Sunday, 3 April 2011

FUKUSHIMA: HERÓIS PROCURAM-SE A 3500 EUROS POR TURNO


Emergência nuclear

Empresa que gere central de Fukushima procura heróis por 3500 euros por turno

A Tokyo Electric Power Co (TEPCO), responsável pela central nuclear de Fukushima 1, está à procura de funcionários que se disponham a entrar nas zonas mais radioactivas e cumprir tarefas curtas. O turno é pago a 3500 euros, quase cinco vezes o salário médio.

A Reuters cita um homem de 30 anos que terá contado à revista japonesa Weekly Post que rejeitou uma oferta de 1750 dólares por dia (220 mil yen). "Normalmente seria o trabalho de sonho, mas a minha mulher começou a chorar e recusei."

A empresa que tem estado debaixo de fogo por alegadamente ter subestimado o impacto de um sismo e um tsunami na central - depois de ter sido condenada por falsificar relatórios de segurança nos anos 90 - anunciou este sábado ter descoberto uma fuga no reactor número 2 por onde estará a escapar material radioactivo em direcção ao mar. De acordo com a Reuters, os medidores contabilizaram nesta frincha no isolamento de betão 1000 msv de radiação por hora, supostamente o nível mais elevado registado no segundo grande desastre nuclear depois de Chernobyl.

O The Japan Times online destaca na edição online o facto de a Tepco estar repetidamente a corrigir os níveis de radiação em Fukushima e de só agora, três semanas depois do desastre, ter revelado que a maioria dos seus trabalhadores no local não têm medidores de radiação, um instrumento fundamental para conter os danos da exposição excessiva. Esta semana a agência japonesa para a segurança nuclear e industrial anunciou que já 20 trabalhadores foram expostos a mais de 100 msv, o valor a partir do qual há um risco acrescido de cancro.

Primeiro-ministro visita perímetro evacuado

Este sábado o primeiro-ministro Naoto Kan fez a primeira visita à região afectada pelo sismo e tsunami de 11 de Março. Depois de visitar um campo de desalojados na aldeia costeira de Rikuzentakata, Naoto Kan anunciou que a reconstrução será uma "longa batalha". Segundo a Reuters, a sensação dos locais depois de uma tragédia que terá morto mais de 28 mil pessoas, é que a visita peca por tardia. Um pescador de 45 anos, citado pela agência de notícias japonesa Kyodo, lamentava a falta de electricidade e água em alguns centros de evacuação. "São pessoas que nem conseguem ir procurar os mortos. Ele [Kan] tem de prestar-lhes atenção."

Já dentro da zona de evacuação mais restrita, um raio de 20 quilómetros até à central, o primeiro-ministro visitou uma aldeia onde o ginásio está a ser utilizado como quartel-general pelos samurais de Fukushima, como são chamados os 300 homens que em turnos de 500 tentam controlar os reactores.

por Marta F. Reis, Publicado em 02 de Abril de 2011


Friday, 1 April 2011

PATRICK MONTEIRO DE BARROS LAMENTA O TABU QUE EXISTE EM PORTUGAL ACERCA DA ENERGIA NUCLEAR

Energia

Patrick Monteiro de Barros defende nuclear em Portugal

"Portugal tem capacidade para ter uma ou duas centrais nucleares".

Patrick Monteiro de Barros continua a defender o nuclear em Portugal, apesar dos problemas no Japão.

"Portugal tem capacidade para ter uma ou duas centrais. A questão central é que se quisermos ser competitivos e ser um País que exporta, temos de ter acesso à energia e nos próximos anos a solução mais competitiva, em termos de preço, mais limpa, em termos de emissões de CO2, e a mais segura, é o nuclear", disse o empresário ao Diário de Notícias.

O empresário lamenta o que aconteceu no Japão mas lembra que a causa foi "um fenómeno exterior: um dos maiores tremores de terra da história". "Não há confirmação de que tenha havido uma explosão no interior do reactor; houve, sim, explosões de hidrogénio libertado dentro das instalações (...) Não podemos fazer um bicho-papão do que aconteceu no Japão", concluiu.

Lamentando o "tabu" em Portugal sobre o assunto, Monteiro de Barros sublinha que o "Brasil vai ter seis centrais nucleares" e que "não há nenhuma razão que indique que só porque houve este evento no Japão se deva desistir do nuclear".

Económico

15/03/11 12:48



Thursday, 31 March 2011

GUARDA DE HONRA DESMAIA DURANTE A RECEPÇÃO CARLOS E CAMILA EM ESPANHA


http://www.lux.iol.pt/internacionais/carlos-principe-carlos-letizia-visita-espanha-jantar-de-gala/1243327-4997.html

ADVOGADO DE RENATO VAI ALEGAR INSANIDADE MENTAL


Renato Seabra vai alegar insanidade no próximo dia 8 de abril.

O advogado do modelo português, de 21 anos, acusado do homicídio de Carlos Castro, de 65, vai alegar que o jovem não agiu conscientemente no momento do crime.

No entanto, na última sexta-feira, David Touger ainda esperava pelos documentos do hospital que podem ajudar na teoria de insanidade.

Recorde-se que Renato Seabra continua preso no Hospital de Bellevue e que a lei de Nova Iorque prevê atenuantes para os crimes cometidos em situação de «distúrbio emocional extremo».


ALGARVE VAI PRODUZIR CAVIAR

Projecto de unidade de aquacultura para criação de esturjão ganhou concurso

Algarve vai começar a produzir caviar

As mesas mais requintadas já se habituaram a ter produtos algarvios, como a flor de sal de Castro Marim ou a ostra de Alvor e, dentro de quatro anos, se o projecto de Paulo Pedro e Valery Afilov não falhar, irão ter por companhia o caviar português, made in Algarve.


Da esquerda para a direita, Jorge Raiado, Paulo Pedro e Valery Afilov
(Foto: Vasco Célio)

A ideia desta produção partiu do ucraniano Valery Afilov, que a propôs ao biólogo marinho Paulo Pedro, da Universidade do Algarve. Juntos delinearam as bases do projecto e levaram-no ao concurso de ideias realizado por aquela mesma universidade. Resultado: ganharam e, na semana passada, receberam o Prémio Especial Economia do Mar, neste concurso que teve o apoio da Caixa Geral de Depósitos.

O prémio traduz-se num conjunto de apoios não financeiros "e ajuda a abrir portas ao investimento", diz Paulo Pedro, que vai precisar de 1,5 milhões de euros para os primeiros sete anos de investimento.

A primeira embalagem de caviar português poderá estar na mesa dentro de três a quatro anos, o tempo necessário para que o esturjão que vai ser criado em aquacultura produza as ovas. A equipa irá comprar peixes com um centímetro de comprimento, porque comprar espécimes adultos seria inviável - seriam muito caros e não se adaptariam ao cativeiro.

Temperatura amena ajuda

Paulo Pedro também teve dúvidas quando Valery Afilov, com 12 anos de experiência na produção de caviar em aquacultura, lhe falou deste negócio.

O esturjão, de onde se extrai as ovas (caviar), não vive só em águas frias? "Essa foi a primeira pergunta que fiz, e, afinal, a temperatura óptima para o crescimento do peixe varia entre os 24 e os 26 graus." Em países como a Rússia, acrescenta, o peixe chega a necessitar de 20 anos para atingir o tamanho adulto. A mesma espécie no Algarve pode atingir 50 quilos, ao fim de sete anos.

Convencidos de que as temperaturas amenas da região iriam fazer com que o esturjão crescesse duas ou três vezes mais rápido do que nas águas frias da Rússia, Paulo e Valery abriram o círculo a Jorge Raiado, um produtor de flor de sal de Castro Marim e ligado às lojas dos produtos gourmet. Contam estar a produzir 600 a 700 quilos de caviar por ano, a partir de 2015/2016. O preço de um quilo desta iguaria varia entre 1500 e 5000 euros. Há clientes que chegam a esperar anos pelo produto.

Quem pense que come caviar natural, desengane-se. "O caviar natural é ilegal, o que existe é produzido em aquacultura, porque é uma espécie protegida", frisa o biólogo.

A unidade de produção que vai ser criada no Algarve vai recorrer a quatro espécies diferentes: beluga (Huso huso), russo (Acipenser gueldenstaedtii), siberiano (Acipenser baerii) e starlet (Acipenser ruthenus), dado terem o crescimento mais rápido e a maturação poder suceder dependendo da espécie entre o 3.º e o 7.º ano.

"Temos interesse, numa segunda fase, em produzir também esturjão atlântico (Acipenser sturio) e poder contribuir para o repovoamento desta espécie", que se extinguiu em Portugal (ver caixa), salienta Paulo Pedro. "Há relatos de captura de esturjão no rio Guadiana até à década de 1970." Porém, a pesca não tinha por objectivo o caviar, mas a carne do peixe.

Esta produção em aquacultura realiza-se em circuito fechado, em tanques de água doce, dentro de armazéns. O projecto, diz Paulo Pedro foi concebido a pensar "essencialmente na exportação", mas os "bons restaurantes da região não irão perder a oportunidade de ter o caviar português".

Piscar o olho a Tavira

A localização para a exploração ainda não está definida, podendo surgir em qualquer parte, dependendo das melhores condições que forem oferecidas.

A zona de Tavira é a que, à partida, surge como a mais provável, já que os promotores pretendem utilizar a água, nas mesmas condições que os agricultores, a preços mais baixos, através da Associação de Regantes. No que diz respeito aos potenciais investidores no projecto, diz o biólogo, "tem havido muitas manifestações de interesse". "Mas reconheço que produzir douradas é mais fácil."

Licenciamento será a parte mais difícil

O que mais preocupa os promotores "é a fase do licenciamento". "Na importação dos juvenis, por se tratar de uma espécie exótica, é previsível que surjam problemas." Os aquacultores portugueses, diz Paulo Pedro, "estão habituados ao paradigma da cultura da dourada e do robalo, vão pouco além disso". Por isso, reconhece que a criação de esturjão possa surgir como novidade, mas não é inédito. "Faz-se em vários países da Europa. O mais próximo é Espanha, mas a Arábia Saudita também já entrou em força no mercado, e a China está a começar". Os tanques de produção terão uma área de 1200 metros quadrados, com uma profundidade de um metro. O peixe, apesar de atingir 40 a 50 quilos, não se movimento muito. Engorda como se fosse uma vaca à manjedoura - 1,6 quilos de ração equivale ao aumento de um quilo de peso.

31.03.2011 - 12:29 Por Idálio Revez