Sunday, 6 March 2011

RELATÓRIO MÉDICO SERÁ FUNDAMENTAL PARA PERCEBER A PERSONALIDADE DO MANEQUIM


Relatório médico de Renato Seabra será fundamental para perceber a personalidade do manequim

Renato Seabra, acusado do homicídio de Carlos Castro, volta a tribunal hoje, sexta-feira, numa audiência pré-julgamento em que serão discutidas questões processuais.

Segundo a Lux apurou, a estratégia de David Touger é levar o caso do manequim a julgamento. O advogado de defesa de Renato Seabra iria apresentar no Supremo Tribunal de Nova Iorque uma moção com cerca de seis requerimentos, entre eles um de pedido de anulação da confissão do manequim.

David Touger quer provar ainda que o depoimento prestado por Renato Seabra a 7 de janeiro foi recolhido de forma ilegal, sem a presença do seu advogado e numa altura em que o manequim não se encontrava em condições psicológicas para o fazer.

«Estamos ainda longe do julgamento (...)Se o juiz aceitar alguns destes requerimentos, vão ser marcadas audiências para resolver estes assuntos antes do julgamento, que só deve acontecer lá para o final do ano e, depois de começar, não durará mais de um mês», explica Tony Castro, ex-procurador de justiça de Nova Iorque.

Por outro lado, Renato Seabra só poderá ir a julgamento quando os psiquiatras que o seguem decidirem que está mentalmente apto a compreender o processo e a ajudar a defesa.

Renato Seabra continua a ser sujeito a uma avaliação psiquiátrica pelos médicos do Bellevue Hospital, sinal de que ainda necessita de ajuda médica.

Em Portugal, o mesmo procedimento é moroso e muito exaustivo, para que nada escape aos olhos dos psicólogos. «(...)É preciso fazer várias entrevistas curtas ao indivíduo para não o cansar (não mais de uma hora e pouco de cada vez), que servem para o técnico conhecer a estrutura da pessoa que está à sua frente. Só assim vai poder colocar hipóteses sobre as possíveis patologias do sujeito(...). A seguir é necessário despistar se ele está a responder com verdade ou mentira (...). Só nessa altura é que o psicólogo faz um relatório para enviar ao tribunal, que decidirá se ele é inimputável ou não (...)», explica à Lux Carlos Alberto Poiares, professor de Psicologia Forense.

Em tribunal, o relatório médico será fundamental para perceber porque é que a relação entre Renato Seabra e Carlos Castro culminou numa tragédia. Por estar preso num país que não é o seu e longe da família, o manequim estará ainda mais fragilizado.

Natália Ribeiro em 2011-03-04


RENATO ESTÁ AFASTADO DO MUNDO


Renato Seabra está “afastado do mundo”

Tem sido assim desde que regressou de Nova Iorque: o principal motivo da” angústia constante” de Odília Pereirinha é “o facto de Renato estar completamente sozinho”. A mãe do alegado homicida de Carlos Castro já se encontra em Cantanhede e, por estes dias, tem tentado encontrar formas de poder ajudar o filho.

Odília está disposta a abdicar de tudo e já colocou a casa, localizada no centro da cidade, à venda para poder fazer face às despesas inerentes à defesa de Renato Seabra nos Estados Unidos. E será esse factor que, aliado à falta de apoio por parte das autoridades, tem suscitado vários movimentos de solidariedade nos últimos dias.

Esta é, pelo menos, a tese da família. Ao DIÁRIO AS BEIRAS, José Malta , cunhado de Renato Seabra, manifestou alguma revolta com a resposta dada pelo cônsul quando a mãe de Renato lhe perguntou o que poderia fazer para ajudar o filho: “nada, não podemos fazer nada”, terá sido a resposta. Nesse dia, Odília ainda não tinha estado com o filho, mas a única preocupação do consulado era saber o que a mãe o e os amigos iriam dizer aos órgãos de comunicação social que os esperavam à saída do edifício. “Em desespero, ela apenas disse: por favor, levem-me ao meu filho”, conta José Malta.

Já na ala psiquiátrica do Hospital Bellevue, Odília Pereirinha encontrou o filho “perturbado” e “magro”. E é ali, “afastado do mundo e sem acesso a ninguém” que Renato Seabra vai permanecer, pelo menos até ao dia da audiência que se realiza no dia 1de Fevereiro. A mãe do jovem está a “organizar a vida para poder voltar para junto do filho o mais depressa possível”, adiantou o cunhado de Renato.

Petição com 10 mil apoiantes

Até ao final do mês, a família e os amigos de Renato devem divulgar a criação de uma associação que, além de lançar a discussão sobre o funcionamento dos consulados na ajuda aos portugueses em dificuldade, pretende fundos para ajudar a custear as despesas judiciais nos Estados Unidos da América. A iniciativa deve ser divulgada durante uma conferência de Imprensa a realizar em Cantanhede.

Entretanto, na internet está a circular uma petição pela extradição de Renato Seabra. O documento tem como destinatários o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Assembleia da República e a Procuradoria-Geral da República, e ontem, ao final do dia, contava com quase 10 mil signatários.

O objectivo dos proponentes é “atenuar o sofrimento da família”; apesar de esperarem que “pelo menos 12 elementos do júri decidam que não existem provas suficientes para julgamento”. Se tal não acontecer, os peticionários vão solicitar “às autoridades competentes a extradição do Renato Seabra para o seu país de origem”.


RENATO: A SEGUNDA AUDIÊNCIA


Renato Seabra: advogado apresenta moções para serem apreciadas pela procuradoria

A segunda-audiência de Renato Seabra durou apenas 5 minutos. Acompanhado pelo advogado, David Touger, pelo tradutor e pela mãe, o jovem modelo, de 21 anos, viu o seu advogado apresentar moções em sua defesa.

As moções são a anulação da confissão do homicidio de Carlos Castro e refutação das provas entregues.

As novas moções terão de ser apreciadas pela procuradora Maxime Rosenthal até dia 8 de abril.

À saída da audiência Odília Pereirinha não quis prestar declarações aos jornalistas.


RENATO: ADVOGADO AFIRMA QUE ACORDO SERÁ PARA UM ANO DE PRISÃO


Renato Seabra: advogado afirma que aceita acordo para um ano de prisão

«Se me oferecer um ano de cadeia eu aceito». Foram estas as palavras de David Touger quando foi questionado, à saída da audiência desta sexta-feira, sobre um possível acordo com Maxine Rosenthal, avança o DN.

«Não tenho ideia, é muito cedo para isso. Mas se me oferecer um ano na cadeia, eu aceito. Mas nesta altura parece que iremos a julgamento, que não haverá acordo», afirmou o advogado de Renato Seabra, que revelou manter contacto permanente com a procuradora do caso.

Recorde-se que Renato Seabra compareceu esta sexta-feira à segunda audiência no Supremo Tribunal de Nova Iorque, em Manhattan, onde David Touger pediu a suspensão da confissão do jovem modelo.


RENATO CADA VEZ MAIS PRÓXIMO DO JULGAMENTO


Nova Iorque: Procuradora e defesa de Renato sem acordo à vista

Insanidade será o tudo ou nada

Aumenta a tensão negocial entre a acusação e a defesa de Renato Seabra, que vai apostar tudo na tese de que o jovem modelo estava fora de si quando matou e mutilou o cronista Carlos Castro.

O sucesso depende dos relatórios médicos dos dois hospitais onde Renato deu entrada – o que se torna arriscado. Se a procuradora mantiver a acusação de homicídio em 2º grau, não aceite pela defesa, e não chegarem a acordo na pena, seguem para julgamento. Aí, é o tudo ou nada para Renato: ou o júri aceita a insanidade, aplicando uma pena de cinco a 25 anos, ou pode levar perpétua.

"Insanidade temporária é a única defesa que Renato tem. Negar o crime seria ridículo", diz Tony Castro, ex--procurador de Justiça de Nova Iorque. A defesa aguarda os "importantes" relatórios do Hospital St. Luke’s Roosevelt, o primeiro para onde Renato Seabra se dirigiu por vontade própria no dia do crime. Todos os relatórios terão de ser entregues à procuradoria quando for anunciada a estratégia da insanidade.

O ex-procurador luso-descendente, que já lidou com casos semelhantes, acredita que "a defesa está sob grande pressão dada a quantidade e qualidade de provas existentes". A probabilidade de chegada a acordo está cada vez mais afastada, e o próprio advogado de Renato reconheceu que o julgamento é o mais provável.

Por:Valério Boto, Nova Iorque


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/insanidade-sera-o-tudo-ou-nada