Saturday, 19 February 2011

ODÍLIA EM NEWARK

Nova Iorque: Estadia em casa de emigrantes e paga com donativos

Mãe de Renato Seabra procura trabalho

A mãe de Renato Seabra, o homicida confesso do cronista social Carlos Castro, quer prolongar a sua estadia em Nova Iorque o mais possível. Para isso, Odília Pereirinha está disposta a aceitar qualquer emprego, o que terá de fazer em breve, porque as férias, do Centro de Saúde de Cantanhede, estão quase a terminar.

Neste momento, a enfermeira, de 53 anos, está nos EUA com a ajuda de emigrantes e com dinheiro angariado pela Associação Estrela d’Afecto, mas ainda não tem uma proposta de trabalho. Como não tem casa, um dos mais vantajosos seria como doméstica interna.

A intenção de Odília Pereirinha é estar perto do filho. O ex-marido, Joaquim Seabra, também está mais próximo do manequim, com quem tem falado por telefone. José Malta, cunhado do jovem, nota a aproximação à família. "Tenho estado em contacto telefónico com o pai do Renato e ele está a dar o máximo de apoio possível. Tal como a mãe, mostra grande sofrimento."

Quanto ao processo, a família salienta que "a verdade tem de ser apurada, custe o que custar e a quem custar. Esse é o maior esforço que temos de fazer."

Por:Carlos Ferreira

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/paixao-fatal/mae-de-renato-seabra-procura-trabalho

Friday, 18 February 2011

TIO DE RENATO AGRADECE APOIO POR CARTA A OPRAH

Caso Carlos Castro

Várias pessoas deixaram palavras de solidariedade no Facebook de Heleno Pereirinha, depois do pedido de ajuda a Oprah Winfrey.

Depois de ter publicado no seu Facebook a carta integral que a família de Renato Seabra escreveu à apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, pedindo-lhe "ajuda e reflexão" para o caso, o tio do jovem manequim veio hoje agradecer o apoio quem tem sentido, por parte das pessoas, face a esta iniciativa.

"A família agradece o apoio, o carinho e a solidariedade", escreveu Heleno Pereirinha, irmão da mãe de Renato, na rede social. De facto, desde que a missiva de pedido de ajuda foi tornada pública, várias pessoas deixaram comentários e palavras de apoio à família do jovem acusado de homicídio em segundo grau na morte de Carlos Castro.

Resta agora saber se a equipa de Oprah Winfrey vai dar voz e espaço de antena à história de Renato Seabra.

por Nuno Cardoso

http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1786405

Thursday, 17 February 2011

FILME DESASSOSSEGO EM DIGRESSÃO PELO PAÍS

Digressão do “Filme do Desassossego” passou pelo CCC

O actor Pedro Lamares, que interpreta o papel de Fernando Pessoa, apresentou o “Filme do Desassossego”

A exibição do “Filme do Desassossego” quase esgotou o grande auditório do CCC das Caldas da Rainha, no passado dia 7. O actor Pedro Lamares, que interpreta o papel de Fernando Pessoa, apresentou o filme do realizador João Botelho, que está em digressão pelo País.

Em vez de estrear no circuito habitual das salas comerciais, o filme tem percorrido o país como se se tratasse da digressão de uma peça de teatro ou de um músico. De acordo com Pedro Lamares esta forma de exibição foi escolhida porque o “Filme do desassossego” é “demasiado precioso para ser ouvido com coca-colas, pipocas e telemóveis em centros comerciais”. Fora do circuito comercial, a sessão tem percorrido várias salas em todo o País, visando desta forma dignificar o filme e levá-lo a um público diferente, que vai mais ao teatro, segundo referiu o actor.

Pedro Lamares começou por dar os parabéns ao público pelo “auditório e palco espectacular que tem aqui nas Caldas da Rainha, que não é comum infelizmente nos auditórios municipais”, referiu, acrescentando que ficou “surpreendido com a condição técnica do palco que tem uma tela perfurada que permite que o som venha por detrás da tela e que seja central”. Como trabalha em teatro, dá muito valor aos palcos.

“Filme do Desassossego” é uma adaptação de “O Livro do Desassossego”, assinado por Bernardo Soares, semi-heterónimo de Fernando Pessoa. No filme, João Botelho faz uma nova interpretação da obra e dos textos. Como explicou Pedro Lamares, João Botelho transportou o filme para os dias de hoje e recria a personagem de Fernando Pessoa, “descolando-a do nosso imaginário”. “O livro do Desassossego não é uma obra fechada, é um puzzle, que as pessoas podem montar de todas as maneiras”, referiu o actor, adiantando que “inclusivamente as próprias publicações que saíram do livro são todas diferentes”. O actor salientou que este trabalho tem uma linguagem muito própria, aconselhando o público a “viajar com o filme”.

“Ao contrário que muita gente pensa, eu não sou o protagonista do filme”, frisou Pedro Lamares, acrescentando que o actor Cláudio da Silva tem o papel principal, interpretando Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros que, “entre desabafos, lamentos e constatações, vai revelando os pensamentos fragmentados do seu desassossego”.

O apresentador da sessão falou da sua relação com Fernando Pessoa, revelando que desde sempre se identificou com a sua escrita. “Foi uma figura decisiva na minha vida, eu estudava música e lia poesia e descobri Fernando Pessoa aos doze anos e aos dezanove anos decidi largar a música e estudar teatro”, manifestou, adiantando que “o ofício que tem está muito ligado à obra poética em Portugal”. O actor considera que a poesia em Portugal é muito “maltratada”. “No Brasil existe um orgulho na música popular brasileira, e nós temos um património cultural imenso que é a poesia portuguesa e de modo geral damos-lhe muito pouca atenção”, apontou.

Elogiou o realizador do filme João Botelho, referindo que é uma figura “muito preponderante no cinema e uma pessoa de grande coragem para pegar nesta obra”. Revelou ainda ser um grande “privilégio poder ser Fernando Pessoa uma vez na vida durante dois meses”.

O filme tem sido exibido em muitas sessões, à tarde, dedicadas ao público escolar, onde depois o actor Pedro Lamares conversa com os alunos “Após a exibição, alunos e professores têm oportunidade de participar num debate, que às vezes prolonga-se para mais de uma hora, onde discutimos, cinema e Fernando Pessoa”, contou Pedro Lamares.

O actor dedica-se actualmente a cinema e a espectáculos itinerantes de poesia e música.

Marlene Sousa

Fevereiro 17th, 2011 in Jornal das Caldas

http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2011/02/17/digressao-do-filme-do-desassossego-passou-pelo-ccc/#more-35419

AMIGOS DE RENATO PEDEM AJUDA A OPRAH WINFREY

Nova Iorque: Odília Pereirinha está há onze dias junto do filho

Mãe visita Renato e pede ajuda a Oprah

A mãe de Renato Seabra, o manequim de Cantanhede que confessou o homicídio do cronista social Carlos Castro, num hotel em Nova Iorque, a 7 de Janeiro, já visitou o filho na ala prisional do Hospital Bellevue. Em simultâneo, em Portugal, os amigos da família enviaram uma carta à apresentadora de televisão Oprah Winfrey, pedindo-lhe ajuda.

Odília Pereirinha está em Nova Iorque há 11 dias, onde conta com a ajuda de amigos emigrantes nos Estados Unidos, com três objectivos: ver o filho, acompanhar de perto o andamento do processo judicial e arranjar meios para poder prolongar a sua estadia. A enfermeira, de 53 anos, está em casa de uma amiga e ainda não se sabe quando regressa.

Em Portugal, os amigos enviaram uma carta a Oprah Winfrey, uma das mulheres mais ricas e influentes dos EUA, pedindo-lhe para ajudar a mãe do manequim. "É um menino de ouro que voou atrás de um sonho", lê-se no texto escrito por Filomena Veloso, amiga da família, e publicado no Facebook, no perfil de Heleno Pereirinha, tio do jovem.

Depois de descrever a personalidade de Renato Seabra – "tímido e pouco habituado ao mundo deslumbrante" –, acrescenta que "esta mãe [Odília Pereirinha] tem o direito de estar junto ao seu filho e ele ao conforto da sua mãe". O objectivo da carta é que o caso seja debatido nos programas de Oprah Winfrey, vistos diariamente por milhões de telespectadores em todo o Mundo.

"Ela tem andado muito triste. Por vezes num pranto absoluto. E estar com um oceano inteiro a separá-la do filho, sem informação oficial sobre o seu estado, só agrava a situação", explicou José Malta, porta-voz da família, adiantando: "É um desespero para uma mãe não ter notícias do filho. Assim que conseguiu reunir as condições necessárias, regressou a Nova Iorque."

José Malta, que é cunhado de Renato Seabra, adiantou que mãe e filho estiveram juntos "pelo menos uma vez", na semana passada, e as visitas podem ser bissemanais.

CARTA A OPRAH WINFREY

História de vida, quantos de nós sonharam com uma vida melhor?

Querida Oprah,

Para as mães de Portugal, família e uma grande comunidade unida numa causa: O que podemos fazer para ajudar uma mãe que, por razões ainda por esclarecer, está separada do filho numa altura em que mais precisam um do outro. Esta é a história de um rapaz que voou atrás de um sonho, depois de lhe terem feito várias promessas, incluindo um pai que nunca teve. Promessas vãs, mas que para um rapaz de uma zona rural, calmo, envergonhado e não habituado ao mundo deslumbrante a que foi introduzido, o fizeram acreditar e voar, com o consentimento da mãe, também ela envolvida nas expectativas criadas por este empresário da moda, que assumiu a responsabilidade de tomar conta dele.

Tudo parecia correr bem até àquele dia fatídico, em que a mãe recebe um estranho telefonema no qual o jovem pede ajuda. Aflita, a mãe tenta contactar o empresário. Talvez nunca saberemos o que se passou naquela sala, mas Portugal sabe quem era Carlos Castro. Não era uma pessoa confiável, e infelizmente tanto a mãe como o filho não se aperceberam a tempo da sua personalidade. Todos comprovam que este rapaz é um MENINO DE OURO.

Apenas os médicos sabem o tormento por que este jovem está a passar. A família está completamente devastada, e nós portugueses incrédulos, zangados, devastados pela falta de apoio à MÃE, à FAMÍLIA e ao RENATO SEABRA. Onde estão os valores morais? Onde estão os direitos humanos? Onde estão os valores apregoados mas que não chegam até nós?

Quantos de nós cometeram erros? Esta carta é um apelo, um pedido, um por favor. (...) Ele tem 20 anos e não sabe o que o espera, mas provavelmente com a ajuda da família seria muito mais fácil. O futuro a Deus pertence, mas nós temos a certeza de que o Renato não tem a estrutura necessária para lidar sozinho com esta situação, num país que não é o seu, com uma língua que não fala. É por isso que estamos a pedir solidariedade para com esta MÃE que quer estar perto do seu filho, que continua a dizer todos os dias: MÃE, PRECISO TANTO DE TI.

Que mãe, que pai, que ser humano pode ficar indiferente a este caso? QUERIDA OPRAH, apenas lhe pedimos para reflectir por momentos e que se coloque na posição desta mãe, condenada a uma pena que não merece. Para o Renato, será uma sentença que provavelmente vai ter de cumprir. AJUDE POR AMOR DE DEUS.

Por:Carlos Ferreira/Luís Oliveira

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/paixao-fatal/mae-visita-renato-e-pede-ajuda-a-oprah042410257

Tuesday, 15 February 2011

CARLOS CASTRO: AS REACÇÕES NO CIBERESPAÇO

Lei

Páginas homofóbicas no Facebook podem dar prisão

Divulgar conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei com pena que pode chegar aos cinco anos de prisão.

Os comentários relativos ao homicídio de Carlos Castro têm-se multiplicado, tanto nas edições online de jornais e revistas como nas redes sociais. Poucos dias depois da violenta morte do jornalista, uma utilizadora do Facebook criou um grupo chamado "Eu apoio Renato Seabra, matar gays não devia ser crime". Segundo o advogado Arrobas da Silva, a haver violação da lei, "deve ser o Ministério Público a promover uma acção penal. Parece-me, pela descrição, que deverá ser um crime público ou semipúblico", explica o causídico. Este tipo de crime contra a identidade cultural e a integridade pessoal está contemplado no artigo 240.º do Código Penal português e pode resultar numa pena de prisão de seis meses a cinco anos. "Eu creio que a pena se aplica a quem cria e a quem adere. Pode haver depois uma graduação de responsabilidades, mais para quem tem a direcção", explica o jurista. Arrobas da Silva afirma também que dado o fenómeno recente das redes sociais urge uma reformulação da lei que contemple este tipo de casos: "Há 20 anos, por exemplo, havia pessoas que praticavam burlas informáticas e, como não estava previsto no Código Penal, não era crime. Houve que acrescentar à tipicidade do Código Penal novos crimes." Sobre a necessidade da criação de uma entidade reguladora para situações como incitamento à homofobia, o advogado acrescenta que a situação deverá ser avaliada pelas instâncias competentes. "Se houver um crescendo de sentimentos - mais do que comentários - desta natureza, pode ser que haja necessidade no futuro de criar uma entidade reguladora. Neste caso, seria de bom tom o Ministério Público comentar estas situações, que constituem crime de incentivo à homofobia", afirma Arrobas da Silva.

Contactado pelo DN, o presidente da ILGA Portugal explica, a propósito de a maioria dos comentários colocados no Facebook e no ciberespaço serem feitos por homens, que "a homofobia está ligada ao sexismo. Há uma relação quase umbilical entre género e sexualidade". Paulo Côrte Real explica ainda que, segundo dados do Eurobarómetro, "a discriminação segundo a orientação sexual é a que tem maior prevalência em Portugal. Isto é um problema mundial mas temos um grande trabalho a fazer, apesar de, no ano passado, termos dado passos importantes nesse sentido".

13 Janeiro 2011

http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1755459