BULLYING CRIME PÚBLICO
Saturday, 18 June 2011
Saturday, 4 June 2011
DEFESA DE RENATO APOSTA NA INSANIDADE MENTAL
Defesa aposta na insanidade mental de Renato Seabra
Mais gordo, com um novo penteado e uma expressão facial grave, Renato Seabra, de 21 anos, regressou ontem ao Supremo Tribunal de Nova Iorque, onde o seu advogado, David Touger, entregou uma notificação de intenção de recorrer à "defesa psiquiátrica". No final da quinta sessão em tribunal, o advogado garantiu que vai tentar provar que "no momento em que os actos de que é acusado foram cometidos estava sob efeito de doença ou defeito mental", alegando desta forma insanidade mental.
Com base nestes argumentos, David Touger pretende que Renato Seabra seja internado numa instituição de saúde mental, evitando, desta forma, uma pena de prisão. Caso seja provado que o manequim de Cantanhede não teve consciência do crime que cometeu, a pena pode ser reduzida para menos de 25 anos de cadeia.
O juiz Charles Solomon decidiu que a defesa tem até ao dia 28 de Junho, data da próxima sessão, para entregar os relatórios psiquiátricos como se comprometeu a fazer há mais de três meses.
Como tem acontecido em todas as sessões em que o homicida do cronista português Carlos Castro, de 65 anos, é presente ao juiz, estava algemado e com um ar bastante abatido. Ontem, vestia umas calças de ganga, uma camisa branca e um blazer creme e apresentava um corte de cabelo diferente do que tinha na última sessão, a 29 de Abril. O jovem de 21 anos esteve sereno durante toda a audiência, não reagindo às palavras que eram ditas em tribunal.
O advogado justificou a aparência do seu cliente com "a grande pressão" de que tem sido alvo.
Recorde-se que, após uma forte discussão, Renato Seabra, que tinha viajado com Carlos Castro no final do ano passado para Nova Iorque para assinalarem a Passagem do Ano, agrediu o cronista com violência tendo-o ainda mutilado nos órgãos genitais já depois da a vítima estar morta, no Hotel Intercontinental, a 7 de Janeiro.
PORMENORES
TRANSFERIDO
A 12 de Abril, deixou o Hospital de Bellevue e foi transferido para a prisão de alta segurança de Rikers Island.
INTERCONTINENTAL
O autor confesso do crime e o cronista social estavam de férias em Nova Iorque, onde tinham assinalado a Passagem de Ano.
04-06-2011
Friday, 3 June 2011
SOBRINHOS DE SILVA PAIS SENTAM GENTE DO TEATRO NO BANCO DOS RÉUS
Annie Silva Pais
Sobrinhos de diretor da PIDE sentam gente do teatro no banco dos réus
“Uma aberração”, “um ato de censura” e “a sensação de que estamos a andar para trás” são expressões usadas durante o julgamento a propósito de uma peça de teatro em que é retratada a figura de Silva Pais, último director da PIDE, a polícia do fascismo que foi um dos pilares da política de repressão durante os anos do Estado Novo.
Os arguidos, que hoje voltam a tribunal, falam de “aberração de julgamento 37 anos após o 25 de Abril de 1974”. Em 2007 o Teatro Nacional D. Maria II levava à cena “A Filha Rebelde”, encenação de Helena Pimenta de uma adaptação do livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz sobre a vida de Annie Silva Pais, filha de Silva Pais, chefe da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado).
A caracterização de Silva Pais não foi do agrado de dois sobrinhos do último chefe da polícia política, que morreu logo no início de 1981. Carlos Alberto Mano Silva Pais e Berta Maria Mano da Silva Pais Ribeiro acusam Margarida Fonseca Santos, autora da adaptação da obra, e Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira, ex-directores do D. Maria II, de difamação e exigem uma indemnização de 30 mil euros. Os acusados lamentam que três décadas e meia depois de o 25 de Abril ter libertado o país do regime ditatorial seja possível viabilizar em tribunal um tal processo. Por um lado, argumentam com o facto de se tratar de uma peça de ficção, o que sugere desde logo um ato de censura à criação. Por outro, referem que a figura de Silva Pais é secundária e apenas serve para a contextualização da sua filha. Em sessões anteriores do julgamento, os arguidos explicaram que perante o objectivo de mostrar a "riqueza da personalidade" de Annie Silva Pais - contando a sua história desde o matrimónio com um diplomata suíço, com quem viveu em Cuba e onde se apaixonou pelo início da revolução (1959) que decapitou Fulgêncio Batista, a paixão por Che Guevara que a leva a abandonar o casamento de conveniência –, a figura de Silva Pais, seu pai e último director da PIDE, surge como contextualização: a ideia era mostrar como, com personalidades tão diferentes, conseguiam manter intacta a relação pai-filha.
É nesta linha de defesa que Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira falam de “uma aberração de julgamento 37 anos depois do 25 de Abril de 1974", um "ato de censura" que pode "abrir um precedente grave".
Nem a encenadora, Helena Pimenta, nem os autores do livro, José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, estão acusados pelos sobrinhos de Silva Pais.
“Estamos a andar para trás”
Após a audição de sexta-feira no Parque das Nações, o general Garcia dos Santos, um dos cérebros da revolução de 1974, lamentou que este caso esteja a ser desvalorizado e não tenha suscitado o envolvimento dos portugueses, o que o leva a considerar que Portugal lhe dá a “sensação de que estamos a andar para trás”.
"Muitas coisas que estão a vir a público nos últimos tempos dão a sensação de que estamos a andar para trás”, apontou o militar no final da sessão, para acrescentar: ”Lamento-o e tenho esperança de que o país não vá mesmo para trás".
Vítimas de Silva Pais arroladas pela defesa
No rol das testemunhas da defesa estão entre outros Frederico Delgado Rosa, investigador neto do general Humberto Delgado, assassinado pela PIDE em 1965 (era diretor Silva Pais), o realizador de cinema José Fonseca e Costa, o histórico resistente antifascista Edmundo Pedro, João Lourenço, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, o escritor António Torrado e o dramaturgo e ensaísta Luiz Francisco Rebello. Todos estes nomes têm um ponto para o qual a sua vida convergiu num dado momento: de tortura ou de censura, foram vítimas da PIDE. Por isso testemunham agora neste processo.
Já os autores do livro que dá origem à peça, José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, foram arrolados tanto pela defesa como pela acusação.
02 Jun 2011
"FILHA REBELDE" EM TRIBUNAL
"Filha Rebelde": vítimas da PIDE arroladas como testemunhas de defesa dos arguidos
por Agência Lusa, Publicado em 01 de Junho de 2011
Com histórias de vida ou opções políticas diferentes todos têm um denominador comum: de forma direta ou indireta todos foram vítimas da PIDE/DGS, daí que estejam arrolados como testemunhas de defesa dos arguidos do caso "Filha Rebelde".
Uns sofreram as torturas impostas pela polícia política do Estado Novo, outros, sobretudo os escritores e os encenadores, mesmo que não tenham estado presos viram a liberdade criativa cerceada ou censurada.
Frederico Delgado Rosa, investigador neto do general Humberto Delgado, o realizador de cinema José Fonseca e Costa e o histórico resistente antifascista Edmundo Pedro contam-se entre as testemunhas de defesa de Carlos Fragateiro, José Manuel Castanheira e Margarida Fonseca Santos, que voltam hoje ao Tribunal Criminal de Lisboa onde respondem por alegada "difamação e ofensa à memória" do último diretor da PIDE, Silva Pais.
Hoje devem ser ouvidos apenas José Manuel Castanheira, Margarida Fonseca Santos e uma testemunha arrolada pela acusação, disse à Lusa o advogado de Carlos Fragateiro e Margarida Fonseca Santos, Lucas Serra.
O encenador João Lourenço, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, o escritor António Torrado e o dramaturgo e ensaísta Luiz Francisco Rebello (que já dirigiu a SPA) e que em 1971 presidiu ao Teatro S. Luiz demitindo-se um ano depois por discordar das ingerências da Comissão de Censura são outras das testemunhas de defesa dos arguidos, embora o tribunal ainda não tenha marcado data para os ouvir.
No banco dos réus estão os dois ex-diretores do Teatro Nacional D. Maria II, Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira, e Margarida Fonseca Santos, autora da adaptação teatral de "A Filha Rebelde" -- baseada no livro dos jornalistas José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz -, levada à cena em 2007, encenada pela espanhola Helena Pimenta.
Curioso neste processo é o facto de os autores da obra estarem arrolados tanto pela defesa como pela acusação, prevendo-se que Valdemar Cruz deponha, em princípio em videoconferência, no dia 07, o mesmo dia em que deverá ser ouvida Berta Silva Pais Ribeiro, sobrinha de Silva Pais, que devido a um acidente de viação faltou à audiência de sexta-feira e cuja audição está dependente da recuperação, acrescentou á Lusa Lucas Serra.
Retratar a "riqueza da personalidade" de Annie Silva Pais, contando a história da filha do último diretor da PIDE desde o casamento com um diplomata suíço com quem foi viver para Cuba onde se apaixonou pelo início da revolução que depôs o presidente Fulgêncio Batista (1959) ou o "coup-de-foudre" que teve por Che Guevara levando-a a abandonar um casamento de conveniência foram os objetivos da peça, segundo o testemunho dos arguidos nas anteriores audiências.
Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira têm mesmo argumentado que a figura de Silva Pais era apenas usada como contextualização dado que o que pretendiam era mostrar como duas personalidades tão diferentes como Annie e Silva Pais conseguia manter intacta a relação pai-filha.
"Uma aberração de julgamento 37 anos depois do 25 de abril de 1974" e "não saber distinguir a realidade de uma peça de teatro, que mesmo baseada em factos reais é sempre uma ficção", foram também motivos invocados pelos arguidos.
Estes não deixam, porém, de classificar o julgamento como um "ato de censura" acrescentando que pode "abrir um precedente grave", como disseram à Lusa no final das audiências.
Tal como não entendem que a opinião pública não se mobilize nem acompanhe este processo. Opinião partilhada pelo general Garcia dos Santos, que depois de assistir à audiência de sexta-feira, disse estar indignado pela falta de interesse público sobre este julgamento que "dá a sensação de que estamos a andar para trás".
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