Monday, 19 March 2012

AGENTE SALTA PARA CAMIÃO EM MARCHA E EVITA TRAGÉDIA













Agente salta para camião em marcha e evita tragédia

Veja a entrevista aqui
Publicado às 11.55
Maria Cláudia Monteiro

O agente Paulo Ribeiro evitou uma tragédia ao saltar para um camião que começou a andar sozinho, à hora de ponta desta segunda-feira, na baixa do Porto. Conseguiu parar o pesado e ficou uma história digna de um filme de ação para contar ao filho Pedro, no Dia do Pai.

"Nem pensei. Consegui abrir a porta e entrei", contou o agente Paulo Ribeiro ao JN, já refeito do susto.

Eram 9.20 horas desta segunda-feira, quando o camião que estava a ser carregado com uma grua começou a descer sozinho da Avenida Vímara Peres em direção à Praça Almeida Garrett, muito movimentada àquela hora da manhã.

"Estava a ajudar na manobra quando me apercebi que o camião começou a andar", explicou. Paulo Ribeiro, 41 anos, pensou rápido, ou melhor "nem pensou", e agiu depressa.

"O motorista estava a manobrar a grua para a colocar em cima do camião, que começou a andar", contou o agente Paulo Ribeiro, que saltou para o camião e puxou a travão de mão, bem a tempo de evitar uma tragédia.

Durante a descida, o pesado abalroou um poste de iluminação e uma bomba de água. O motorista do pesado ficou ferido sem gravidade no acidente e o trânsito naquelas artérias da cidade não foi afetado.

Para o filho Pedro, de nove anos, fica reservado o relato do agente Paulo Ribeiro da aventura vivida na manhã do Dia do Pai.

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=2370592&page=-1

JEREMY IRONS RODA UM NOVO FILME EM LISBOA

A primeira grande produção internacional de cinema com o nome da capital portuguesa no título vai estrear no início do próximo ano e terá distribuição a nível mundial, foi este domingo anunciado pela produtora Ana Costa.

A rodagem de "Comboio Noturno para Lisboa", dirigido pelo dinamarquês Bille August, decorre a partir de segunda-feira e prolonga-se pelas próximas oito semanas em locais da capital portuguesa, em Caxias (Oeiras) e em Palmela.

O investimento total será de oito milhões de euros, quatro milhões dos quais irão ser gastos em Lisboa, numa coprodução entre Portugal, Alemanha e Suíça, em cuja capital decorreram, ao longo de quatro dias, as únicas filmagens da obra fora de Portugal.

A produção do filme, que é a adaptação de um romance do escritor suíço Pascal Mercier, vai envolver uma equipa de 75 pessoas, na sua maioria portugueses, para contar a história de um professor de Latim de Berna que, nos anos 1960, chega a Lisboa para descobrir mais sobre Amadeu de Prado, médico-escritor e aristocrata português opositor ao regime ditatorial que então vigorava no país.

O principal papel está a cargo do ator inglês Jeremy Irons, que volta a trabalhar em Portugal, como recordou este domingo no encontro com os jornalistas, 19 anos depois de ter estado no país para rodar "A Casa dos Espíritos", também dirigido por August e baseado no romance homónimo da chilena Isabel Allende.

Irons disse que se trata de uma "história de descoberta, mistério e aventura".

Os atores Nicolau Breyner e Beatriz Batarda são alguns do portugueses que também fazem parte do elenco, que conta ainda com a representação de Melanie Laurent (França), Jack Huston e Tom Courtenay (Reino Unido), August Diehl (Alemanha) e Bruno Ganz (Suiça), entre outros.

Ana Costa, da produtora Cinemate, disse que "Comboio Noturno para Lisboa" vai ser o filme que contará com o maior apoio financeiro do fundo europeu Eurimages, cujo valor não especificou.

Salientou também o investimento, no atual contexto de crise, que o filme vai trazer a Lisboa, onde injetará quatro milhões de euros durante o período das filmagens.

O Município lisboeta consta entre os patrocinadores da obra, tal como o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

Já o Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) não deu qualquer contributo financeiro, apesar de ter subscrito um contrato nesse sentido, falha que Ana Costa atribuiu ao facto de aquela instituição estar "paralisada" desde 2008.

Esse investimento faria ainda mais sentido por o filme ter já assegurada a exibição no estrangeiro, a cargo da distribuidora alemã K5. Em Portugal esse papel será assumido pela Lusomundo.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=2369721&page=-1

Sunday, 18 March 2012

RAMPA SEISCENTISTA ESCONDIDA DEBAIXO DO ASFALTO NO CAIS DO SODRÉ

No Cais do Sodré há mais do que uma praia escondida debaixo do asfalto

18.03.2012 - 16:10 Por Ana Henriques


A enorme rampa servia no século XVI para lançar barcos ao rio 
(Pedro Cunha)

Enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI foi descoberta debaixo da Praça D. Luís, juntamente com vestígios de estruturas de séculos posteriores.

A descoberta tem menos de um mês. Os arqueólogos encontraram uma enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI junto ao mercado da Ribeira, em Lisboa. Feita com troncos de madeira sobrepostos, a estrutura ocupa 300 metros quadrados e data de uma época em que a cidade sofria os efeitos de sucessivos surtos de peste e epidemias, graças aos contactos com outras gentes proporcionados pelos Descobrimentos.

Para continuar a trazer de além-mar o ouro, a pimenta e o marfim que lhe permitiam pagar as contas, o reino investia na construção naval, e a zona ribeirinha da cidade foi designada como espaço privilegiado de estaleiros. Os relatos da altura dão conta de uma cidade cheia de escravos vindos de além-mar, mas também de mendigos fugidos do resto do país para escapar à fome.

Os arqueólogos nem queriam acreditar na sua sorte quando depararam com a rampa enterrada no lodo debaixo da Praça D. Luís, a seis metros de profundidade, e muito provavelmente associada a um estaleiro naval que ali deverá ter existido. "É impressionante: é muito difícil encontrar estruturas de madeira em tão bom estado", explica uma das responsáveis da escavação, Marta Macedo, da empresa de arqueologia Era.

No Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico o achado também tem sido motivo de conversa, até porque os técnicos desta entidade foram chamados a acompanhar os trabalhos, que estão a ser feitos no âmbito da construção de um parque de estacionamento subterrâneo. A subdirectora do instituto, Catarina de Sousa, diz que esta e outras estruturas encontradas são, apesar de muito interessantes, perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização na Praça D. Luís é "praticamente inviável". Como a escavação ainda não terminou, os arqueólogos acalentam a esperança de ainda serem brindados, em níveis mais profundos, com algum barco submerso no lodo, como já sucedeu ali perto, tanto no Cais do Sodré como no Largo do Corpo Santo e na Praça do Município. "É possível isso acontecer", admite Catarina de Sousa.

Musealização em estudo

No séc. XVI toda a zona entre o mercado da Ribeira e Santos era de praias fluviais. Mas não era para lazer que serviam os areais banhados pelo Tejo. Na História de Portugal coordenada por José Mattoso, Romero Magalhães conta como, poucos anos após a primeira viagem de Vasco da Gama à India, "a zona ribeirinha da cidade é devassada pelos empreendimentos do monarca [D. Manuel I] e dos grandes armadores".

Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em 1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus, descreve o mesmo autor. São as chamadas tercenas, locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época. Mais tarde a mesma designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam materiais de artilharia.

O espólio encontrado pelos arqueólogos inclui uma bala de canhão, um pequeno cachimbo, um pião, sapatos ainda com salto - na altura os homens também os usavam -, restos de cerâmica e uma âncora com cerca de quatro metros de comprimento, além de cordame de barco. Também há uma casca de coco perfeitamente conservada, vinda certamente de paragens exóticas para as quais os portugueses navegavam.

Um relatório preliminar dos trabalhos arqueológicos em curso explica como a zona da freguesia de S. Paulo se transformou de um aglomerado de pescadores, fora dos limites da cidade de Lisboa, num espaço importante para a diáspora: "A expansão ultramarina contribuiu para uma reestruturação do espaço urbano de Lisboa, que se organiza desde então a partir de um novo centro: a Ribeira". Em redor do Paço Real reúnem-se os edifícios administrativos. "É na zona ocidental da Ribeira que a partir das doações de D. Manuel se irão instalar os grandes mercadores e a nobreza ligada aos altos funcionários de Estado, que irão auxiliar o rei (...) na expansão ultramarina e na centralização do poder", pode ler-se no mesmo relatório. A escavação detectou ainda restos de outras estruturas mais recentes. É o caso de uma escadaria e de um paredão do Forte de S. Paulo, um baluarte da artilharia costeira construído no âmbito das lutas da Restauração, no séc. XVII. E também do vestígios do cais da Casa da Moeda, local onde se cunhava o metal usado nas transacções. Por fim, foram descobertas fornalhas da Fundição do Arsenal Real, uma unidade industrial da segunda metade do séc. XIX.

"Esta escavação vai permitir conhecer três séculos de história portuária", sublinha outro responsável pela escavação, Alexandre Sarrazola. Embora esteja ciente de que a maioria dos vestígios terá ser destruída depois de devidamente registada em fotografia e desenho, o arqueólogo diz que algumas das peças encontradas poderão vir a ser salvaguardadas e mesmo integradas no projecto do estacionamento, como já sucedeu com os vestígios do parque de estacionamento subterrâneo do Largo do Camões - ou então transportadas para um museu.

"Face ao desconhecimento do que ainda pode vir a ser encontrado por baixo da estrutura de madeira do séc. XVI está tudo em aberto", salienta, acrescentando que a decisão final caberá ao Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico.

http://www.publico.pt/Local/no-cais-do-sodre-ha-mais-do-que-uma-praia-escondida-debaixo-do-asfalto-1538418?all=1