Wednesday, 7 September 2011

PADRE VICTOR: UM PADRE DA IGREJA ACTUAL


"Sou um padre da Igreja actual"

Café com Padre Victor, Padre, professor e músico

2009-12-18

SARA OLIVEIRA

"Palavras" é o disco de estreia de um padre que, aos 34 anos, usa a música para chegar aos fiéis e a todos que o queiram ouvir.

Um concerto à beira mar é um dos desejos deste padre cantor

Um dos seus temas serve de banda sonora à novela "Sentimentos".

Em palco, poucos dirão que é padre, mas o discurso não esconde a vocação. Aos 34 anos, o padre Victor, que é pároco em Torre de Moncorvo, tornou-se um nome conhecido da música nacional, até porque já passou por muitos programas de televisão com o seu disco "Palavras", cujo tema acompanha encontros e desencontros em "Sentimentos", novela da TVI. Rui Veloso, Mafalda Veiga, Coldplay, Robbie Williams ou Queen são algumas das fontes de inspiração.

Como é que um padre se transforma em músico pop?

O padre não se transforma. O padre continua a sua missão servindo-se de uma forma de expressão contemporânea. Apenas coloco ao serviço dos outros um dom que Deus me deu.

Em palco, sente-se outra pessoa?

Sinto-me feliz. Feliz por cantar as minhas "palavras". Feliz por levar a minha mensagem aos outros. Feliz por ver as pessoas felizes com o meu "ser padre".

As pessoas têm reagido bem ao talento do padre-cantor?

Creio que sim. Aliás, as mensagens que recebo a dar-me coragem neste desafio e projecto, fazem com que eu não desanime.

Acha que é mais fácil chegar aos fiéis e até aos seus alunos através da música?

Para eu chegar aos outros, primeiramente terá que cada um abrir a sua vida e o seu coração à mensagem que eu quero passar. De que vale passar uma mensagem "positiva" se as pessoas não estão receptivas a isso? É preciso que haja disponibilidade para escutar esta mensagem. A música que faço tenta ir ao encontro das tendências actuais, daquilo que os jovens e eu próprio, enquanto jovem, ouvimos.

Podemos defini-lo como um padre adaptado aos novos tempos?

Sou um padre dos tempos de hoje, porque é hoje que vivo. A minha realidade é hoje, aqui e agora. Anuncio um Cristo do "ontem", do "hoje" e de "sempre". Sou um padre da Igreja actual, do mundo actual. Tento ser o padre que as pessoas precisam.

O seu single de estreia dá música à novela "Sentimentos". Segue a história?

Sempre que posso e tenho essa disponibilidade. É uma história actual, com quadros actuais, ligada a realidades sociais.

Onde é que gostava de dar um concerto?

Sendo eu "pescador de homens", porque não à beira-mar? Numa praia do nosso país. Aliás, foi à beira-mar que Jesus fez o convite aos seus discípulos.

PADRE COMPÕE E INTERPRETA TEMA DA NOVELA "SENTIMENTOS"


TVI: Pároco de Vila Nova de Foz Côa canta em ‘sentimentos’

Padre benfiquista dá música a novela

É padre, chama-se Victor, tem 34 anos, e está prestes a tornar-se uma estrela da música nacional. Assume--se como "benfiquista sofredor" e é autor da música da novela ‘Sentimentos’, na TVI. O pároco vai estar hoje, às 14h00, na ‘SIC ao Vivo’, a partir de Coimbra, para promover o seu primeiro álbum ‘Palavras’.

22 Julho 2009

Por: Márcia Bajouco

"A música da novela fala de uma busca, de uma caminhada de fé, de um acreditar em nós mas também Naquele que tudo cria. A certeza de que não estamos sozinhos nesta caminhada existencial", diz ao CM, acrescentando: "Inspirei-me na minha vida. Na minha existência humana, na minha caminhada."

Sobre a música que toca, classifica-a de "pop fresco e descomprometido", inspirada nos seus cantores favoritos, "Queen, Robbie Williams e Coldplay".

O pároco de Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa, garante que vê a novela ‘Sentimentos’ sempre que pode. "Parece-me ter vários quadros interessantes. Quer a nível das relações sociais, quer na dimensão eclesial actual". Quase obrigatório é "terminar o dia com uma hora de natação, para poder descansar melhor".

Victor é um padre com os olhos no futuro e até já tem uma página na internet, www.myspace.com/padrevictor. Sobre a sua ida à SIC considera que "a Igreja tem de estar onde estão as pessoas".

PORCA DE ESTIMAÇÃO NA ANADIA

ANÍBAL TAVARES: HÁ PEDÓFILOS A TRABALHAR NA CASA PIA

ANÍBAL TAVARES: HÁ PEDÓFILOS A TRABALHAR NA PROVEDORIA DA CASA PIA

Aníbal Tavares, educador, foi suspenso de funções na passada sexta-feira, por ordem da provedora Catalina Pestana. Não sabe do que é acusado, mas assegura que está a ser perseguido por um grupo de funcionários que não lhe perdoam o facto de, “desde o início”, estar a ajudar Pedro Namora e Adelino Granja na luta contra a pedofilia.

05 Maio 2003

Por:Octávio Lopes

Correio da Manhã - Como é que está a sua situação na Casa Pia?

Aníbal Tavares - Soube na passada sexta-feira que estava suspenso de funções.

- Porquê?

- Não sei. Quem me disse que estava suspenso foi a directora do Colégio Nuno Álvares Pereira, Isabel Soares Ferreira. Isto aconteceu de manhã. À tarde, o segurança do colégio barrou-me a entrada, referindo que tinha recebido uma ordem oral da directora.

- Antes de ser suspenso, foi alvo de algum inquérito disciplinar?

- Em meados de Março, um inspector do Ministério da Segurança Social informou-me que me tinha sido instaurado um processo disciplinar por ordem da provedora, devido a afirmações graves graves que tinham sido feitas por “outros”. Não me disse do que se tratava. Penso, no entanto, que o que me sucedeu faz parte de uma estratégia que visa calar quem está disposto a denunciar o que se passou na Casa Pia. Estou a ser perseguido. Injustamente, dado que a minha vida é a Casa Pia e tudo fiz para prestigiar a instituição. Estive, por exemplo, 13 anos sem férias. Reconheço, no entanto, que uma ou outra vez dei algumas bofetadas nas crianças.

- Fez algumas denúncias?

- Fiz. Uma delas foi contra o funcionário Sanches. Esse senhor molestou quatro crianças - entre os 7 e os 11 anos - que me estavam confiadas no Lar António Bernardo. O que os miúdos me contaram, confirmaram posteriormente à Polícia Judiciária, dias depois de Carlos Silvino ter sido detido.

- A quem fez essa denúncia?

- À provedora da Casa Pia.

- Como é que Catalina Pestana reagiu?

- Não muito bem. Foi muito áspera e pediu-me para escrever tudo o que eu sabia do Sanches. Foi o que fiz.

- ...

- Dois anos antes de Carlos Silvino ser detido já eu tinha denunciado o Sanches. Cheguei a apanhá-lo com dois menores no seu gabinete, com a porta semi-fechada. Na altura, não contei a ninguém, mas fui falar com ele e avisei-o que não o queria perto das minhas crianças.

- Como é que Sanches reagiu?

- Começou a espalhar que eu estava contra os homossexuais. A partir daí, com a ajuda da responsável do internato do colégio Nuno Álvares, Isaura Cerqueira, a minha vida passou a ser um inferno. Comecei a ser perseguido por ela. Há muito tempo que tenta prejudicar-me. Já chegou ao ponto de tentar que os meus educandos façam acusações contra mim.

- Sanches acabou por ser suspenso pela provedora?

- Isso só aconteceu quando três dos alunos mais velhos do Lar António Bernardo foram falar com a drª. Catalina Pestana e lhe perguntaram porque é que ele não era suspenso.

- E em relação a Isaura Cerqueira?

- Chegou a haver reuniões dos educadores do internato onde foram denunciados casos de abusos de poder e má-criação por parte dessa senhora. Várias vezes informámos, por escrito, a directora do Colégio Nuno Álvares, Isabel Soares Ferreira, do que se estava a passar. Ela, de uma forma serena, tentou acalmar a situação. Só que isso não resultou.

- Para fazer o que faz, Isaura Cerqueira...

-... está muito bem protegida por um grupo que não quer que a Casa Pia mude.

- Quem faz parte desse grupo?

- Sanches, a senhora Vitoriana, chefe da secretaria - chegou a dizer-me, pessoalmente, que odiava todos os casapianos - e Magalhães, entre outras pessoas. Posso dizer, aliás, que há pedófilos a trabalhar na Provedoria. Todos eles estão mais preocupados em defenderem-se uns aos outros do que proteger as crianças. Foi o que sucedeu quando, há dois anos, denunciei o Sanches.

- Quem são esses pedófilos que estão na provedoria?

- Se for preciso, estou disposto a revelar o que sei às autoridades. Já fui uma vez ao DIAP, mas apenas relatei o que sabia do Sanches. Posso acrescentar, aliás, que conheço pessoas que foram molestadas por um desses funcionários da Provedoria.

- O que está a relatar é do conhecimento de mais pessoas?

- Em relação à minha suspensão, contei ao meu sindicato. O advogado achou que o que me estão a fazer é ilegal. Sobre o que se passa na Casa Pia já falei com Pedro Namora e Adelino Granja. Tenho estado com eles desde o início da caminhada dolorosa contra a pedofilia.

- Falou num grupo organizado...

-... há mais do que um grupo. E são facilmente identificáveis. Têm interesses instalados na Casa Pia.

- Que tipo de interesses?

- Não querem perder o poder que têm.

- Referiu que uma das pessoas de um desses grupo chama-se [António] Magalhães...

-... há muito tempo que entram pessoas para a Casa Pia, cujo ponto de referência é esse senhor.

- Que faz Magalhães na Casa Pia?

- Actualmente, é assessor da Provedoria. Foi educador e era o braço direito do dr. José Pires, ex-director do Colégio Maria Pia, que também é assessor da drª Catalina Pestana.

- Qual é a ligação entre Isaura Cerqueira, Sanches, José Pires, Vitoriana e Magalhães?

- São muito amigos.

- Há mais educadores na sua situação?

- Conheço mais pessoas que estão a ser visadas pelo grupo de Magalhães e Isaura Cerqueira. Estão, como eu, a sofrer represálias, por terem tentado lutar contra o que está mal na Casa Pia. Peço, por isso, a todos os meus irmãos casapianos que façam como eu - dêem a cara. Envolvam-se, apareçam e ajudem quem não pode entrar em batalhas jurídicas dispendiosas. Obrigado ‘Joel’ [o aluno que deu origem ao escândalo de pedofilia na Casa Pia] por me teres dado coragem.

PERFIL

Nome - Aníbal Fernando Tavares.

Local e data do nascimento - São Vicente (Cabo Verde), em 28/10/1963.

Entrada na Casa Pia - Em Outubro de 1973.

Percurso - Aluno do regime semi-interno e interno entre 1973 e 1986. Fequentou o ensino preparatório na Escola Francisco Arruda e o secundário na Escola Marques de Pombal, onde concluiu o curso complementar de electricidade.

Início de funções - Em 1986 foi admitido como preceptor.

Função actual - Ténico principal//educador em regime de internato, no Lar António Bernardo, do Colégio Nuno Álvares Pereira.

NAMORA E GRANJA CHOCADOS

Pedro Namora e Adelino Granja ficaram chocados com a suspensão do educador Aníbal Tavares, ordenada por Catalina Pestana, na passada sexta-feira.

Os antigos casapianos não escondem mesmo que poderão estar perante um caso de perseguição, por parte de alguns “poderosos funcionários” da Casa Pia de Lisboa. “Isso pode muito bem estar a suceder, dado que Aníbal Duarte desde o início do escândalo da pedofilia que nos tem estado a ajudar”, diz Adelino Granja, frisando que Sanches, por exemplo, foi uma das pessoas referenciadas. “E Sanches acabou mais tarde por ser suspenso”.

Já Pedro Namora lamenta que Aníbal Tavares não tenha sido informado das razões que levaram Catalina Pestana a impedi-lo de trabalhar no lar António Bernardo. “Em primeiro lugar, devo dizer que ninguém está acima de qualquer suspeita. Espero, no entanto, que todas as pessoas, nomeadamente os funcionários da instituição, tenham asseguradas as suas garantias de defesa. Se Aníbal Tavares foi suspenso sem que lhe tenha sido entregue a nota de culpa, acho isso lamentável”, referiu Pedro Namora.

CRONOLOGIA DO PROCESSO CASA PIA

29-12-2003

Cronologia

23 de Setembro de 2002 - A mãe de "Joel", um aluno da Casa Pia de Lisboa, apresenta uma queixa na Polícia Judiciária (PJ) contra o funcionário da instituição Carlos Silvino ("Bibi") por abusos sexuais contra o filho.

7 de Novembro de 2002 - Ministério Público emite mandado de captura contra Carlos Silvino.

23 de Novembro de 2002 - O "Expresso" noticia que centenas de crianças do sexo masculino da Casa Pia de Lisboa poderão ter sido violadas nos últimos anos por um funcionário da instituição.

25 de Novembro de 2002 - O ministro da Segurança Social e Trabalho, Bagão Félix, demite o provedor da Casa Pia, Luís Rebelo, na sequência de afirmações que considera "infelizes", no âmbito dos alegados casos de pedofilia que atingem a instituição. Carlos Silvino é detido pela PJ na sequência de um mandado de captura por suspeita de abuso sexual de menores. "Bibi" fica em prisão preventiva por decisão do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

12 Dezembro de 2002 - O advogado Hugo Marçal assume a defesa de Carlos Silvino.

1 de Fevereiro de 2003 - O apresentador de televisão Carlos Cruz, Hugo Marçal e o médico Ferreira Diniz são detidos pela PJ. Apenas Hugo Marçal é libertado mediante uma caução de dez mil euros, ficando os outros dois em prisão preventiva.

4 de Fevereiro de 2003 - A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que a detenção de Carlos Cruz, Ferreira Diniz e Hugo Marçal teve por base "fortes indícios" da prática dos crimes de abuso sexual de menores e incentivo à prostituição com fins lucrativos (lenocínio).

1 de Abril de 2003 - Manuel Abrantes, ex-provedor adjunto da Casa Pia de Lisboa, fica em prisão preventiva depois de ter sido detido para interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa.

6 de Maio de 2003 - Hugo Marçal fica em prisão preventiva.

20 de Maio de 2003 - O embaixador Jorge Ritto é detido para interrogatório.

21 de Maio de 2003 - Após mais de seis horas de interrogatório no TIC, em Lisboa, o embaixador Jorge Ritto fica em prisão preventiva por suspeita da prática de crimes de abuso sexual de crianças. O juiz do TIC Rui Teixeira pede o levantamento da imunidade parlamentar do deputado do PS e porta-voz do partido, Paulo Pedroso.

22 de Maio de 2003 - Após cerca de 13 horas de interrogatório, o juiz decreta a prisão preventiva de Paulo Pedroso.

25 de Maio de 2003 - O apresentador e humorista Herman José é notificado para ser ouvido pelo TIC.

30 de Maio de 2003 - O humorista e apresentador de televisão Herman José é constituído arguido no processo, depois de ouvido no DIAP.

23 de Junho de 2003 - O arqueólogo subaquático Francisco Alves confirma ter sido constituído arguido no processo.

27 de Junho de 2003 - O funcionário da Provedoria da Casa Pia de Lisboa José Pires é ouvido no DIAP.

3 de Julho de 2003 - O arqueólogo subaquático Francisco Alves é detido para interrogatório, saindo em liberdade ao fim de duas horas.

16 de Julho de 2003 - O juiz Rui Teixeira confirma a medida de prisão preventiva aos sete arguidos aos quais foi decretada a medida de coacção mais gravosa.

17 de Julho de 2003 - O Tribunal da Relação de Lisboa mantém a prisão preventiva de Paulo Pedroso.

25 de Setembro de 2003 - O Tribunal Constitucional dá razão à defesa e defere os recursos de Jorge Ritto, Hugo Marçal e Paulo Pedroso apresentados em Agosto. O TC considerou que o diplomata foi lesado no "direito ao recurso" por o presidente da Relação de Lisboa indeferir uma reclamação relacionada com a sua prisão preventiva.

8 de Outubro de 2003 - O Tribunal da Relação ordena a libertação imediata de Paulo Pedroso.

15 de Outubro de 2003 - O juiz Rui Teixeira decide manter Jorge Ritto em prisão preventiva, após nova avaliação dos pressupostos da medida de coacção. No mesmo dia, a defesa de Jorge Ritto, a cargo do advogado Rodrigo Santiago, anuncia que vai recorrer da decisão.

18 de Outubro de 2003 - O advogado Hugo Marçal é libertado.

3 de Dezembro - O Supremo Tribunal de Justiça recusa o pedido de afastamento do juiz Rui Teixeira solicitado pelos advogados de defesa de seis arguidos.

17 de Dezembro de 2003 - o Tribunal da Relação de Lisboa ordena a "libertação imediata" de Jorge Ritto e a realização de um novo interrogatório ao arguido pelo juiz Rui Teixeira, por entender que houve violação de preceitos constitucionais e de normas processuais legais na primeira audição, que ditou a prisão preventiva do diplomata.

20 de Dezembro de 2003 - O juiz Rui Teixeira decreta, pela terceira vez, a prisão preventiva do ex-embaixador Jorge Ritto por "perigo de continuação de actividade criminosa" do arguido.

23 de Dezembro de 2003 - Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz e Manuel Abrantes são ouvidos no DIAP pelo procurador do Ministério Público João Guerra.

26 de Dezembro de 2003 - Hugo Marçal e Paulo Pedroso são ouvidos no DIAP.

29 de Dezembro de 2003 - Dez pessoas são formalmente acusadas: Carlos Cruz, Herman José, Paulo Pedroso, Carlos Silvino ("Bibi"), Jorge Ritto, Hugo Marçal, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Francisco Alves e Gertrudes Nunes.

Lusa