempre a correr. «Na maior parte das vezes que ele me ia buscar, tinha sempre de ir fazer coisas. E eu ficava no carro, horas, à seca, à espera que ele aparecesse. Mas não me importava porque quando ele aparecia, o meu coração batia que nem um louco! Eu era mesmo muito apaixonada por ele.»
Namoraram um ano, talvez nem tanto. Nunca fizeram mais que dar beijinhos, e a relação acabou por morrer de morte natural, ele cada vez mais ocupado, ela ainda muito colegial. Mas, mesmo indo cada um à sua vida, ela demorou um bocadinho a esquecer aquele sedutor que parecia saído dos filmes. Ele confessa que a menina dos cabelos loiros também ficou registada. Mas havia muita vida para viver.
E assim foi. Ele prosseguiu a namoriscar com esta e aquela, como bom galã que era. Ela arranjou novo namoro, um ano mais tarde. Na noite de passagem de ano de 1969 para 1970, calhou encontrarem-se todos no Hotel Londres. Júlio estava a tocar para os convivas e, quando o viu, Ana sentiu o coração na boca. O novo namorado achou que não havia pior forma de começar o ano, sobretudo quando, no intervalo, Júlio fez questão de lhe vir dar um beijo: «Um beijinho pelos 70», sussurrou ele, sabidão.
Mas o tempo continuou a passar. Ana casou em 1972, Júlio em 1976. Ela teve um filho, ele uma filha. Ele deixou a música, tornou-se fotógrafo do Cinéfilo, a revista do Século Ilustrado. Ela ainda o viu algumas vezes, sempre que ia a festivais de jazz lá andava ele, numa azáfama, de máquina fotográfica apontada aos músicos. Se o coração acelerou? Sim. Mas isso foi em 1973, quando a memória da relação entre os dois ainda estava morninha. Depois, passou. Júlio deixou a fotografia para se dedicar à sua área de formação, a Engenharia Mecânica, e cada um tinha a sua vida, os seus companheiros, os seus filhos.
Em 1986 encontraram-se por acaso, na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa. Ana estava em processo de divórcio, Júlio estava com a relação em pleno desgaste e à beira da ruptura. Conversaram, trocaram contactos. Ela ofereceu-lhe a sua casa, se ele precisasse, e essa oferta comoveu-o. Por outro lado, Júlio começou a puxar por ela. «Eu vinha de uma relação sofrida, estava muito insegura. Nos fins-de-semana em que o meu filho ia com o pai ficava muito infeliz. Metia-me em casa e não queria fazer nada. O Júlio começou a arrancar-me desse isolamento.»
Quando o casamento dele rebentou de vez e a mulher saiu de casa - que era, na verdade, o único passo que faltava para considerar finalmente defunta uma relação que há muito estava moribunda - Júlio ligou à sua namorada de há quase vinte anos. E a história entre os dois recomeçou.
Ana e Júlio casaram no dia 16 de Agosto de 1989, precisamente seis meses depois de sair o divórcio dele. «Já vivíamos juntos há três anos, mas o processo de divórcio arrastou-se. E no dia exacto em que fez seis meses, que era o prazo mínimo legal para poder tornar a casar, eu casei com a Ana.» Um dia especial por todos os motivos. Ana estava grávida, muito, muito grávida. «Estava de nove meses. E era muito importante para mim casar antes de o bebé nascer. E consegui! No dia seguinte, o João nasceu.» Júlio ri-se, ao relembrar essa noite. «Tivemos uma noite de núpcias sensacional. A Ana sentada, sem posição, um sonho!»
Ana, 57 anos, e Júlio, 62 anos, namoradinhos de adolescência, estão já casados, em segundas núpcias, há 21 anos. Nem tudo foi um mar de rosas, os filhos dos anteriores casamentos deram-lhes água pela barba. Mas eles resistiram a tudo. E quem os veja não acredita que estejam casados há quase um quarto de século. Os beijinhos e as brincadeiras e os mimos são uma constante e fazem lembrar aquele primeiro dia, na extinta piscina no extinto Estoril Sol. Na verdade, os prédios até podem cair, até podem sumir-se do mapa, desaparecer. Mas os amores verdadeiros duram para sempre.
Ana Cristina e Carlos
Todos os verões era a mesma alegria. Ana Cristina ia com o tio Balixa e a tia Josefina para Monsaraz (Alentejo), terra dos pais dela, único lugar onde se sentia em casa. Os pais, que tinham migrado para Lisboa em 1970, evitavam voltar. «Acho que o meu pai se defendia da dor de regressar a casa, e preferia não ir, nem nas férias. Mas eu contava os dias para voltar a Monsaraz, onde não nasci, mas onde sempre sonhei viver.»
Nessas idas e vindas, Ana acabou por conhecer Carlos, moço da terra, de olho vivo e pé ligeiro, com muita lábia para dar e vender. «Um dia eu estava a jogar à bola com umas amigas, ali no adro da igreja, e a bola resvalou. Ele agarrou-a e, quando lha pedi, disse-me: "Só ta dou se me deres um beijo."» Ana Cristina fez-se difícil, como lhe competia, mas depois lá lhe deu um beijo, muito de fugida. «Foi de fugida mas soube-me muito bem!», graceja Carlos, bonacheirão.
Ele garante que ela já se tinha metido com ele. Ana abana com a cabeça, não, não, não, nada disso. «Tinhas, tinhas. Uma vez eu estava a jogar flippers e tu começaste a dar-me uns empurrões, uns toques, uns pontapés...» Ela arqueia o sobrolho, e nega tal coisa, diz que ele é que não parava de lhe fazer olhinhos e atirar larachas para a provocar. Não importa. O que interessa para o caso é que, quando ela tinha 14 anos e ele 15, em Agosto de 1984, começaram um namorico, muito amaldiçoado por uma facção da família dela, que não queria que a rapariga de Lisboa viesse assim, afoita, roubar às moças de Monsaraz os bons rapazes que havia na terra. Os boatos sobre o namoro rapidamente se estenderam aos pais de Ana, que não gostaram nada da notícia. «Os meus pais achavam que eu era muito nova mas, sobretudo, odiavam o falatório. E, além disso, creio que o meu pai sentia que uma relação com um rapaz da terra era um recuar nos planos que ele tinha para mim. Ele queria mais para a filha, como todos os pais. E, se tinha ido para Lisboa, para que tivéssemos uma vida melhor, por que raio é que eu havia de me interessar por um rapaz de Monsaraz?»
Ainda assim, o namoro prosseguiu, coxo, durante quatro anos. Com muitos altos e muitos baixos. Com muitas rupturas e outros tantos reencontros. E, principalmente, com muito diz que disse, muita má-língua, muito mau agoiro. Claro que a distância e tanto senão azedaram a coisa e, pouco tempo depois de ela entrar para a faculdade, o namoro acabou de vez.
Em 1990, Ana conheceu aquele que havia de ser o pai das filhas. Namoraram quatro anos, até ela terminar o curso, e em 1994 casaram. Para Carlos, foi um desgosto. «Foi. Dos grandes. Enquanto ela namorou, enfim, custava-me mas, como não via, conseguia ultrapassar. Agora, quando soube do casamento... sabe aquela música do Trio Odemira? «A igreja estava toda iluminada, e ela estava já casada, a mulher que eu adorei?» Pois. Eu andava sempre a cantar isso, tão triste, tão triste.»
Ana Cristina faz questão de dizer que casou por amor com o pai das filhas. Que o Carlos era algo do passado, alguém de quem gostava mas que tinha ficado lá atrás. «Eu amava o pai das minhas filhas. Elas nasceram desse amor e quero que saibam sempre disso. Mas o meu casamento acabou, sete anos depois, em 2001. O pai delas nunca estava em casa, eu tratava de tudo sozinha, e deixou pura e simplesmente de fazer sentido.»
Pelo meio, Carlos mantinha a esperança. Sempre que o tio Balixa ia a Monsaraz, perguntava-lhe: «Então, como está a sua sobrinha?» E o tio respondia: «Então e tu, quando é que te casas?» Carlos gracejava tristemente: «Quando a sua sobrinha se divorciar eu logo me caso!» O tio Balixa, que não gostava cá de famílias desfeitas, zangava-se com o rapaz, por quem tinha afeição: «Cala-te, Carlos! Olha que a rapariga tem duas filhas, tem juízo!»
Mas a brincadeira do alentejano não era assim tão descabida. E em 2002 os ex-namorados retomaram conversas e passeios e até chegaram a ponderar se prosseguiam com o namoro, interrompido havia 14 anos. Em 2003 dançaram num bailarico da terra e, para quem não sabe, dançar num bailarico da terra é assumir muita coisa perante muita gente. «Ele tinha uma namorada, de Monsaraz, mas deu-me a entender que terminava tudo se eu quisesse. E, claro, quando eu reapareci reapareceram os falatórios. Só que, dessa vez, houve mesmo insinuações graves, que me magoaram muito. De maneira que, um dia, cheguei ao pé dele e disse: "Nunca mais me ligues! Fica lá com essa gente, eu quero é distância." E mudei de número de telefone e nunca mais lhe falei.»
Estiveram de 2004 a 2008 sem se falar. A vida dela deu mais umas voltas, algumas piruetas difíceis, e quando, certo dia, Carlos perguntou ao tio Balixa pela sobrinha e o ouviu responder um grunhido triste, soube que a sua Ana não estava bem. Soube que tinha de lhe ligar. Implorou ao tio dela que lhe desse o novo número, mas ele estava irredutível. Mas Carlos venceu-o pela exaustão. «Tanto pedi, tanto pedi, que ele lá me deu. Mas fez-me prometer que só ligava daí a alguns meses, caso contrário a sobrinha perceberia logo quem mo tinha dado.» Carlos prometeu. Mas não cumpriu. No dia 15 de Setembro de 2008 ligou-lhe mas não falou. Ficou calado, para aferir o nível de tristeza da voz dela. Ana Cristina não sabia quem estava do outro lado. Mas, não sabe como nem porquê, teve um clique. E disse: «Carlos Manel! Quem é que te deu o meu número de telefone?»
Nessa noite, Carlos gastou setenta euros de telemóvel. Falaram até às cinco da manhã. E, a partir de então, nunca mais se largaram. Primeiro ao telefone, noite dentro. «Ah, era por isso que andavas sempre tão cansada...», adivinha a filha Mariana, de 14 anos. «Nós percebemos logo que alguma coisa se passava... Começaste a rir muito, ao telefone.», atira a outra filha, Alexandra, de 13. Depois, lentamente, começaram os encontros, os passeios, os fins-de-semana. O namoro pegou de estaca na primeira metade de 2009, contra todas as expectativas dela, que não queria envolver-se com mais ninguém e só queria paz e sossego para criar as filhas. «A verdade é que eu passei anos e anos a dizer-lhe que nós dois já só podíamos ser amigos. E ele passou esses anos a dizer que só casava comigo. Namorou muito tempo com uma rapariga mas nunca casou com ela. Esperou vinte anos por mim! E foi a atenção dele, o carinho, a compreensão e a dedicação que me fizeram voltar a amá-lo.»
Ana Cristina e Carlos começaram a viver juntos, em Monsaraz, no final do Verão de 2009, e um dia destes casam. Aí, o sonho dele, pelo qual esperou duas décadas, será concretizado em pleno. O sonho dela já passou à prática: «Sempre quis viver no Alentejo, sempre sonhei ter um monte, sempre imaginei que um dia teria cavalos... E agora, o sonho tornou-se realidade. Nem sempre é fácil, porque vivi toda a vida em Lisboa e há uma grande diferença entre sonhar o sonho e viver o sonho. Às vezes sinto o peso do isolamento, das grandes distâncias. Mas o Carlos é um companheiro maravilhoso e até o meu pai, no outro dia, olhou para mim e disse: "Nunca te vi tão feliz... o destino queria mesmo que ficassem juntos! Se eu soubesse, nunca vos teria criado problemas." É assim. O que tem de ser... tem mesmo muita força.»
Por SÓNIA MORAIS SANTOS. FOTOGRAFIA RODRIGO CABRITA/GLOBAL IMAGENS
http://www.jn.pt/revistas/nm/Interior.aspx?content_id=1781693
CADASTRADO QUIS ENTRAR NA GNR
Polémica
Cedric Ferreira foi detido em 2005 pela PSP do Porto por tentativa de roubo e ameaças a agente da autoridade. Jurou bandeira na Guarda.
Cedric Ferreira, 28 anos, foi condenado por tentativa de roubo, ameaça e coacção sobre um polícia e ainda injúrias agravadas em 2007. Mas escondeu o cadastro e conseguiu ingressar a escola da GNR na Figueira da Foz, em Dezembro do ano passado. Foi um dos mil alistados que prestaram juramento de bandeira, no início deste mês, mas deverá ser expulso da escola de formação na próxima semana.
O jovem cadastrado, natural de Gondomar, foi detido em 2005 pela PSP do Porto. Aproveitou o facto de o processo de ingresso electrónico dispensar, num primeiro tempo, a apresentação do registo criminal. Entre os cerca de 15 mil primeiros candidatos, conseguiu passar os testes físicos e ingressou no grupo de mil finalistas que passou a dormir na escola. Nessa altura foi-lhe pedido o registo criminal, mas Cedric terá sempre adiado a entrega. "Só no final da primeira fase de selecção é que pedimos certos documentos. O prazo de entrega chegou ao limite e foi aberta uma investigação", disse ao CM fonte da GNR.
Cedric Ferreira deve agora ser expulso, depois de passar por um processo de eliminação de candidatura por incumprimento da lei.
FUTURO POLÍCIA PRESO POR TRÁFICO DE DROGA
Em 21 de Janeiro, um jovem de 21 anos, inscrito no Curso de Formação de Agentes da PSP que decorre na Escola Prática de Polícia (EPP) em Torres Novas, foi preso no estabelecimento de ensino por suspeitas de tráfico de droga. Apanhado em escutas telefónicas feitas pela PSP do Seixal, o jovem foi identificado como interveniente nos negócios de uma rede de tráfico já desmantelada pela polícia. Investigadores criminais do Seixal fizeram buscas no quarto do jovem na EPP, tendo o suspeito sido constituído arguido e imediatamente expulso do curso de agentes.
Por:Alexandre Panda / M.C.
12 Fevereiro 2011
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/cadastrado-quis-entrar-na-gnr--215837910#blockSendMessage
Cedric Ferreira foi detido em 2005 pela PSP do Porto por tentativa de roubo e ameaças a agente da autoridade. Jurou bandeira na Guarda.
Cedric Ferreira, 28 anos, foi condenado por tentativa de roubo, ameaça e coacção sobre um polícia e ainda injúrias agravadas em 2007. Mas escondeu o cadastro e conseguiu ingressar a escola da GNR na Figueira da Foz, em Dezembro do ano passado. Foi um dos mil alistados que prestaram juramento de bandeira, no início deste mês, mas deverá ser expulso da escola de formação na próxima semana.
O jovem cadastrado, natural de Gondomar, foi detido em 2005 pela PSP do Porto. Aproveitou o facto de o processo de ingresso electrónico dispensar, num primeiro tempo, a apresentação do registo criminal. Entre os cerca de 15 mil primeiros candidatos, conseguiu passar os testes físicos e ingressou no grupo de mil finalistas que passou a dormir na escola. Nessa altura foi-lhe pedido o registo criminal, mas Cedric terá sempre adiado a entrega. "Só no final da primeira fase de selecção é que pedimos certos documentos. O prazo de entrega chegou ao limite e foi aberta uma investigação", disse ao CM fonte da GNR.
Cedric Ferreira deve agora ser expulso, depois de passar por um processo de eliminação de candidatura por incumprimento da lei.
FUTURO POLÍCIA PRESO POR TRÁFICO DE DROGA
Em 21 de Janeiro, um jovem de 21 anos, inscrito no Curso de Formação de Agentes da PSP que decorre na Escola Prática de Polícia (EPP) em Torres Novas, foi preso no estabelecimento de ensino por suspeitas de tráfico de droga. Apanhado em escutas telefónicas feitas pela PSP do Seixal, o jovem foi identificado como interveniente nos negócios de uma rede de tráfico já desmantelada pela polícia. Investigadores criminais do Seixal fizeram buscas no quarto do jovem na EPP, tendo o suspeito sido constituído arguido e imediatamente expulso do curso de agentes.
Por:Alexandre Panda / M.C.
12 Fevereiro 2011
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/cadastrado-quis-entrar-na-gnr--215837910#blockSendMessage
AGRESSÕES SEMANAIS NA DISCOTECA LA MOVIDA EM GUIMARÃES
Guimarães: PSP já registou diversas queixas
Segurança parte perna a cliente
Cristiano, 21 anos, deixava a discoteca La Movida, em Azurém, Guimarães, depois de uma noite de diversão com a namorada e alguns amigos. Sem que nada o fizesse prever, o jovem diz ter sido violentamente agredido pelo segurança. O estudante de Fafe teve de ser assistido no Hospital de Guimarães onde está internado, após ter sido operado a um joelho. Na discoteca, ninguém se mostrou disponível para prestar declarações.
Tudo aconteceu ontem, pouco antes das 06h00. Cristiano Dias Castro, a namorada e alguns amigos preparavam-se para deixar a discoteca La Movida, junto à Universidade do Minho, em Azurém, Guimarães, quando o segurança terá começado a "implicar" com o grupo, agredindo o jovem estudante a soco e pontapé.
Assustados e vendo o amigo sangrar e gritar com dores, o grupo alertou os bombeiros e a PSP. Cristiano foi transportado ao hospital da cidade, com uma perna partida e várias escoriações no rosto.
Deitado na cama do hospital, onde ontem recuperava depois de ter sido operado a uma rótula, Cristiano não quis falar sobre os acontecimentos da madrugada. "Aquilo não é gente normal. Prefiro não dizer nada", justificou ao CM o jovem, bastante combalido.
De acordo com a PSP, as agressões são constantes neste espaço nocturno. "É raro o fim-de-semana em que não somos chamados à discoteca devido a agressões", confirmou ao CM fonte da PSP de Guimarães. À esquadra terão já sido apresentadas várias queixas devido a desacatos ocorridos no espaço de diversão nocturna.
Por:Fátima Vilaça
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/seguranca-parte-perna-a-cliente
Segurança parte perna a cliente
Cristiano, 21 anos, deixava a discoteca La Movida, em Azurém, Guimarães, depois de uma noite de diversão com a namorada e alguns amigos. Sem que nada o fizesse prever, o jovem diz ter sido violentamente agredido pelo segurança. O estudante de Fafe teve de ser assistido no Hospital de Guimarães onde está internado, após ter sido operado a um joelho. Na discoteca, ninguém se mostrou disponível para prestar declarações.
Tudo aconteceu ontem, pouco antes das 06h00. Cristiano Dias Castro, a namorada e alguns amigos preparavam-se para deixar a discoteca La Movida, junto à Universidade do Minho, em Azurém, Guimarães, quando o segurança terá começado a "implicar" com o grupo, agredindo o jovem estudante a soco e pontapé.
Assustados e vendo o amigo sangrar e gritar com dores, o grupo alertou os bombeiros e a PSP. Cristiano foi transportado ao hospital da cidade, com uma perna partida e várias escoriações no rosto.
Deitado na cama do hospital, onde ontem recuperava depois de ter sido operado a uma rótula, Cristiano não quis falar sobre os acontecimentos da madrugada. "Aquilo não é gente normal. Prefiro não dizer nada", justificou ao CM o jovem, bastante combalido.
De acordo com a PSP, as agressões são constantes neste espaço nocturno. "É raro o fim-de-semana em que não somos chamados à discoteca devido a agressões", confirmou ao CM fonte da PSP de Guimarães. À esquadra terão já sido apresentadas várias queixas devido a desacatos ocorridos no espaço de diversão nocturna.
Por:Fátima Vilaça
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/seguranca-parte-perna-a-cliente
Tuesday, 8 February 2011
L'EX MODELLO DELLE PASSERELLE DI PRADA AL SACERDOZIO
Ex indossatore moda ordinato sacerdote
Don Julio modello per Prada,ha lasciato passerelle per seminario
(ANSA) - ALBENGA (SAVONA), 18 DIC - Un ex indossatore argentino di moda, Julio Amadeo Abalsamo, e' stato ordinato sacerdote dal vescovo di Savona Mario Oliveri.
Il neosacerdote argentino ha 45 anni e in gioventu' e' stato protagonista delle passerelle di mezzo mondo per alcune delle maison piu' celebri, una tra tutte Prada. Don Julio Abalsamo e' nato a Buenos Aires (Argentina) nel 1965 da genitori italo-argentini. ''Il futuro lo affido al Signore e alla Santissima Madre di Dio che non deludono mai'' ha detto don Julio dopo la consacrazione. (ANSA).
www.ansa.it/web/notizie/regioni/lig...1648613456.html
Albenga, un ex modello argentino è stato ordinato sacerdote
Albenga. L’ex modello Julio Amadeo Abalsamo è stato ordinato sacerdote dal vescovo di Albenga Mario Oliveri, nell’ambito delle celebrazioni per il suo ventesimo anniversario di ordinazione episcopale. Il sacerdote argentino ha 45 anni e in gioventù è stato protagonista delle passerelle di mezzo mondo per alcune delle maison più celebri, una tra tutte Prada.
Don Julio Abalsamo è nato a Buenos Aires (Argentina) nel 1965 da genitori italo-argentini. Ha frequentato le scuole elementari, medie e superiori nella stessa metropoli. A 18 anni entrò in un ordine religioso d’origine belga che lo mandò in Italia per i primi anni di formazione. Dopo tre anni tornò come religioso a Montevideo (Uruguay), dove rimase per due anni. Dopo di che fu trasferito a Buenos Aires per un ulteriore biennio. In quel periodo maturò la decisione di uscire dalla Congregazione. Tornato laico, iniziò a lavorare come segretario del direttore finanziario di una multinazionale inglese e contemporaneamente conseguì una laurea di primo livello in commercio estero.
Degenerando la situazione economica in Argentina, prese la decisione di rientrare in Italia, dove si trasferì a Milano. Nella capitale economica italiana Julio Abalsamo ha iniziato a lavorare in un’azienda svizzera che gli permise di girare L’Italia e l’Europa. Poi cominciò una nuova esperienza lavorativa a Milano per due note aziende di beni di lusso. E’ rimasto nel mondo della moda per dodici anni. Ma non ce l’ha fatta più ed è tornato in seminario ad Albenga. “Il futuro lo affido al Signore e alla Santissima Madre di Dio che non deludono mai” ha detto don Julio dopo la consacrazione.
www.ivg.it/2010/12/albenga-un-ex-mo...nato-sacerdote/
Quel vescovo che vuole prete l' ex modello di Buenos Aires
Oliveri: «Qui accolgo tutti». E in Vaticano pensano di trasferirlo
ALBENGA (Savona) - Pure il «prete griffato» sono riusciti ad inventarsi. Il prete «firmato», come già lo chiamano qui. Ex modello, palestrato, sangue argentino, un passato nella Milano da bere. Il 18 dicembre, con altri quattro diaconi, sarà ordinato sacerdote dal vescovo Mario Oliveri nella cattedrale di Albenga. La sua nomina ha già conquistato la pole position nel chiacchiericcio di paese. L' altro giorno, durante la tradizionale processione di San Maurizio, ad Imperia, era tutto un darsi di gomito tra i fedeli alla ricerca del prete che un tempo vestiva Prada, mentre in strada sfilava il corteo: in testa il vescovo, impassibile, e le autorità cittadine, fasciate e impettite. Tutti a cercare Julio Amadeo Abalsamo, argentino di Buenos Aires, 45 anni, arrivato in Italia con il sogno dell' alta moda e finito ad Albenga, nella Casa del clero, a pregare, preparandosi al sacerdozio. In mezzo: anni di sfilate, foto e locali notturni. Fino a quando la vocazione l' ha rapito: i primi contatti religiosi a Milano, poi il seminario e, arrivato ad Albenga, la nomina nel giugno scorso a diacono, prima del gran salto. Al telefono, l' ex modello non sembra gradire la pubblicità: «Non ho nulla da dire, parlo solo con gli avvocati...». Clic. Prima o poi ci faranno un film su questa diocesi. La diocesi di Albenga-Imperia: 130 preti, 161 parrocchie, 150 mila fedeli. Tanta devozione. Ma anche un clero chiacchierato. A parte il caso di Abalsamo, finito nella centrifuga del pettegolezzo per il suo passato (e per un articolo a tutta pagina del Secolo XIX), negli ultimi mesi diversi sacerdoti della diocesi si sono ritrovati nell' occhio del ciclone per le loro inclinazioni sessuali o, peggio, per aver compiuto atti (o presunti tali) penalmente perseguibili. Una filiera di episodi finita sotto la lente delle gerarchie vaticane. Al punto che il segretario di Stato Tarcisio Bertone, già cardinale a Genova, ha fatto capire che così non va, qualcosa va cambiato. Nessun nome, ma era chiaro il riferimento al vescovo Oliveri, 66 anni, la cui ormai ventennale esperienza di pastore di questo gregge (arrivò ad Albenga nel ' 90) viene considerata «datata». Non è in discussione la preparazione del religioso, che anzi vanta un curriculum di tutto rispetto nel servizio diplomatico della Santa Sede (ha lavorato nelle nunziature apostoliche di Dakar, Roma, Londra e Parigi) e un' esperienza alla Segreteria di Stato come braccio destro del cardinale Giovanni Benelli, quanto la gestione della diocesi, ritenuta troppo «aperturista». In effetti diventa difficile imputare all' aria di mare la sequenza di piccoli e grandi scandali che hanno segnato il clero locale. Il caso più grave è quello di don Luciano Massaferro, parroco di Alassio, in carcere da quasi un anno con l' accusa di aver molestato una bambina di 12 anni. Per non parlare di don Silvano De Matteis, denunciato per aver importunato durante una processione la moglie di un alto ufficiale della Marina. O di Renato Giaccardi, che ha patteggiato per reati con un minore. O di don Tirla, accusato di essere un frequentatore di siti gay. E poi voci su preti diventati papà o che hanno cambiato sesso. Di questa effervescente arca di Noè, era inevitabile che prima o poi monsignor Oliveri venisse chiamato a rendere conto. Granitico in pubblico, come quando fece scudo a don Luciano Massaferro («Chi ci attacca tenta di giustificare il male che è in sé, cercando il male negli altri»), in privato ha così motivato la sua linea pastorale: «La mia comunità è aperta a tutti. Nessun sacerdote verrà mai respinto: credo sia giusto lasciare le 99 pecorelle per andare a cercare quella smarrita». Il risultato, come spiega sotto anonimato chi gli è vicino, è che «sono finiti ad Albenga alcuni preti cosiddetti scomodi, allontanati da altre diocesi: l' unica colpa di monsignore è aver ecceduto in generosità». In Vaticano la pensano diversamente. Per due volte lo hanno invitato a fare le valigie per Roma e per due volte lui ha rifiutato. «L' ha fatto per me: mi troverei in difficoltà» spiega il fratello, Lorenzo, 74 anni, invalido che vive in Curia. Ora però da Roma sta partendo il terzo e definitivo assalto. E ad Albenga già scommettono sulla data del trasferimento: «Farà in tempo o no ad ordinare sacerdote il prete che vestiva Prada?». Francesco Alberti RIPRODUZIONE RISERVATA **** La scheda L' argentino Ex modello, argentino di Buenos Aires, Julio Amadeo Abalsamo, 45 anni, il 18 dicembre assieme ad altri quattro diaconi sarà ordinato sacerdote dal vescovo Mario Oliveri nella cattedrale di Albenga La polemica Da tempo la diocesi di Albenga è sotto i riflettori del Vaticano. Tra le «pecche» contestate al vescovo anche il caso di don Luciano Massaferro (nella foto): il sacerdote da dicembre scorso si trova in carcere con l' accusa di violenza su una bambina di dodici anni.
Alberti Francesco
Pagina 31
ALBENGA (Savona) - Pure il «prete griffato» sono riusciti ad inventarsi. Il prete «firmato», come già lo chiamano qui. Ex modello, palestrato, sangue argentino, un passato nella Milano da bere. Il 18 dicembre, con altri quattro diaconi, sarà ordinato sacerdote dal vescovo Mario Oliveri nella cattedrale di Albenga. La sua nomina ha già conquistato la pole position nel chiacchiericcio di paese. L' altro giorno, durante la tradizionale processione di San Maurizio, ad Imperia, era tutto un darsi di gomito tra i fedeli alla ricerca del prete che un tempo vestiva Prada, mentre in strada sfilava il corteo: in testa il vescovo, impassibile, e le autorità cittadine, fasciate e impettite. Tutti a cercare Julio Amadeo Abalsamo, argentino di Buenos Aires, 45 anni, arrivato in Italia con il sogno dell' alta moda e finito ad Albenga, nella Casa del clero, a pregare, preparandosi al sacerdozio. In mezzo: anni di sfilate, foto e locali notturni. Fino a quando la vocazione l' ha rapito: i primi contatti religiosi a Milano, poi il seminario e, arrivato ad Albenga, la nomina nel giugno scorso a diacono, prima del gran salto. Al telefono, l' ex modello non sembra gradire la pubblicità: «Non ho nulla da dire, parlo solo con gli avvocati...». Clic. Prima o poi ci faranno un film su questa diocesi. La diocesi di Albenga-Imperia: 130 preti, 161 parrocchie, 150 mila fedeli. Tanta devozione. Ma anche un clero chiacchierato. A parte il caso di Abalsamo, finito nella centrifuga del pettegolezzo per il suo passato (e per un articolo a tutta pagina del Secolo XIX), negli ultimi mesi diversi sacerdoti della diocesi si sono ritrovati nell' occhio del ciclone per le loro inclinazioni sessuali o, peggio, per aver compiuto atti (o presunti tali) penalmente perseguibili. Una filiera di episodi finita sotto la lente delle gerarchie vaticane. Al punto che il segretario di Stato Tarcisio Bertone, già cardinale a Genova, ha fatto capire che così non va, qualcosa va cambiato. Nessun nome, ma era chiaro il riferimento al vescovo Oliveri, 66 anni, la cui ormai ventennale esperienza di pastore di questo gregge (arrivò ad Albenga nel ' 90) viene considerata «datata». Non è in discussione la preparazione del religioso, che anzi vanta un curriculum di tutto rispetto nel servizio diplomatico della Santa Sede (ha lavorato nelle nunziature apostoliche di Dakar, Roma, Londra e Parigi) e un' esperienza alla Segreteria di Stato come braccio destro del cardinale Giovanni Benelli, quanto la gestione della diocesi, ritenuta troppo «aperturista». In effetti diventa difficile imputare all' aria di mare la sequenza di piccoli e grandi scandali che hanno segnato il clero locale. Il caso più grave è quello di don Luciano Massaferro, parroco di Alassio, in carcere da quasi un anno con l' accusa di aver molestato una bambina di 12 anni. Per non parlare di don Silvano De Matteis, denunciato per aver importunato durante una processione la moglie di un alto ufficiale della Marina. O di Renato Giaccardi, che ha patteggiato per reati con un minore. O di don Tirla, accusato di essere un frequentatore di siti gay. E poi voci su preti diventati papà o che hanno cambiato sesso. Di questa effervescente arca di Noè, era inevitabile che prima o poi monsignor Oliveri venisse chiamato a rendere conto. Granitico in pubblico, come quando fece scudo a don Luciano Massaferro («Chi ci attacca tenta di giustificare il male che è in sé, cercando il male negli altri»), in privato ha così motivato la sua linea pastorale: «La mia comunità è aperta a tutti. Nessun sacerdote verrà mai respinto: credo sia giusto lasciare le 99 pecorelle per andare a cercare quella smarrita». Il risultato, come spiega sotto anonimato chi gli è vicino, è che «sono finiti ad Albenga alcuni preti cosiddetti scomodi, allontanati da altre diocesi: l' unica colpa di monsignore è aver ecceduto in generosità». In Vaticano la pensano diversamente. Per due volte lo hanno invitato a fare le valigie per Roma e per due volte lui ha rifiutato. «L' ha fatto per me: mi troverei in difficoltà» spiega il fratello, Lorenzo, 74 anni, invalido che vive in Curia. Ora però da Roma sta partendo il terzo e definitivo assalto. E ad Albenga già scommettono sulla data del trasferimento: «Farà in tempo o no ad ordinare sacerdote il prete che vestiva Prada?». Francesco Alberti RIPRODUZIONE RISERVATA **** La scheda L' argentino Ex modello, argentino di Buenos Aires, Julio Amadeo Abalsamo, 45 anni, il 18 dicembre assieme ad altri quattro diaconi sarà ordinato sacerdote dal vescovo Mario Oliveri nella cattedrale di Albenga La polemica Da tempo la diocesi di Albenga è sotto i riflettori del Vaticano. Tra le «pecche» contestate al vescovo anche il caso di don Luciano Massaferro (nella foto): il sacerdote da dicembre scorso si trova in carcere con l' accusa di violenza su una bambina di dodici anni.
Alberti Francesco
Pagina 31
(24 settembre 2010) - Corriere della Sera
Subscribe to:
Posts (Atom)
